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Mazola chega com mudanças no jogo e cobrança sobre o elenco

Novo técnico fala sobre comportamento, elogia trabalho de Júnior Rocha e diz que não aceitará jogador sem postura profissional

Por Kaio Rodrigues
15/09/2026 às 16:35 • 6 min
Mazola chega com mudanças no jogo e cobrança sobre o elenco

Jorge Luís Totti / Paysandu

Mazola Júnior foi apresentado pelo Paysandu nesta terça-feira (15) e deixou claro que a chegada ao clube vai muito além de uma mudança no comando técnico. Em meio à necessidade de reação na Série C, o treinador estabeleceu desde o primeiro dia quais serão as regras para os jogadores que quiserem fazer parte do grupo.

“Eu tenho uma forma de trabalhar. Consigo distinguir bem o jogador da bola, o artista da bola e o profissional da bola. A partir do momento que o cara trabalha comigo, ele tem a regra do jogo já no primeiro dia. E eu não mando recado para ninguém, eu não sou homem de palavra cruzada. A regra do jogo já é passada no primeiro dia.”

O treinador afirmou que algumas situações podem ser negociadas internamente, mas que a postura profissional não está entre elas. Para Mazola, o desempenho do atleta precisa estar diretamente ligado à maneira como ele cuida da própria carreira, principalmente em um momento de decisões.

“Tem algumas situações que você pondera, mas tem algumas situações que você não pode ponderar para o bem do grupo. O extracampo, a mim, não interessa nada. A mim interessa aqui dentro: o que ele (jogador) sabe, do jeito que nós trabalhamos, do jeito que nós pensamos. Se ele não tiver uma atitude profissional, ele não vai fazer parte do meu grupo de trabalho.”

Mazola também explicou que não pretende controlar a vida pessoal dos jogadores, mas espera responsabilidade com aquilo que interfere diretamente no rendimento dentro de campo. O técnico citou alimentação, descanso e consumo de álcool como fatores que podem comprometer a rotina de um atleta.

“Se você é atleta, você sabe que precisa do corpo. Hoje em dia, não dá mais para ser leão só no treino. Tem que ser no treino e no jogo. O cara tem que treinar todo dia no máximo. Se ele não tem uma vida regrada, se ele não se alimenta bem, se ele não descansa bem, se ele consome excesso de álcool, ele não vai conseguir treinar todos os dias. Então, recado dado: quem for profissional, ok. Quem não for, paciência.”

O novo comandante também evitou desmerecer o trabalho de Júnior Rocha, que deixou o Paysandu após conquistar o Campeonato Paraense, a Copa Norte e a Copa Verde. Mazola reconheceu que os resultados recentes não traduzem necessariamente a qualidade do trabalho desenvolvido e afirmou ter respeito pelo antecessor.

“Temos que aprender a separar trabalho bom de resultado bom. Uma coisa é você fazer análise do resultado. Eu passei uma situação parecida no Ituano neste ano. Eu conheço o Júnior Rocha, tenho um respeito enorme por ele. Pensamos futebol diferente, e o que vou tentar fazer é impor o meu pensamento de futebol o mais rápido possível.”

Mazola, no entanto, pretende mudar a maneira de jogar para tentar produzir resultados diferentes na sequência da Série C. Segundo o treinador, a adaptação ao modelo será determinante para definir quem terá espaço na equipe.

“Quem se adaptar mais rápido a isso é quem vai participar dos jogos. Como titular ou opção… A diferença é pensar grande. A gente espera que o grupo se adapte o mais rápido possível para que consiga fazer o que faltou no trabalho do Júnior em resultados na Série C. Não vamos esquecer que ele saiu do Paysandu tricampeão. Então, vamos tentar mudar a forma de jogar para que os resultados sejam diferentes.”

Apesar do momento delicado, Mazola demonstrou confiança no elenco que encontrou no clube. O treinador afirmou que o primeiro contato com os jogadores, já no treinamento desta terça-feira, reforçou a impressão de que há material humano suficiente para buscar a reação no quadrangular.

“Não vamos ser hipócritas e nem cínicos para falar que está tudo bem. Lógico que não. Mas temos ferramentas e já começamos a usá-las desde segunda-feira para que a gente possa tirar, ou voltar a tirar, desses atletas toda a qualidade e conteúdo que eles já mostraram aqui. Tenho certeza absoluta que o material humano que tem, com a estrutura que o Paysandu tem hoje, que não tem a mínima comparação com 2014, vai conseguir alcançar e reverter a situação.”

O treinador, que conquistou o acesso há 12 anos, também revelou que encara o desafio como uma missão de seis jogos. Embora o Paysandu tenha apenas quatro partidas restantes no quadrangular, Mazola trabalha com a possibilidade de avançar à final da Série C e, por isso, aceitou um contrato válido até o fim da competição.

“Para mim, faltam seis jogos. O clube passa por um processo eleitoral no final da temporada. Nada mais justo com o grupo que o contrato fosse feito até então e, respeitando e conhecendo a casa, aceitei vir nesse desafio até o final da Série C de 2026. Depois vamos ver como vão ocorrer as eleições no clube, qual será a minha situação particular, qual será a minha situação profissional e qual será o desejo do clube. O foco é único e exclusivamente em 2026, e eu vim em busca de fazer mais seis jogos.”

A missão começa no domingo (20), contra a Inter de Limeira, na Curuzu. O Paysandu perdeu as duas primeiras partidas do quadrangular, para Brusque e Ferroviária, e precisa reagir imediatamente para continuar vivo na disputa pelo acesso. Mazola sabe da pressão, mas encara o chamado do clube como uma convocação.

“É uma satisfação enorme voltar a esse clube. Estou muito disposto, empolgado e motivado. O Paysandu não me fez um convite, e sim uma convocação. É como eu encaro. E vamos em busca do objetivo, que começa pelo primeiro jogo contra a Inter de Limeira no domingo.”

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