Pará lidera conflitos por água no Brasil e registra 142 casos de violência por terra em 2025 - Estado do Pará Online

Pará lidera conflitos por água no Brasil e registra 142 casos de violência por terra em 2025

Com 21 registros, estado lidera ranking nacional de disputas hídricas; principais afetados são povos indígenas e quilombolas

Indígenas e quilombolas são afetados por conflitos

O estado do Pará consolidou-se, em 2025, como um dos territórios mais críticos para os direitos humanos no campo brasileiro. Segundo o relatório anual da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o estado lidera o ranking nacional de Conflitos pela Água, com 21 ocorrências, e ocupa a segunda posição em Conflitos por Terra, com 142 registros de violência.

Conflitos por terra no Brasil (2016-2025). Fonte: Cedoc/CPT

Pelo segundo ano consecutivo, o Pará é a unidade da federação onde a disputa pelos recursos hídricos é mais intensa. Das 148 ocorrências registradas em todo o país – o menor número da década -, o estado responde por 14% dos casos. As principais vitímas são povos indígenas (42 casos nacionalmente) e quilombolas (24). As mineradoras lideram a lista de violadores no eixo água (34 casos), seguidas por empresários e garimpeiros (26). No Pará, a poluição de rios e a apropriação particular de cursos d’água são os danos mais recorrentes.

Violência no campo

No eixo Terra, o Brasil registrou 1.593 conflitos em 2025. O Pará (142 casos) fica atrás apenas do Maranhão (190). Embora os dados nacionais mostrem uma queda nominal em categorias como pistolagem e invasões, a CPT alerta para o risco de subnotificação devido ao aperfeiçoamento de táticas de intimidação por parte de setores privados. Fazendeiros (515 casos) e empresários (180) continuam sendo os principais agressores. No entanto, houve um crescimento nas violências por omissão e conivência do poder público (224 casos), que incluem a não demarcação de terras e a falta de consulta prévia (Convenção 169 da OIT).

Conflitos por terra por categorias que sofreram ação de violência (2025). Fonte: Cedoc/CPT.

A liderança indígena Alessandra Munduruku, durante o V Congresso Nacional da CPT, denunciou o impacto da “guerra química” e da grilagem: “O mercúrio está contaminando as mulheres e o leite materno. As mulheres têm medo de engravidar porque o rio está sujo e contaminado”.

No Pará, o avanço do “agro-hidro-minero-negócio” é apontado como o motor de um cenário devastador que, apesar da aparente queda nos números absolutos de registros, mantém comunidades tradicionais sob constante estado de sítio.

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