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“Clareoooou”: viral chama atenção para vitiligo em animais; entenda a condição

Vídeo do gato Fumaça conquistou milhões de visualizações e despertou a curiosidade sobre uma condição rara em pets; o EPOL conversou com uma especialista para explicar como a condição se manifesta, quais os cuidados necessários e quando é preciso procurar um veterinário.

Por Júlia Ramos
17/07/2026 às 18:32 • 4 min

Um vídeo publicado pela criadora de conteúdo Kauanee Stephanie, conhecida como Kakau, viralizou nas redes sociais ao mostrar a transformação do gato Fumaça, que passou a apresentar manchas brancas na pelagem por causa do vitiligo. Embalado pela trend “E quando menos esperar, clareou…”, ao som de “Clareou” o registro despertou a curiosidade dos internautas e levou muitos tutores a buscarem informações sobre a condição, considerada rara em animais domésticos e ainda menos frequente em gatos.

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História do gato Fumaça

Adotado como presente de aniversário, Fumaça era a realização do sonho de Kakau de ter um gato preto, que faria companhia ao cachorro preto da família. Cerca de um ano depois, ela percebeu uma pequena mancha rosa no nariz do felino e decidiu investigar.

“Descobrimos porque ele apareceu com uma manchinha rosa no nariz. Aí fomos investigar. Duas veterinárias diferentes avaliaram e veio o resultado”, contou Kakau.

O diagnóstico confirmou o vitiligo. Em outro relato publicado nas redes sociais, a influenciadora explicou que a primeira reação foi procurar outros casos semelhantes na internet. “E não, isso não afeta a saúde dele. Inclusive, ele é mais ativo do que muitos outros gatos”, afirmou.

Além de viralizar, a publicação acabou ajudando outros tutores a identificarem sinais parecidos em seus próprios animais. “Eu recebi vários tutores falando que desconfiavam que os pets deles também tinham”, relatou Kakau ao EPOL. Apesar disso, especialistas alertam que somente um médico veterinário pode confirmar o diagnóstico, já que outras doenças apresentam sintomas semelhantes.

Especialista explica a condição

Segundo a médica veterinária Tamires Viana, especialista em dermatologia e otologia de cães e gatos, o vitiligo é uma doença rara nos animais de estimação e ainda menos frequente em felinos. “Os tutores devem ficar atentos à perda progressiva da pigmentação da pele e dos pelos. Não tem dor e nem prurido (coceira). As áreas mais afetadas são boca (lábios), plano nasal, pelos ao redor dos olhos e boca, além dos coxins”, explicou ao EPOL.

A veterinária ressalta que o diagnóstico deve ser realizado por um profissional, preferencialmente com atendimento dermatológico.

“É muito importante procurar um atendimento dermatológico para chegar a um diagnóstico. Outras doenças mais comuns têm sintomas parecidos, como lúpus eritematoso discoide, pênfigo, leishmaniose e dermatites inflamatórias”, ressalta a veterinária.

Quando necessário, exames complementares, como a biópsia de pele (exame histopatológico), podem ser solicitados para descartar outras enfermidades.

Embora seja uma condição de origem genética e autoimune, causada pela destruição dos melanócitos (células responsáveis pela produção da melanina), o vitiligo não é contagioso e costuma provocar apenas alterações estéticas.

“Não provoca dor e nem coceira, sendo considerada uma alteração estética. Não existe um tratamento comprovado, mas são usadas vitaminas, ômegas e imunomoduladores tópicos para controlar a atividade imunológica, já que o vitiligo é uma doença de origem autoimune. Em alguns casos, isso pode favorecer a repigmentação”, explicou Tamires.

Mesmo sem comprometer a qualidade de vida, alguns cuidados são recomendados. “Eles têm uma vida normal, sem nenhum desconforto. Porém, é indicado evitar exposição solar excessiva, usar protetor solar nas áreas mais sensíveis e manter consultas periódicas para acompanhamento e para descartar a possibilidade de outras doenças que cursam com os mesmos sintomas”, orientou a especialista.

Outros exemplos de animais com vitiligo

Além de poder ocorrer em animais domésticos, com predisposição descrita em cães de raças como Rottweiler e em gatos siameses, além de já ter sido registrado em espécies silvestres, como zebras, girafas e pumas.

Nas redes sociais, outro caso conhecido é o da gata Elli, que reúne mais de 98 mil seguidores em um perfil dedicado à sua rotina. A tutora apresenta a felina como um exemplo de “frajola versus vitiligo – presente da natureza”, em tradução livre, mostrando a evolução da despigmentação ao longo dos anos.

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