A discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil, incluindo o possível fim da escala 6×1, segue uma tendência já observada em países da América Latina. Nos últimos anos, Colômbia, México e Chile aprovaram reformas para diminuir o tempo de trabalho semanal, geralmente de forma gradual e sem corte de salários.
As mudanças, em geral, estão associadas a contextos de pressão social, transformações políticas e busca por equilíbrio entre produtividade e qualidade de vida dos trabalhadores.
Colômbia
Na Colômbia, a jornada semanal está sendo reduzida de 48 para 42 horas. A medida foi sancionada em 2021, durante o governo do então presidente Iván Duque, a partir de proposta do ex-presidente Álvaro Uribe.
A implementação ocorre de forma gradual e deve ser concluída em julho de 2026. A primeira redução aconteceu em 2023, quando a carga passou para 47 horas semanais.
A mudança ocorreu após um período de forte instabilidade social, com protestos em massa iniciados em 2019. Especialistas apontam que a medida também foi uma resposta às demandas populares por melhores condições de trabalho.
Já no governo de Gustavo Petro, novas reformas ampliaram direitos trabalhistas, incluindo alterações no pagamento de adicional noturno e horas extras.
México
No México, a redução da jornada de 48 para 40 horas semanais foi aprovada em 2025 durante o governo da presidente Claudia Sheinbaum, sucessora de Andrés Manuel López Obrador.
A implementação começará em 2027 e será feita de forma gradual até 2030. A proposta avança em um cenário de alta popularidade do governo e ampla base no Congresso, o que facilitou a aprovação da medida.
Apesar disso, o projeto enfrentou críticas de setores empresariais, que demonstraram preocupação com possíveis impactos econômicos.
Chile
No Chile, a redução da jornada de trabalho foi sancionada em 2023 pelo presidente Gabriel Boric. A lei prevê a diminuição gradual da carga semanal de 45 para 40 horas.
Em 2024, a jornada foi reduzida para 44 horas. Em 2026, caiu para 42 horas, com previsão de atingir as 40 horas semanais em 2028.
Assim como na Colômbia, a mudança chilena está ligada às mobilizações sociais iniciadas em 2019, quando protestos em larga escala pressionaram por reformas estruturais no país.
A proposta contou com apoio popular e foi aprovada com participação de forças políticas progressistas, embora tenha enfrentado resistência de parte do empresariado.
Debate no Brasil
No Brasil, a jornada atual é de 44 horas semanais, estabelecida pela Constituição de 1988. Propostas em análise no Congresso Nacional preveem a redução para 40 ou até 36 horas, além do fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso.
O tema, no entanto, ainda gera divergências entre representantes dos trabalhadores e do setor produtivo, especialmente quanto aos impactos na economia, produtividade e geração de empregos.
A experiência de países latino-americanos reforça que a redução da jornada tem sido adotada de forma gradual e negociada, buscando conciliar desenvolvimento econômico com bem-estar social.
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