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Dia Mundial do Chocolate: Pará lidera produção de cacau no Brasil e transforma mercado nacional

Por Estado do Pará Online
03/07/2026 às 16:22 • 3 min

O Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho, ganha um novo significado para o público nortista devido às transformações recentes no mercado nacional. Atualmente, o estado do Pará assumiu o protagonismo da cacauicultura brasileira, ultrapassando a tradicional produção da Bahia no abastecimento do setor. A liderança consolida a transição da região de mera fornecedora de matéria-prima para um polo de chocolates finos e com identidade de origem.

​A trajetória do doce no país passou por severas crises econômicas e biológicas, como o surto da doença vassoura-de-bruxa que dizimou lavouras inteiras na década de 1980. Diante disso, o setor agrícola nacional precisou se reinventar ao focar na qualidade extrema das amêndoas em vez de priorizar apenas o volume bruto para exportação. O reflexo dessa mudança foi o reconhecimento do Brasil pela Organização Internacional do Cacau como exportador de produto totalmente fino e aromático.

​No cenário institucional, novas diretrizes federais foram implementadas recentemente para assegurar a integridade e a transparência do que chega ao consumidor final. A legislação sancionada determina que o chocolate tradicional deve apresentar no mínimo 35% de sólidos de cacau em sua composição básica. Além disso, as embalagens passam a exibir de forma clara os percentuais exatos do fruto, eliminando termos vagos nos rótulos das mercadorias.

​Especialistas do setor apontam que o cultivo do fruto se mostra consideravelmente mais rentável financeiramente quando comparado à atividade da pecuária extensiva. O modelo agrícola adotado destaca-se também pelo forte apelo ambiental, visto que o plantio do cacaueiro dispensa o desmatamento de novas áreas florestais. Esse panorama sustentável atrai investimentos expressivos e impulsiona o faturamento com vendas externas, que já atingiram a marca histórica de 1 bilhão de dólares.

​Para consolidar essa posição de destaque no mercado global, o país sediará pela primeira vez uma edição completa do prestigiado Salon du Chocolat em Salvador. O evento internacional receberá aportes financeiros na ordem de 8 milhões de reais por meio da iniciativa privada local. A feira pretende conectar diretamente os produtores da Região Norte e Nordeste com os principais chefes e compradores do circuito europeu e asiático.

​Embora o consumo médio anual do brasileiro ainda seja considerado baixo se comparado aos líderes europeus, o potencial de expansão interna permanece elevado. Os novos investimentos industriais buscam diminuir a dependência do modelo de commodities e valorizar o conceito que acompanha o produto desde a colheita até a barra. Com matéria-prima de excelência, as fábricas regionais preparam-se para competir diretamente com as marcas tradicionais da Suíça e da Bélgica.

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