Eleições 2026

Rayssa Lima retira candidatura à Alepa e cita perseguição política contra Zezinho

Nas redes sociais Raissa também falou que a pressão de ser candidata estava prejudicando a sua gravidez

Por Mayra Peniche
21/08/2026 às 10:09 • 5 min

A influenciadora digital e empresária Rayssa Lima anunciou, nesta quinta-feira (20), a retirada de sua candidatura a deputada estadual pelo Pará nas eleições de 2026. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela afirmou que havia entrado na disputa inicialmente como uma alternativa diante da exclusão do marido, o vereador de Belém Zezinho Lima, da relação inicial de candidatos do Partido Liberal (PL) à Assembleia Legislativa do Pará (Alepa).

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Segundo Rayssa, a decisão de disputar a eleição ocorreu em meio à crise política envolvendo o casal e o partido. Ela afirmou que Zezinho estaria sendo alvo de perseguição política e relatou que uma pessoa com influência em Brasília teria atuado para impedir tanto a candidatura do vereador quanto a permanência dela na disputa.

Em seu relato, Rayssa também questionou a tentativa de retirada de sua candidatura e destacou que sua presença na chapa teria importância para o cumprimento da participação feminina exigida pela legislação eleitoral.

“Me tirar seria tirar uma mulher que o partido precisa para bater a cota de mulheres e, além de tudo, uma mulher grávida. Ficaria muito ruim para o partido.”

Candidatura surgiu após exclusão de Zezinho

Rayssa foi apresentada como candidata à Alepa pelo marido no dia 6 de agosto, um dia após a convenção estadual do PL apresentar a relação inicial de candidatos ao Legislativo estadual sem o nome de Zezinho Lima.

Na ocasião, o vereador publicou uma foto ao lado da esposa e afirmou que ela seria a representante do grupo político da família na disputa eleitoral.

“Apesar de toda a perseguição e injustiça, ela está aqui, não apenas para me representar, mas para representar o povo do Pará, principalmente aqueles que são contra as injustiças”, escreveu Zezinho.

Naquele momento, o PL informou à reportagem que a chapa ainda não estava fechada e que o nome de Zezinho poderia ser incluído na relação definitiva encaminhada à Justiça Eleitoral. Os partidos tinham até 15 de agosto para solicitar o registro das candidaturas para as eleições de 2026.

A candidatura de Rayssa, portanto, foi apresentada inicialmente como uma alternativa política diante da situação de Zezinho dentro da legenda. Agora, com a retirada anunciada pela própria influenciadora, o cenário volta a ser alterado dentro do grupo político.

Quem é Rayssa Lima

Sem histórico anterior de atuação política, Rayssa Lima ganhou notoriedade nas redes sociais como influenciadora digital, principalmente pelo conteúdo relacionado ao segmento fitness. Ela também atuou como empresária e manteve um centro de treinamento em Belém.

No início deste ano, anunciou o encerramento das atividades do Centro de Treinamento Raíssa Lima, localizado na Avenida Augusto Montenegro.

Segundo declarações públicas do casal, a decisão de fechar o estabelecimento ocorreu após um ataque a tiros registrado no local em 2025. Zezinho afirmou, na época, que o episódio teria ocorrido após os dois denunciarem um suposto esquema de extorsão conhecido como “taxa do crime”, que seria atribuído a facções criminosas. O caso foi investigado pelas autoridades.

Rayssa também está grávida e mencionou a gestação ao falar sobre a retirada de sua candidatura.

Entenda a crise entre Zezinho Lima e Éder Mauro

A crise que envolve a candidatura de Rayssa ocorre em meio ao conflito político entre Zezinho Lima e o deputado federal Éder Mauro, principal liderança do PL no Pará e candidato ao Senado.

O embate se intensificou em 22 de julho, quando Éder Mauro divulgou vídeos e documentos nos quais acusou Zezinho e o presidente da Câmara Municipal de Belém, John Wayne (MDB), de participarem de uma suposta articulação para produzir conteúdos com acusações falsas contra ele.

Na ocasião, o deputado apresentou comprovantes de transferências via Pix que, segundo sua versão, totalizariam R$ 20 mil. Éder Mauro afirmou que os valores teriam sido destinados a uma ação para prejudicar sua imagem e enfraquecer sua candidatura ao Senado.

Zezinho Lima negou as acusações e reagiu publicamente. O vereador também protocolou uma notícia-crime na Polícia Federal e na Procuradoria-Geral da República (PGR), na qual acusou Éder Mauro de um suposto esquema envolvendo a comercialização de emendas parlamentares. O deputado nega as acusações e afirmou que avaliava medidas judiciais.

O conflito ampliou o racha interno no PL paraense e passou a colocar em dúvida o futuro eleitoral de Zezinho dentro da legenda. Durante a convenção estadual, o nome do vereador não apareceu na lista inicial de candidatos a deputado estadual.

Retirada ocorre em meio à disputa interna

A decisão de Rayssa Lima de deixar a corrida eleitoral acontece, portanto, depois de uma sequência de episódios que envolveu a exclusão inicial de Zezinho da chapa, o lançamento da candidatura da esposa e o acirramento da disputa interna no PL.

Ao anunciar a retirada, Rayssa voltou a citar a suposta perseguição política contra o casal e afirmou que houve uma tentativa de impedir sua permanência na disputa.

As alegações sobre a atuação de uma pessoa com influência em Brasília foram feitas por Rayssa nas redes sociais. Até o momento, no entanto, ela não apresentou publicamente, no relato divulgado, provas que permitam confirmar a identidade dessa pessoa ou sua suposta interferência no processo de definição das candidaturas.

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