Eleições 2026

Raio-X Eleitoral: conheça as propostas, aliados e trajetória de Hana Ghassan

Governadora e candidata à reeleição pelo MDB, Hana Ghassan tem mais de três décadas de carreira no serviço público e chegou à política eleitoral em 2022 e aposta na continuidade da gestão de Helder Barbalho, com foco em saúde, segurança, desenvolvimento econômico, infraestrutura e modernização administrativa; Série apresenta o perfil dos candidatos ao Governo do Pará em ordem alfabética e acompanha o calendário das sabatinas da TVC Pará, sempre a partir das 17h

Por Júlia Ramos
03/09/2026 às 17:35 • 19 min

Hana Ghassan Tuma, 58 anos, é candidata ao Governo do Pará pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), com o número 15. Natural de Belém, formada em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e auditora fiscal de carreira da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), ela construiu a maior parte da trajetória profissional dentro da administração pública. Antes de chegar ao cargo eletivo, ocupou funções nas áreas fiscal e de planejamento, incluindo a Secretaria de Estado de Planejamento e Administração (Seplad). Em 2022, foi eleita vice-governadora na chapa de Helder Barbalho e, em 2 de abril de 2026, assumiu o Governo do Pará após a saída de Helder para disputar uma vaga ao Senado.

Na política eleitoral, portanto, a trajetória de Hana é relativamente recente: ela entrou efetivamente na disputa por um cargo eletivo em 2022, há quatro anos. Sua carreira no serviço público, porém, começou muito antes. A candidata ingressou na Sefa em 1992, inicialmente como agente auxiliar de fiscalização, e posteriormente tornou-se auditora fiscal por concurso público.

Politicamente, Hana representa a continuidade do grupo que governou o Pará nos últimos anos sob a liderança de Helder Barbalho. A composição atual da candidatura reúne MDB, Republicanos, PSB, PSD, Avante, Federação PSDB-Cidadania, Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) e Federação União Progressista (União/PP), sob o nome “O Pará Tá Junto”. O registro da candidatura aparece como deferido e concorrendo no sistema da Justiça Eleitoral, com limite legal de gastos de R$ 11,56 milhões no primeiro turno.

No cenário presidencial, a candidatura está vinculada ao bloco que mantém aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT decidiu manter a parceria eleitoral com o MDB e indicou Dirceu Ten Caten para a vice de Hana. A aliança, contudo, passou por momentos de tensão: o EPOL registrou que, na convenção do MDB de agosto, Lula não foi citado nos discursos do evento, o que expôs uma disputa interna sobre o espaço do presidente no palanque paraense.

O episódio é relevante para entender o posicionamento político da candidata. Hana está no centro de uma ampla aliança que reúne partidos de campos distintos e que tem como eixo a continuidade do atual grupo no governo estadual. Na prática, sua candidatura ocupa o campo governista e do chamado “centrão”, ao mesmo tempo em que busca preservar a aliança com setores de centro-direita, empresariais e conservadores que integram a base política construída pelo MDB no Estado. Hana é a principal herdeira política do projeto liderado por Helder Barbalho.

O que faz um governador?

O governador é o chefe do Poder Executivo estadual e administra órgãos, serviços e políticas cuja responsabilidade é atribuída ao Estado. Entre as principais áreas estão a rede estadual de ensino, a saúde pública em articulação com municípios e União, a segurança pública, o sistema penitenciário, as rodovias estaduais, a infraestrutura, o meio ambiente, o desenvolvimento econômico e a gestão dos servidores.

Isso significa que nem todas as promessas de um candidato a governador podem ser executadas exclusivamente por decisão do chefe do Executivo. Algumas dependem de aprovação da Assembleia Legislativa, de recursos orçamentários, de parcerias com municípios ou com a União e, em determinados casos, de mudanças na legislação.

Saúde

A saúde aparece como a principal prioridade do plano de governo de Hana. A proposta é fortalecer o SUS estadual, ampliar a atenção primária e integrar os serviços de média e alta complexidade. O programa também promete ampliar consultas especializadas, exames e serviços de diagnóstico, reduzir o tempo de espera e regionalizar o atendimento. Há atenção específica para pessoas com transtorno do espectro autista e para a saúde da mulher.

Entre as obras previstas estão o Hospital Estadual dos Olhos, dois novos Hospitais da Mulher, hospitais regionais em Capitão Poço, Parauapebas e Igarapé-Miri, a conclusão do Hospital do Leste, em Paragominas, e a reforma de 20 hospitais e unidades de saúde municipais. O plano também prevê um Hospital do Câncer Infantil, um Hospital do Coração, UPAs, ampliação de UTIs, hemodiálise, oncologia e atendimento cardiovascular.

Outra aposta é a digitalização do atendimento, com o programa Saúde Digital, marcação de consultas e exames pela internet, telemedicina, prontuário digital integrado e uso de inteligência artificial em um hospital de alta precisão.

Educação

O plano mantém a educação entre as prioridades e propõe ampliar a rede de creches, a alfabetização na idade certa, o ensino integral, a educação profissional e a formação tecnológica. Robótica, programação, inteligência artificial e educação financeira devem ganhar espaço na rede estadual.

Entre as propostas mais específicas estão a implantação de 200 escolas cívico-militares, mais 50 Centros de Robótica da Educação Básica, ampliação do Forma Pará, criação das Universidades Estaduais do Sul e Sudeste e do Oeste do Pará, além de tablets para estudantes do ensino médio e um programa de intercâmbio internacional.

O plano também prevê fortalecer a educação inclusiva, a educação do campo, ribeirinha, indígena e quilombola, ampliar acompanhantes especializados para estudantes autistas e criar mais estruturas de ensino profissional de acordo com a vocação econômica de cada região.

Segurança pública

Hana promete manter a política de segurança baseada em inteligência, tecnologia, integração das forças e expansão da presença policial no interior, nas cidades e nos rios. O combate ao crime organizado, aos roubos, aos crimes cibernéticos e à violência contra a mulher aparece como prioridade.

O plano apresenta como resultados do ciclo anterior redução de mais de 72% das ocorrências de roubos e de mais de 56% nos Crimes Violentos Letais Intencionais, além da implantação de mais de mil câmeras, 14 Centros Integrados de Comando e Controle, mais de 1.150 viaturas e incorporação de mais de 14 mil agentes. Esses números são apresentados pela própria candidatura como resultados do governo que Hana integrou antes de assumir o Executivo.

Para o próximo período, a candidata propõe ampliar câmeras com reconhecimento facial e leitura de placas, utilizar drones com inteligência artificial, realizar concurso para a área de segurança, fortalecer o combate financeiro ao crime organizado e ampliar as operações fluviais. Também prevê mais DEAMs funcionando 24 horas e uma central integrada de atendimento às mulheres vítimas de violência.

Mulheres

A política para mulheres é um dos eixos mais desenvolvidos do plano. Hana propõe ampliar a rede de proteção, fortalecer o atendimento especializado, expandir DEAMs 24 horas, criar novos abrigos e Hospitais da Mulher e ampliar benefícios sociais e financeiros para vítimas de violência.

O programa também pretende fortalecer a autonomia econômica feminina, ampliar acesso a crédito e qualificação profissional, criar incentivos fiscais para empresas que promovam equidade de gênero e expandir o programa Por Todas Elas. Outra proposta é criar uma central única de atendimento 24 horas, integrando forças de segurança, Justiça e apoio psicológico.

Desenvolvimento social

A candidatura propõe ampliar as políticas de primeira infância, juventude, idosos, pessoas com deficiência e populações vulneráveis. As Usinas da Paz permanecem como uma das principais apostas: o plano promete duplicar o número de unidades no Estado e ampliar nelas serviços de qualificação, cultura, esporte, tecnologia e inclusão social.

Também estão previstas moradias para idosos, reformas de casas, benefícios sociais, centros de acolhimento para dependentes químicos, inclusão digital e expansão de políticas para pessoas com deficiência e populações tradicionais.

Habitação, saneamento e cidades

Hana pretende ampliar a habitação de interesse social, a regularização fundiária e os investimentos em infraestrutura urbana. O plano prevê novos programas de reforma habitacional, subsídios para empreendimentos, apoio aos municípios contra alagamentos e expansão da pavimentação urbana.

Na área de saneamento, a proposta mantém o modelo de concessão regionalizada dos serviços de água e esgotamento sanitário, com metas de universalização e fiscalização dos contratos. O plano prevê expansão do abastecimento, coleta e tratamento de esgoto e continuidade das obras no Complexo Bolonha e na ETE Una.

O programa também prevê tarifa unificada entre BRT Metropolitano, BRT Belém e ônibus urbanos, ônibus climatizados nas maiores cidades, novos viadutos, ciclovias e maior integração entre os sistemas rodoviário e hidroviário.

Desenvolvimento econômico, emprego e renda

A candidatura defende um modelo que combine atração de investimentos, industrialização, bioeconomia, agricultura, mineração e apoio aos pequenos negócios. Entre as metas estão a verticalização da produção mineral, criação de novos distritos industriais, fortalecimento do agronegócio e expansão de atividades ligadas à piscicultura e à agricultura familiar.

O plano prevê ainda um programa de formalização de pequenos e médios mineradores, novos mecanismos de crédito, expansão do cooperativismo e regularização fundiária. Para os jovens, há a proposta de criar o programa Primeira Oportunidade, com preparação profissional, inglês e encaminhamento para estágio.

A candidatura também quer criar uma plataforma estadual para aproximar trabalhadores qualificados das empresas e aumentar a prospecção de vagas de emprego.

Agricultura e setor produtivo

O plano dá destaque ao agronegócio, à agricultura familiar e à produção de alimentos. Hana pretende ampliar assistência técnica, crédito, cooperativismo e programas de compras públicas, além de fortalecer cadeias de açaí, cacau, mandioca, abacaxi, dendê, pescado, carne e outros produtos.

Também estão previstos mecanismos de rastreabilidade, monitoramento por drones e satélites, expansão do Cheque Pecuária e investimentos em infraestrutura para a produção rural. O governo pretende ainda estudar o potencial de terras raras e minerais críticos existentes no Estado.

Infraestrutura e logística

Hana propõe continuar a política de expansão de rodovias, pontes, portos, aeroportos e terminais hidroviários. O programa prevê pavimentar, recuperar ou duplicar 2 mil quilômetros de rodovias estaduais e construir a Avenida da Integração, ligando a Alça Viária, em Marituba, a Castanhal.

Outro compromisso é requalificar a BR-316 entre Marituba e Benevides, embora a rodovia seja federal nesse trecho, o que exige articulação com a União. O plano ainda promete ampliar terminais hidroviários, recuperar aeródromos e integrar os diferentes modais de transporte.

Turismo

O plano pretende transformar os resultados obtidos com a projeção do Pará durante a COP30 em uma política permanente de atração de visitantes. Entre as propostas estão novos roteiros, promoção internacional, expansão dos voos, turismo de base comunitária, turismo religioso, cruzeiros e valorização da gastronomia paraense.

A candidatura propõe ainda criar o Programa Experiências Pará, apoiar microempreendedores ligados à gastronomia, cultura popular e artesanato e ampliar o Qualificatur para formar trabalhadores e gestores do setor em todas as regiões.

Cultura e economia criativa

Na cultura, Hana promete ampliar editais, construir novos equipamentos e expandir o financiamento para artistas, produtores e empreendedores criativos. O plano prevê a segunda fase do Parque da Cidade, expansão do Porto Futuro II, novos centros culturais e o programa Pará Criativo, com formação, apoio técnico e crédito.

Entre as ações já apresentadas pelo governo estão a restauração do Palacete Facciola, a criação do Museu das Amazônias, a reforma do Museu do Marajó, a revitalização do Memorial da Cabanagem e o reconhecimento do Theatro da Paz como Patrimônio Mundial da Unesco.

Ciência, tecnologia e inovação

O programa trata tecnologia como instrumento tanto de desenvolvimento econômico quanto de melhoria dos serviços públicos. A candidata promete modernizar o Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, incentivar startups e soluções de bioeconomia, ampliar a transformação digital e expandir as infovias estaduais.

A administração estadual também deverá incorporar inteligência artificial e análise de dados. O plano prevê uma Política Estadual de Inteligência Artificial, o programa IA para Todos, um Laboratório de Inovação e o Pará Inteligente, destinado a integrar bases de dados para apoiar decisões governamentais.

Meio ambiente e clima

A candidatura tenta conciliar crescimento econômico, conservação ambiental e bioeconomia. O plano apresenta como resultados anteriores uma redução de 61% no desmatamento, queda de 67% nos focos de incêndio e criação de 11 bases de brigadas. Também afirma que o Plano Estadual de Bioeconomia reúne 125 iniciativas que alcançaram mais de 400 mil pessoas e 5,5 mil empreendimentos.

Para o próximo mandato, Hana propõe modernizar o licenciamento ambiental, ampliar a fiscalização, criar um Plano Estadual de Adaptação Climática, expandir brigadas, implementar o mercado de carbono ligado ao REDD+, criar pagamento por serviços ambientais e ampliar a recuperação florestal.

Administração pública e responsabilidade fiscal

Um dos principais pilares do discurso de Hana é a continuidade da política de planejamento e equilíbrio das contas públicas. O programa cita como resultados do ciclo anterior a realização de 27 concursos, com mais de 19 mil servidores nomeados, a criação do Pará 2050, a implantação do Centro Administrativo do Estado e a modernização de sistemas financeiros e administrativos.

A proposta para o próximo ciclo é ampliar a digitalização do Estado, modernizar a legislação de pessoal, realizar novos concursos, melhorar a negociação com servidores, reforçar a transparência e ampliar mecanismos de segurança cibernética.

O plano também mantém espaço para investimentos privados e parcerias com o setor privado, desde que, segundo a candidatura, sejam respeitados critérios de sustentabilidade e inclusão social.

O que Hana já fez na vida pública?

É preciso separar aqui o que foi realizado diretamente por Hana como governadora daquilo que pertence ao governo do qual ela fez parte como vice-governadora e secretária. A maior parte das grandes obras e programas listados em seu atual plano de governo foi executada ao longo dos oito anos da gestão Helder Barbalho, período em que Hana ocupou funções estratégicas, mas não comandava o Executivo estadual. O próprio documento apresenta essas entregas como realizações do ciclo administrativo e, em seguida, estabelece o que pretende “avançar”.

Como secretária de Planejamento e Administração, Hana esteve diretamente inserida na estrutura responsável pelo planejamento, orçamento e modernização administrativa do Estado. Ela voltou a comandar a Seplad em janeiro de 2025 e deixou a secretaria em agosto daquele ano para permanecer como vice-governadora e coordenadora do Comitê Estadual da COP30.

Já como governadora, uma das medidas que pode ser atribuída diretamente à sua gestão foi a sanção da Lei Estadual nº 11.460/2026, que reconheceu o Parque da Cidade como patrimônio cultural material e imaterial do Pará. A proposta havia sido aprovada pela Assembleia Legislativa antes da sanção.

Nos primeiros 100 dias no cargo, Hana também promoveu mudanças no primeiro escalão do governo. Cerca de 20 integrantes deixaram funções por motivos ligados principalmente à disputa eleitoral, enquanto 11 secretarias passaram a ter novos titulares ou gestores interinos. Ao mesmo tempo, áreas consideradas estratégicas permaneceram sob o comando de nomes herdados da administração anterior, o que reforçou a característica de continuidade do início do novo governo.

Em julho, outro ato administrativo de destaque foi a nomeação de Mike Kirixi Munduruku para a Secretaria de Estado dos Povos Indígenas, depois que Puyr Tembé deixou a pasta para disputar as eleições.

Patrimônio e evolução patrimonial

Hana declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 1.670.461,00 em 2026, dividido em sete itens. Entre eles estão um apartamento avaliado em R$ 900 mil, R$ 440 mil em CDB, um veículo Compass avaliado em R$ 190 mil, R$ 50 mil em outros direitos, R$ 40 mil em LCA, R$ 30.461 em conta corrente e R$ 20 mil em dinheiro.

Em 2022, quando foi candidata a vice-governadora, Hana declarou R$ 1.288.017,12 em patrimônio. A comparação entre as duas declarações aponta aumento nominal de R$ 382.443,88, equivalente a aproximadamente 29,66% em quatro anos.

Outro dado que chamou atenção durante a campanha foi a aposentadoria de Hana como auditora fiscal da Sefa. A aposentadoria foi publicada em fevereiro de 2026, com remuneração bruta de R$ 82.137,97 e aplicação do redutor constitucional, resultando em proventos de R$ 46.366,19. O tema ganhou repercussão política durante a pré-campanha, mas a aposentadoria decorre do vínculo funcional da candidata com a carreira de auditora fiscal e não constitui, por si só, irregularidade.

Financiamento da campanha

No documento do DivulgaCandContas fornecido para esta apuração, a prestação de contas de Hana tinha como última atualização financeira o dia 21 de agosto. Até aquele registro, a campanha havia declarado R$ 100 mil em receitas e nenhuma despesa. Todo o valor aparecia como recurso proveniente do diretório estadual do MDB no Pará.

O detalhamento registra R$ 100 mil em recursos financeiros e mostra que 100% da receita declarada vinha de doação partidária. O documento também informa que, naquele momento, não havia despesas lançadas.

Investigações, decisões judiciais e questionamentos públicos

O principal episódio de natureza eleitoral envolvendo Hana ocorreu antes da campanha oficial. Em janeiro de 2026, o TRE-PA determinou a retirada de outdoors espalhados pelo Estado com a imagem da então vice-governadora, em decisão liminar que apontava possível propaganda eleitoral antecipada. O tribunal determinou a remoção das peças em até 48 horas, sob pena de multa.

Meses depois, em junho, o TRE-PA julgou procedentes as representações apresentadas pela Federação PSOL/Rede e condenou Hana e gestores municipais ao pagamento de multa superior a R$ 150 mil. Segundo a decisão, os outdoors, distribuídos por 24 municípios, continham elementos que associavam antecipadamente a imagem da então pré-candidata à eleição de 2026. O EPOL informou que a decisão não era definitiva e poderia ser questionada no Tribunal Superior Eleitoral.

Outro ponto de questionamento público envolveu a relação de Hana com Lula. Durante a formação da chapa, o PT pressionou pela indicação de Dirceu Ten Caten como vice e pela manutenção de um palanque presidencial claramente alinhado ao presidente. O EPOL registrou que, nos bastidores, a proximidade com Lula era considerada uma questão delicada diante da necessidade de Hana dialogar também com setores evangélicos e empresariais.

Em outro episódio, em maio de 2026, empresários e integrantes da família Maiorana cobraram de Hana uma posição sobre supostas dívidas bilionárias da Cerpasa com o Estado. O caso envolvia questões tributárias que, segundo a própria empresa, estão em discussão judicial desde 2011. O EPOL registrou que as acusações divulgadas publicamente não estavam acompanhadas, naquele momento, de documentos públicos que comprovassem as alegações de irregularidades feitas pelos empresários.

Também houve questionamentos políticos sobre o grau de autonomia de Hana em relação a Helder Barbalho. Em julho, o EPOL publicou que a governadora estaria montando uma estrutura jurídica e financeira própria para a campanha, separada da estrutura política tradicional do ex-governador. A publicação ressalvou que uma candidatura possuir estrutura jurídica e contábil própria é normal e que a composição do novo núcleo ainda não havia sido anunciada oficialmente.

Avaliação do governo e cenário eleitoral

A administração de Hana começou a ser avaliada durante o curto período em que ela está à frente do Executivo. Pesquisa EPOL/Simetria divulgada em 03 de setembro mostrou 49% de aprovação e 36% de desaprovação à sua gestão, enquanto 15% não souberam ou não responderam.

A mesma pesquisa mostrou Hana com 34% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Dr. Daniel, configurando empate técnico dentro da margem de erro.

Situação eleitoral

Hana está dentro da regulamentação eleitora. Na consulta ao DivulgaCandContas realizada em 3 de setembro de 2026, a candidatura aparece como “Deferido” e “Concorrendo”. O registro confirma sua candidatura ao Governo do Pará pelo MDB, número 15, dentro da coligação “O Pará Tá Junto”.

Em resumo

Hana Ghassan chega à eleição de 2026 com uma característica diferente da maioria dos adversários: embora tenha apenas quatro anos de experiência em cargos eletivos, acumula mais de três décadas de carreira na administração pública e já ocupou posições técnicas de alto nível antes de chegar à vice-governadoria. Como candidata, oferece ao eleitor um projeto baseado principalmente na continuidade do ciclo iniciado por Helder Barbalho, combinando expansão de serviços públicos, grandes obras, atração de investimentos, segurança, políticas para mulheres, bioeconomia e modernização do Estado.

A candidatura também carrega questões que deverão ser exploradas durante a campanha: a dimensão da continuidade em relação a Helder, o espaço de Lula dentro da aliança, a capacidade de transformar as entregas dos últimos oito anos em resultados próprios, o custo das novas promessas e os questionamentos da Justiça Eleitoral sobre propaganda antecipada. Ao mesmo tempo, sua candidatura está atualmente deferida e ela aparece entre os dois principais nomes na corrida eleitoral, segundo a pesquisa mais recente do EPOL/Simetria.

Este é o quarto raio-X da série sobre os candidatos ao Governo do Pará. Os perfis estão sendo publicados em ordem alfabética e de acordo com o cronograma das sabatinas da TVC Pará, todas com início previsto para as 17h.

Acompanhe:
Araceli Lemos (PSOL), em 31 de agosto – link da entrevista;
Dr. Daniel Santos (Podemos), em 1º de setembro – Não compareceu;
Gal Leite (Unidade Popular), em 2 de setembro – 
Hana Ghassan (MDB), em 3 de setembro – Não compareceu;
Dra Ruth Reis (Democrata), em 4 de setembro;
Well Macêdo (PSTU), em 7 de setembro.

Leia também:

WhatsApp