Brasil

Professora de 26 anos morre após receber duas altas com diagnóstico de ansiedade

Família afirma que jovem procurou atendimento com dor no peito e falta de ar antes de morrer

Por Felipe Borges
02/09/2026 às 09:51 • 3 min

Foto: Reprodução/ Redes Sociais

A professora de História Giulia Silva de Araújo, de 26 anos, morreu poucas horas após receber alta médica pela segunda vez. O caso aconteceu em 28 de agosto, no Rio de Janeiro, e é investigado pela Polícia Civil.

Giulia procurou o Hospital Municipal Francisco da Silva Telles, em Irajá, por volta das 8h32, com dor no peito. Após ser atendida e passar por exames, recebeu medicação e alta. Segundo a família, os sintomas foram associados a uma crise de ansiedade.

Por volta das 11h14, a professora retornou à unidade porque continuava sentindo dores e apresentava falta de ar. Ela passou por novos exames, incluindo eletrocardiograma, hemograma e radiografia do tórax, permaneceu em observação e foi novamente liberada.

Família relata piora no estado de saúde

A irmã de Giulia, Fabiana Bezerra, afirma que a professora estava em condições graves durante o segundo atendimento. Segundo o relato, ela tinha dificuldade para permanecer sentada por causa da falta de ar e chegou a desmaiar enquanto aguardava atendimento.

Após receber a segunda alta, Giulia voltou para casa, mas apresentou uma piora no quadro. A família decidiu levá-la para outro hospital, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

A professora chegou à unidade em estado grave e sofreu uma parada cardiorrespiratória. A equipe médica realizou procedimentos de emergência, incluindo intubação e manobras de reanimação, mas ela não resistiu.

O atestado de óbito apontou tamponamento cardíaco como causa da morte. A condição ocorre quando há acúmulo de líquido ou sangue ao redor do coração, provocando pressão sobre o órgão.

Hospital afirma que exames não apresentaram alterações

Os boletins de atendimento registraram que Giulia apresentava dor torácica ao respirar. No segundo atendimento, os documentos apontaram saturação de oxigênio de 100% em ar ambiente e ausência de alterações na ausculta cardíaca e pulmonar.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro afirmou que a paciente recebeu atendimento imediato e passou pelos exames previstos nos protocolos para identificação de quadros cardíacos agudos.

Segundo a secretaria, os resultados dos exames, incluindo os dois eletrocardiogramas, hemograma e radiografia do tórax, não apresentaram alterações. Os sinais vitais também estavam dentro dos parâmetros considerados normais.

A direção do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles informou que Giulia foi reavaliada antes da segunda alta e que recebeu medicação e orientações após os atendimentos.

Polícia Civil investiga o caso

A família registrou uma ocorrência e questiona o atendimento recebido pela professora. A 59ª Delegacia de Polícia, em Duque de Caxias, investiga as circunstâncias da morte.

A família aguarda ainda informações complementares sobre a causa da morte e os procedimentos realizados durante o atendimento médico.

Quem era Giulia

Giulia Silva de Araújo era professora de História e tinha 26 anos. Ela era formada pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e trabalhava na Rede Elite de Ensino.

A professora dava aulas nas unidades de Irajá, Bonsucesso e Cachambi. O velório ocorreu em 30 de agosto, no Cemitério Memorial do Rio, em Cordovil.

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