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Política

Da disputa eleitoral ao uso do dinheiro público: os assuntos que marcaram a semana no EPOL

Entre 12 e 18 de julho, o Estado do Pará Online acompanhou decisões judiciais, movimentações para as eleições de 2026, contratos milionários, suspeitas envolvendo recursos públicos e debates sobre comunicação, meio ambiente e segurança

Por Estado do Pará Online
18/07/2026 às 14:10 • 10 min

Destaque para as principais notícias da semana no EPOL, envolvendo eleições, Justiça, recursos públicos, segurança e meio ambiente no Pará.

A corrida eleitoral de 2026 ganhou velocidade, os gastos públicos voltaram ao centro das cobranças e decisões da Justiça produziram efeitos importantes no tabuleiro político paraense. Entre os dias 12 e 18 de julho, o Estado do Pará Online acompanhou acontecimentos que ajudam a compreender não apenas o presente do Pará, mas também as forças que já se movimentam para definir o futuro do Estado.

O fio que liga boa parte das principais matérias publicadas durante a semana é a cobrança por transparência. Seja na aplicação de recursos em obras, shows, empresas de comunicação ou contratos governamentais, o cidadão continua tentando descobrir quanto foi gasto, quem recebeu, quais resultados foram entregues e quais interesses políticos podem existir por trás de determinadas decisões.

Eleições de 2026 antecipam movimentos e disputas

Foto de Celso Sabino com a foto da bandeira do Pará ao fundo

Mesmo faltando menos de três meses para a votação, a eleição estadual já influencia decisões administrativas, alianças partidárias e posicionamentos públicos.

A pré-candidatura de Celso Sabino ao Senado ganhou novo impulso. O deputado federal manteve o projeto eleitoral mesmo diante das pressões para que desistisse da disputa, aceitasse uma candidatura a vice-governador ou buscasse espaço em um tribunal de contas. O lançamento de sua candidatura será anunciado na próxima quinta-feira, 22, durante a Convenção Partidária do PDT e dá largada à campanha eleitoral oficial.

Sabino demonstra acreditar que possui condições de conquistar uma das duas vagas ao Senado. Sua articulação durante a passagem pelo Ministério do Turismo ampliou a presença política no interior do Pará, garantindo o apoio de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, parlamentares e integrantes do governo federal.

A mobilização também alcançou setores do Partido dos Trabalhadores. Um manifesto apresentado por lideranças de diferentes tendências petistas defendeu a candidatura de Celso e deverá ser encaminhado à direção nacional do partido. O episódio mostra que a composição da chapa governista para o Senado permanece aberta e sujeita a uma intensa disputa interna.

Na corrida pelo Governo do Pará, Hana Ghassan e Daniel Santos continuam concentrando as atenções. Mudanças realizadas no primeiro escalão do governo estadual, após a posse de Hana em 2 de abril, revelaram a preparação da máquina administrativa para o período eleitoral e para as futuras desincompatibilizações.

Ao mesmo tempo, a Justiça Eleitoral determinou a suspensão de uma pesquisa sobre a disputa pelo governo, envolvendo Daniel Santos e questionamentos sobre possíveis irregularidades no levantamento. O episódio reforçou a importância dos institutos de pesquisa na construção das narrativas eleitorais – e também a necessidade de rigor metodológico e transparência na divulgação dos números.

Decisão do TSE libera candidatura de Antônio Doido

Helder Barbalho levanta o braço de Antônio Doido, em onvenção do MDB . quando confirmou o nome do Deputado como pré-candidato à prefeito de Ananindeua.
Helder Barbalho levanta o braço de Antônio Doido, em onvenção do MDB . quando confirmou o nome do Deputado como pré-candidato à prefeito de Ananindeua. Foto: Reprodução/Diário do Pará

Outro acontecimento relevante foi a decisão provisória do ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, que suspendeu os efeitos da inelegibilidade de Antônio Doido.

O processo está relacionado às eleições municipais de 2024 em Ananindeua. A ação foi apresentada por Daniel Santos e pela coligação “Ananindeua do Povo, Pra Mudança Continuar”, que alegavam que Antônio Doido teria cometido abuso de poder político e econômico nas eleições municipais de 2024, quando no fim Daniel foi reeleito prefeito de Ananindeua e hoje é pré-candidato ao governo do Pará.

Com a concessão do efeito suspensivo no AREspE nº 0600518-80.2024.6.14.0072, o obstáculo jurídico que poderia impedir uma eventual participação de Antônio Doido nas eleições de 2026 fica temporariamente afastado.

A decisão, entretanto, não representa o julgamento definitivo do processo. O mérito ainda deverá ser analisado pelo TSE. Mesmo assim, a medida reposiciona Leocádio no cenário político e pode produzir reflexos nas articulações eleitorais de Ananindeua.

Parque da Cidade entra na mira do Ministério Público

Imagem aérea do Parque da Cidade, em Belém do Pará.
Vista do Parque da Cidade, em Belém, obra ligada à COP30 que passou a ser alvo de cobranças por transparência e detalhamento dos recursos aplicados. Foto: Alexandre Costa/Agência Pará

Entre as pautas de maior repercussão esteve o pedido de investigação sobre os custos do Parque da Cidade, uma das principais obras associadas à realização da COP30 em Belém.

Representantes do PSOL solicitaram ao Ministério Público Federal a apuração das diferenças entre uma estimativa de R$ 65,8 milhões e o investimento de R$ 980 milhões divulgado para o empreendimento. A diferença chega a aproximadamente R$ 914 milhões.

O pedido foi apresentado pelos pré-candidatos Adriano Wilkson e Araceli Lemos e envolve questionamentos sobre a participação do Governo do Pará e da mineradora Vale no projeto.

A diferença entre os valores não comprova, isoladamente, a existência de irregularidade, pois os números podem estar relacionados a escopos distintos. Cabe aos responsáveis, entretanto, explicar detalhadamente o que estava incluído em cada orçamento, quais serviços foram executados, como os valores evoluíram e quem recebeu os recursos.

Obras públicas de grande porte não podem ser protegidas por uma cortina de números genéricos. Quanto maior o investimento, maior deve ser o nível de transparência.

Contratos, aeronaves e crescimento patrimonial

Montagem com as fotos de Helder Barbalho, Adriano Coelho e João Coelho, além de imagens de um jato, uma ferrari e um relógio de luxo.
O uso de uma aeronave dos irmãos Coelho pelo pré-candidato Helder Barbalho ganhou repercussão nacional, mas só a imprensa paraense foi acusada de propaganda eleitoral antecipada negativa. Justiça indeferiu pedido da família Coelho para retirada das matérias dos portais e redes sociais.

A semana também foi marcada pelas repercussões envolvendo os irmãos Adriano e João Coelho, contratos firmados com o Governo do Pará e a utilização de uma aeronave operada por uma empresa pertencente à família.

Reportagem analisada pelo EPOL apontou que Helder Barbalho utilizou, em 11 de junho, uma aeronave operada pela JR Limpeza durante deslocamentos para Canaã dos Carajás e Parauapebas. A empresa, pertencente à irmã dos parlamentares, teria acumulado aproximadamente R$ 61 milhões em contratos públicos desde 2021.

Outro ponto destacado foi a evolução patrimonial declarada por João Coelho, que teria passado de R$ 2,4 milhões, em 2020, para mais de R$ 32,1 milhões em 2024.

Os irmãos recorreram ao Tribunal Regional Eleitoral do Pará contra as reportagens. No dia 10 de julho, entretanto, o pedido liminar para retirada dos conteúdos foi negado no processo nº 0600215-20.2026.6.14.0000.

O caso envolve três temas sensíveis: a fiscalização dos contratos públicos, a possível utilização eleitoral de estruturas empresariais e a tentativa de retirar do ar informações de interesse coletivo. Questionar autoridades e empresários que mantêm relações com o poder público não representa condenação antecipada, mas o exercício legítimo do jornalismo.

Emendas, shows e o caminho do dinheiro

Imagem com cédulas de dinheiro, uma urna eletrônica e a frase: Eleições sob suspeita

O uso de emendas parlamentares para contratação de apresentações artísticas também entrou na pauta.

Um dos casos abordados envolveu uma emenda de R$ 280 mil atribuída pela Polícia Federal a Valdemar Costa Neto, utilizada para pagar um show da dupla Thaeme & Thiago em uma cidade de apenas 5,5 mil habitantes, no interior de São Paulo.

No Pará, denúncias envolvendo produtoras e possíveis diferenças entre os valores registrados nos contratos e os cachês efetivamente recebidos pelos artistas aumentaram a preocupação. Em um dos episódios apresentados ao portal, um contrato de R$ 250 mil teria resultado no pagamento de apenas R$ 3 mil a R$ 3,5 mil ao artista, segundo o relato divulgado.

As suspeitas precisam ser investigadas, com direito de defesa aos envolvidos. O caminho adequado passa pela análise dos contratos, notas fiscais, transferências bancárias, empresas intermediárias, cachês e prestações de contas. Em dinheiro público, o palco pode até ter fumaça; a contabilidade, não.

Publicidade oficial e concentração da comunicação

O EPOL também colocou em debate a concentração das verbas publicitárias nas mãos de poucos grupos de comunicação.

A distribuição desigual de recursos públicos fortalece empresas historicamente dominantes, reduz a pluralidade da informação e aprofunda as diferenças entre veículos nacionais, regionais e independentes. No Pará, o problema ganha contornos ainda mais graves quando os critérios de distribuição não são apresentados de maneira clara.

Ao completar três anos, o Estado do Pará Online permanece sem receber recursos da publicidade do Governo do Pará, apesar do crescimento de sua audiência e de sua presença no debate público.

Mais do que uma reivindicação empresarial, a democratização das verbas representa uma defesa da própria democracia. Quando governos escolhem financiar apenas veículos próximos, a publicidade institucional deixa de cumprir uma função pública e passa a operar como instrumento de recompensa, dependência ou controle editorial.

A discussão foi ampliada pela análise dos benefícios fiscais concedidos às empresas de comunicação ao longo dos últimos anos. Mesmo favorecidas por políticas de desoneração, muitas empresas continuam reduzindo redações, demitindo jornalistas e alegando dificuldades financeiras durante as negociações salariais.

Meio ambiente, segurança e cotidiano do paraense

A agenda ambiental também ganhou destaque com a aprovação, no Senado, de uma proposta que reduz a área da Floresta Nacional do Jamanxim. Ambientalistas alertam que a mudança poderá ampliar a pressão de fazendas, mineração e ocupações sobre uma das regiões mais sensíveis da Amazônia.

Na Região Metropolitana de Belém, a mobilidade e a segurança no transporte coletivo estiveram entre as preocupações da população. Denúncias de ameaças com faca dentro de ônibus, o reforço da frota para Mosqueiro e os problemas enfrentados na saída de Belém pela BR-316 mostraram que as férias de julho continuam acompanhadas por antigos desafios de infraestrutura.

Casos de violência doméstica no Marajó, especialmente em Breves, também mobilizaram órgãos como Tribunal de Justiça, polícias e Ministério Público. A repercussão reforçou a necessidade de proteção rápida às vítimas e de responsabilização efetiva dos agressores.

Em Santarém, a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré mostrou outra dimensão do Pará: a religiosidade que atravessa gerações e conecta diferentes regiões do Estado.

Uma semana que revela o Pará de 2026

As matérias publicadas pelo EPOL durante a semana revelam um Estado atravessado por disputas políticas, grandes investimentos, decisões judiciais e cobranças por transparência.

A eleição de 2026 já influencia alianças, pesquisas, mudanças administrativas e movimentações partidárias. Paralelamente, contratos, obras e emendas parlamentares exigem fiscalização permanente para que recursos destinados à população não sejam transformados em instrumentos de enriquecimento, favorecimento político ou controle eleitoral.

O papel do jornalismo é justamente ligar esses pontos, fazer perguntas e impedir que assuntos de interesse público desapareçam no ritmo acelerado das redes sociais. Em uma democracia, o silêncio sempre favorece quem prefere agir longe dos olhos da sociedade.

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