Política

Julgamento de Moraes no STF: entenda em 10 passos como a crise chegou ao plenário

Decisões de André Mendonça, documentos da PF, mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e uma sequência de embates entre ministros levaram o caso à análise do Supremo nesta terça-feira (15)

Por Mayra Peniche
15/09/2026 às 16:06 • 6 min

Foto: Rosinei Coutinho/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) está analizando nesta terça-feira (15) o caso que colocou o ministro Alexandre de Moraes no centro de uma disputa interna da Corte. A sessão é resultado de uma sequência de decisões, documentos da Polícia Federal, mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro e embates entre ministros que se intensificaram ao longo de setembro.

Para entender como o caso chegou ao plenário, o Estado do Pará Online organizou uma linha do tempo com os principais acontecimentos que antecederam o julgamento.

1. O caso Banco Master entra no radar do STF

As investigações envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, passaram a ter novos desdobramentos após a apreensão e análise de materiais pela Polícia Federal.

Entre os documentos analisados pelos investigadores estavam mensagens e informações que fizeram referência ao ministro Alexandre de Moraes.

A partir desse material, surgiram questionamentos sobre possíveis relações entre Vorcaro e integrantes do Supremo.

2. Mensagens de Vorcaro citam Moraes

Durante a análise do conteúdo apreendido pela Polícia Federal, foram encontradas mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro nas quais o nome de Alexandre de Moraes aparece.

O conteúdo passou a integrar a discussão sobre a necessidade de aprofundar ou não as investigações.

A existência das mensagens, porém, não significa, por si só, que Moraes tenha cometido qualquer irregularidade ou crime. O que está em discussão é justamente a necessidade de apurar os fatos.

3. Mendonça pede investigação

O ministro André Mendonça, relator de processos relacionados às investigações do Banco Master, passou a analisar os elementos apresentados no caso.

Diante das informações, Mendonça levou ao Supremo a discussão sobre a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo Alexandre de Moraes.

A medida criou uma situação incomum: um ministro do STF passou a defender a apuração de fatos relacionados a outro integrante da própria Corte.

4. Moraes reage e pede investigação de Mendonça

Alexandre de Moraes reagiu à atuação de Mendonça e também pediu que fossem investigadas possíveis irregularidades atribuídas ao colega.

A partir desse momento, o caso deixou de ser apenas uma discussão sobre os documentos relacionados ao Banco Master e passou a envolver diretamente dois ministros do Supremo.

O episódio aumentou a tensão dentro da Corte e provocou uma série de decisões e manifestações entre os integrantes do tribunal.

5. Fachin entra no caso

Diante do aumento da disputa interna, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, passou a centralizar os procedimentos relacionados ao conflito.

Fachin determinou que ministros, integrantes da Procuradoria-Geral da República e representantes da Polícia Federal prestassem esclarecimentos sobre os fatos.

A atuação buscava organizar os procedimentos e evitar decisões conflitantes entre diferentes integrantes da Corte.

6. Afastamento do diretor-geral da PF

A crise ganhou um novo capítulo quando André Mendonça determinou o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A decisão estava relacionada a questionamentos sobre a atuação da Polícia Federal e documentos utilizados no caso.

A medida provocou reação da União e levou o caso novamente à Presidência do Supremo.

7. Dino derruba decisão

Na sequência, o ministro Flávio Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal.

A decisão entrou em conflito com a determinação anterior de Mendonça e aumentou a tensão entre os ministros.

O episódio fez com que a Presidência do STF voltasse a intervir para organizar os procedimentos e evitar uma sequência de decisões contraditórias.

8. Fachin reorganiza os processos

Na tentativa de organizar os diferentes procedimentos, Edson Fachin passou a reorganizar os processos relacionados ao caso.

Os procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça foram separados.

Fachin também assumiu a condução de parte das questões relacionadas às informações que envolviam Moraes e Daniel Vorcaro.

A mudança alterou a dinâmica do caso e preparou o caminho para que o plenário analisasse a situação de Moraes.

9. Documentos deixam de ser sigilosos

Às vésperas do julgamento, parte dos documentos relacionados ao caso deixou de estar sob sigilo.

A divulgação permitiu que informações sobre as investigações, mensagens e decisões tomadas ao longo do processo passassem a ser conhecidas publicamente.

Com isso, aumentou a pressão sobre o Supremo antes da sessão desta terça-feira.

10. STF chega ao julgamento

Nesta terça-feira (15), o Supremo Tribunal Federal iniciou a análise do caso envolvendo Alexandre de Moraes.

A sessão foi marcada por manifestações dos ministros e novos momentos de tensão dentro do plenário.

Moraes não participa da votação sobre o próprio caso. Outros ministros também ficaram de fora da análise por impedimento ou suspeição.

O que está em discussão não é uma condenação de Alexandre de Moraes, mas a possibilidade de avanço de uma investigação a partir dos elementos apresentados no caso.

Caso a Corte entenda que existem elementos suficientes, a apuração poderá avançar. Se os ministros rejeitarem a possibilidade de investigação, o procedimento não seguirá nos termos propostos.

E André Mendonça?

A situação de André Mendonça foi separada da análise realizada nesta terça-feira.

O ministro também terá sua atuação analisada pelo plenário do STF em uma sessão marcada para 23 de setembro.

Dessa forma, o Supremo terá duas análises distintas relacionadas à crise: primeiro, a situação de Alexandre de Moraes; posteriormente, a atuação de André Mendonça.

O que está em jogo?

Além do conteúdo das mensagens e dos documentos analisados pela Polícia Federal, o julgamento expõe uma discussão mais ampla sobre os limites da atuação individual dos ministros do STF e sobre os mecanismos utilizados quando um integrante da própria Corte passa a ser alvo de questionamentos.

A sessão desta terça-feira representa, portanto, mais um capítulo de uma crise que começou com as investigações relacionadas ao Banco Master e chegou ao plenário do Supremo após uma sequência de decisões envolvendo ministros, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República.

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