Helder Barbalho vice de Lula? O cenário que poderia mudar as eleições de 2026 no Pará - Estado do Pará Online

Helder Barbalho vice de Lula? O cenário que poderia mudar as eleições de 2026 no Pará

Uma linha tênue divide opiniões de teses, especulações de narrativas e até de fake news. Nessa gororoba de versões fomenta-se debates nos bastidores políticos e partidários, onde cenários futurísticos são imaginados e propagados. Porém, o jogo está sendo minuciosamente planejado e as estratégias do principais jogadores nestas eleições do Pará ainda são uma icógnita, mesmo com planos traçados e em plena execução. O problema é compreendê-los para saber interpretá-los.

Lula cochicha no ouvido do Lula
Lula e Helder. (Foto: Fernando Bizerra/EFE)

A política é dinâmica e, muitas vezes, alimentada por hipóteses que começam como especulação e terminam transformando-se em realidade. Nas últimas semanas, um jornalista paraense levantou a possibilidade de o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), surgir como opção para ocupar a vaga de vice-presidente na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026.

A tese chama atenção porque Helder reúne características valorizadas em uma composição nacional: é governador de um estado estratégico para a agenda ambiental, ganhou projeção internacional com a preparação da COP30 e além do destaque que mantém entre os caciques do MDB nacional, segue em diálogo profícuo com diferentes setores políticos locais e nacionais. Mas a pergunta que se impõe é: existe realmente espaço para essa movimentação?

Durante meses, essa hipótese foi discutida nos bastidores políticos e partidários. Entretanto, o cenário mudou significativamente após o próprio presidente Lula confirmar publicamente que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) permaneceria como seu companheiro de chapa na tentativa de reeleição em 2026.

O fator Alckmin

Agora, a hipótese de Alckmin vir concorrer a uma vaga no senado pelo estado de SP passou a correr os corredores de Brasília.

Do ponto de vista legal, nada impediria o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, de disputar uma vaga ao Senado por São Paulo. A legislação eleitoral permite que um vice-presidente concorra a outro cargo eletivo.

Neste aspecto a Justiça Eleitoral exige apenas que o candidato comprove a desincompatibilização formal e de fato de outros cargos que exijam o afastamento, o que foi feito pelo vice-presidente ao deixar o Ministério do Desenvolvimento.

Da mesma forma, o vice que assume o Poder Executivo por um curto período, em caráter de substituição ou sucessão temporária nos seis meses anteriores ao pleito, não sofre inelegibilidade superveniente nem perde o direito de concorrer.

Na prática, significa que a política e o cenário não estão imunes a reviravoltas, e que, neste momento, a permanência de Alckmin apenas pareça ser uma opção consolidada dentro da estratégia eleitoral do Palácio do Planalto.

Helder continua favorito ao Senado

Enquanto as especulações nacionais ganham espaço, os números da corrida ao Senado no Pará mostram um cenário bastante claro. Levantamentos divulgados nos últimos meses colocam Helder Barbalho na liderança isolada para as duas vagas que estarão em disputa em 2026. Em algumas simulações, o governador supera a marca de 50% das intenções de voto, aparecendo muito à frente dos demais concorrentes, correndo o risco efetivo de ser o “fiel da balança” inclusive na definição do ocupante da segunda vaga.

Essa condição faz com que Helder seja visto como um dos candidatos mais competitivos do país para o Senado e um personagem com a musculatura política para definir a eleição presidencial logo no primeiro turno. Sua eventual saída da disputa ao senado provocaria um verdadeiro rearranjo político no estado.

Quem ganharia com a saída de Helder?

Caso cenário se concretizasse e Helder fosse chamado para compor uma chapa presidencial, a principal consequência seria a abertura de um enorme espaço eleitoral no Pará para seus aliados.

Hoje, parte significativa dos votos destinados ao governador não está vinculada necessariamente a uma ideologia específica, mas ao capital político construído ao longo de dois mandatos no governo estadual e uma história vinculada ao espaço ocupado ainda hoje pelo senador Jader Barbalho e pela deputada federal Elcione Barbalho, ambos do MDB, assim como o irmão, Jader Filho, que deixou o poderoso ministério das Cidades para disputar uma das 17 vagas de deputado federal, em sua primeira eleição a cargo público de sua história. Sem seu nome na urna para senador, esse eleitorado precisaria ser redistribuído.

Os primeiros beneficiados poderiam ser nomes que já aparecem competitivos nas pesquisas:

  • Celso Sabino (PDT), aliado do governo federal e figura de destaque na política paraense e pertencente ao seu espectro político;
  • Chicão (PSDB), candidato oficial do ex-governador, presidente da ALEPA e correligionário histórico da família;

Noutro aspecto, caso a capilaridade de seus aliados não seja capaz de abarcar a densidade eleitoral de Helder, por uma ordem imperativa do processo, considerando que voto não sobra, sobraria para seus opositores a parte flutuante desses eleitores, cenário que aparece de forma consolidada em algumas regiões:

  • Éder Mauro (PL), que aparece consistentemente entre os primeiros colocados nos levantamentos;
  • Zequinha Marinho (PODE), que tentará renovar o mandato;
  • Paulo Rocha (PT), que também aparece em alguns cenários pesquisados.

Além deles, nomes do próprio grupo governista poderiam ser impulsionados por uma eventual transferência de apoio do governador, fenômeno historicamente relevante na política paraense.

O desafio para a manutenção da hegeonia do MDB

A eventual ida de Helder para uma chapa presidencial também criaria um problema estratégico para o MDB no Pará.

Hoje, a candidatura ao Senado é vista como um caminho natural para a continuidade da influência política do ex-governador paraense, após o término de seu segundo mandato. Ao abrir mão dessa disputa, o partido precisaria reorganizar suas prioridades e encontrar outro nome capaz de ocupar o espaço eleitoral deixado por sua principal liderança estadual.

Mais do que uma questão eleitoral, seria uma redefinição do projeto político do grupo liderado pelos Barbalho para os próximos anos.

Entre a especulação e a realidade

Na política, cenários hipotéticos nunca podem ser descartados completamente. Contudo, os fatos disponíveis hoje apontam em outra direção.

Lula já declarou que pretende repetir a chapa com Geraldo Alckmin. Ao mesmo tempo, Helder Barbalho lidera com ampla vantagem as pesquisas para o Senado no Pará e aparece em posição privilegiada para conquistar uma das vagas em disputa.

Por isso, a possibilidade de Helder trocar uma candidatura praticamente consolidada ao Senado por uma vaga de vice-presidente permanece, neste momento, mais próxima do campo das especulações políticas do que das articulações efetivamente em curso.

Mas, como a história eleitoral brasileira costuma demonstrar, ainda há muitos capítulos a serem escritos até outubro de 2026. ainda há muitos capítulos a serem escritos até outubro de 2026.

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