Política

“Meu filho nunca prestou serviço ao banco”, diz Nunes Marques ao declarar impedimento no julgamento do caso Master

Ministro afirmou que nunca julgou processo relacionado ao banco e negou que o filho tenha prestado serviços ou recebido pagamentos da instituição; Fachin delimitou julgamento à validade e ao prosseguimento da investigação

Por Daniel Vinagre
15/09/2026 às 11:36 • 3 min

Foto: Nelson Jr./STF

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou-se impedido de participar do julgamento da PET 16662 nesta terça-feira (15), após fazer um pronunciamento no Plenário para negar qualquer relação com o Banco Master. A manifestação ocorreu depois de o presidente da Corte, Edson Fachin, concluir a leitura do relatório e abrir espaço para que ministros eventualmente impedidos ou suspeitos de participar do julgamento se manifestassem.

Nunes Marques afirmou que nunca julgou processo relacionado ao Banco Master e negou que seu filho tenha prestado serviços ou recebido pagamentos da instituição.

“Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco”, afirmou.

O ministro também disse que nunca trocou mensagens com Daniel Vorcaro e sustentou que sua atuação em processos relacionados ao empresário demonstra sua independência.

“Se eu me sentisse desconfortável ou cooptado de alguma forma, jamais teria votado pela confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, do seu pai e de outras pessoas envolvidas”, declarou.

A manifestação ocorre após a divulgação de mensagens extraídas do celular de Vorcaro que citam Kevin Marques, filho do ministro, ao lado de uma referência a R$ 500 mil mensais. Nunes Marques negou que o filho tenha recebido recursos do Banco Master.

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Fachin limita alcance do julgamento

Antes da manifestação de Nunes Marques, Fachin delimitou o objeto da sessão e ressaltou que o Plenário não está analisando, neste momento, eventual responsabilidade criminal de Alexandre de Moraes. Segundo o presidente do STF, o julgamento deve decidir se autoriza ou não o prosseguimento da investigação e analisar a alegação de nulidade apresentada pela Procuradoria Geral da República.

“Não é, nesse momento, qualquer juízo acerca de possível responsabilidade penal de autoridade investigada”, afirmou Fachin.

Durante o relatório, o presidente da Corte também apresentou os argumentos entregues por Moraes ao Supremo. O ministro pediu a nulidade do relatório da Polícia Federal e a extinção da PET 16662.

Entre os argumentos apresentados, Moraes sustenta que a investigação foi direcionada contra ele, questiona a cadeia de custódia do material analisado pela PF e afirma que o documento policial é baseado majoritariamente em inferências.

Moraes também afirmou que jamais julgou processo envolvendo Daniel Vorcaro ou o Banco Master e negou ter recebido informações vazadas que pudessem prejudicar operações policiais.

A sessão extraordinária começou às 10h40.

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