Eleições 2026

Flávio Bolsonaro reclama de ataques de adversários da direita e diz estar “sozinho de novo”

Senador afirmou que esperava que candidatos de centro-direita concentrassem críticas no presidente Lula e evitassem ataques entre nomes da oposição

Por Mayra Peniche
21/08/2026 às 12:08 • 4 min

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, reclamou nesta quinta-feira (20) dos ataques que, segundo ele, tem recebido de adversários que também disputam o eleitorado de direita e centro-direita.

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Durante uma transmissão ao vivo, o senador afirmou estar “sozinho de novo” na corrida pelo Palácio do Planalto e disse esperar que os demais candidatos que se apresentam como oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentrassem suas críticas no atual chefe do Executivo.

Flávio não citou nominalmente os adversários aos quais se referia. A declaração, porém, ocorre após críticas públicas de nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), que também disputam espaço no campo da oposição ao governo federal.

“Se você olha para quem são os candidatos, eu tô sozinho de novo. Até aquelas pessoas que se dizem de direita que eu incentivei… Eu incentivei, não quero falar aqui os nomes, em algum momento, se for necessário, eu falarei”, afirmou.

Na sequência, o senador disse que teria incentivado algumas dessas candidaturas por entender que a disputa deveria estar relacionada a um projeto político para o país.

“Eu falava assim: ‘Cara, isso aqui não é projeto de poder, é o Brasil que tem que vencer’”, declarou.

Flávio diz estar incomodado com críticas

O candidato do PL também demonstrou incômodo com o fato de parte dos ataques partir de candidatos que se apresentam como integrantes da direita ou da centro-direita.

“Isso me deixa um pouquinho chateado, mas também bola para frente, porque eu esperava que as pessoas que se dizem de centro-direita fossem estar atacando o Lula. E é todo dia ataca Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Ao final da declaração, o senador disse confiar no apoio de seus eleitores e em sua fé.

“É triste isso, mas eu tenho você, tenho o povo e, acima de tudo, tenho Deus tomando conta de tudo”, acrescentou.

Troca de críticas com aliados de Caiado

A reclamação ocorre poucos dias depois de Flávio Bolsonaro trocar acusações com integrantes da campanha de Ronaldo Caiado.

Na semana passada, Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e candidato a vice na chapa de Caiado, afirmou que Flávio Bolsonaro teria “chance zero” de vencer a eleição presidencial.

A declaração provocou reação do senador, que passou a cobrar dos demais candidatos de direita uma postura mais direcionada contra o PT e o presidente Lula.

Aliados do PL também reagiram às declarações e acusaram o PSD de atuar como uma espécie de força auxiliar do governo Lula. Caiado rebateu as críticas e classificou a reação de Flávio como um “momento de desespero”.

O episódio evidencia a disputa por espaço entre diferentes candidaturas que buscam atrair o eleitorado de oposição ao governo federal nas eleições de 2026.

Desgaste com Michelle Bolsonaro

As discordâncias dentro do grupo são visíveis e externalizadas. Meses atrás, a ex-primeira-dama e agora candidata ao senado do Distrito Federal, Michelle Bolsonaro manifestou publicamente insatisfação com decisões tomadas dentro do PL e afirmou que, apesar de presidir o PL Mulher, não vinha tendo a participação e a escuta que esperava nas definições da legenda.

As declarações ampliaram o desgaste entre Michelle e Flávio Bolsonaro e expuseram divergências dentro da família Bolsonaro sobre os rumos do partido e da campanha presidencial. O episódio também evidenciou uma disputa por espaço e influência no comando político do bolsonarismo para as eleições de 2026.

O atrito ganhou força justamente no período em que Flávio passou a consolidar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto pelo PL, enquanto Michelle também aparece como um dos principais nomes do grupo político para a disputa eleitoral.

O cenário adiciona uma camada de complexidade à campanha de Flávio: além de enfrentar a concorrência de outros nomes da direita e da centro-direita, o senador precisa administrar divergências dentro do próprio grupo político e da família Bolsonaro.

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