Política

Gilmar Mendes acusa André Mendonça de esperar período eleitoral para relatório e diz: “Não tentem envolver o Supremo nas eleições”

Decano também questionou retirada de sigilo e vazamentos de informações; André Mendonça afirmou que todos os episódios estão sendo investigados pela Polícia Federal

Por Daniel Vinagre
15/09/2026 às 12:59 • 3 min

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, fez duras críticas à condução de André Mendonça nas investigações que resultaram na PET 16662 e acusou o colega de ter aguardado a proximidade das eleições para determinar a produção do relatório envolvendo Alexandre de Moraes. Segundo Gilmar, as informações utilizadas pela investigação já estavam disponíveis havia meses, mas a elaboração do documento teria sido determinada apenas durante o período eleitoral.

“Apesar de todas essas informações já estarem em posse desde o início de março, o relator aguardou a chegada do período eleitoral para encomendar o relatório”, afirmou.

O ministro também criticou a decisão de retirar o sigilo do documento antes de uma manifestação definitiva do Plenário. Na avaliação de Gilmar, a medida poderia criar pressão pública sobre os demais integrantes da Corte.

“Monocraticamente levantou o sigilo do relatório a fim de constranger qualquer posição contrária à sua atuação”, declarou.

Durante a manifestação, Gilmar relacionou diretamente o episódio ao ambiente das eleições de 2026 e fez um alerta contra tentativas de inserir o Supremo na disputa eleitoral.

“Não tentem envolver o Supremo nas eleições”, afirmou.

Segundo ele, o STF deve seguir seu funcionamento institucional enquanto o processo eleitoral transcorre de forma independente. Gilmar também utilizou a expressão “aprendiz de feiticeiro” ao criticar iniciativas que, segundo sua avaliação, poderiam arrastar o Tribunal para disputas políticas e produzir consequências fora do controle de seus autores.

Veja:

Ver esse post no Instagram

Um post compartilhado por Estado do Pará Online – EPOL (@estadodoparaonline)

Gilmar questiona origem de vazamentos

Outro ponto levantado pelo decano foi a divulgação de informações sigilosas relacionadas às investigações. Gilmar questionou de onde estariam partindo os vazamentos e citou diferentes possibilidades, como a Polícia Federal, o gabinete de André Mendonça e estruturas administrativas do próprio Supremo.

“Quem é que vaza? É a Polícia Federal? É o gabinete do André? É a Secretaria do Supremo?”, questionou.

André Mendonça respondeu imediatamente e afirmou que os episódios já estão sendo apurados.

“Todos os vazamentos têm determinação de instauração de inquérito, que estão sendo conduzidos pela própria Polícia Federal”, disse.

A manifestação de Gilmar ocorre após Alexandre de Moraes também fazer acusações contra Mendonça durante a sessão. Moraes classificou como “fraudulenta” a investigação produzida contra ele e afirmou possuir testemunhas sobre a condução das apurações, o que foi contestado diretamente por Mendonça.

Leia também:

WhatsApp