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De tatuagem a idade: novas regras facilitam a doação de sangue no Brasil

Prazos para doação após tatuagens, procedimentos estéticos e endoscopia serão reduzidos; confira

Por Sarah Carvalho
13/08/2026 às 08:33 • 4 min
Pessoa doando sangue

Foto Divulgação

Novas regras para doação de sangue no Brasil entram em vigor a partir de outubro de 2026. As mudanças foram estabelecidas pelo Ministério da Saúde e alteram os períodos de espera para pessoas que passaram por determinados procedimentos, além de ampliar a possibilidade de doação para idosos com mais de 70 anos.

As novas normas estão previstas na Portaria GM/MS nº 11.685/2026, publicada em 3 de julho. Segundo o Ministério da Saúde, a atualização busca reforçar a segurança das transfusões, a rastreabilidade do sangue e adequar os serviços de hemoterapia aos avanços laboratoriais e ao cenário epidemiológico atual.

Tatuagens e procedimentos estéticos

Uma das principais mudanças envolve pessoas que fizeram tatuagem, maquiagem definitiva ou procedimentos estéticos, como aplicação de botox, preenchimento e microagulhamento.

Com a nova regra, a doação poderá ser realizada sete dias após o procedimento, desde que seja possível comprovar que o local onde ele foi realizado segue as normas de segurança sanitária.

Quando não for possível avaliar as condições de segurança do estabelecimento, o prazo para doar sangue será de quatro meses.

Para pessoas que possuem piercing na boca ou na região genital, a doação poderá ser feita quatro meses após a retirada do acessório.

Endoscopia e uso de anabolizantes

O período de espera também será reduzido para quem passou por endoscopia ou utilizou anabolizantes sem prescrição médica.

Atualmente, nesses casos, o prazo é de seis meses. Com a nova regulamentação, o intervalo passa para quatro meses.

Pessoas expostas à malária terão prazo menor

Outra mudança está relacionada à prevenção da transmissão da malária por meio das transfusões.

O Ministério da Saúde destaca a adoção do NAT Plus, exame desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz capaz de detectar HIV, hepatites B e C e também o parasita causador da malária em bolsas e amostras de sangue.

Com a nova triagem, pessoas que estiveram em áreas consideradas de risco ou tiveram exposição a regiões de mata, bosque ou floresta poderão doar sangue 30 dias depois, desde que estejam aptas na avaliação clínica. Atualmente, em determinadas situações, o período de espera pode chegar a um ano.

Sangue terá identificação internacional

As bolsas e amostras de sangue também passarão a utilizar o padrão internacional ISBT 128, que permite acompanhar o material em diferentes etapas, desde a coleta e transfusão até o envio do plasma para a produção de medicamentos.

A medida busca ampliar a rastreabilidade e reduzir o risco de erros de identificação.

Plaquetas poderão ser armazenadas por mais tempo

A validade dos concentrados de plaquetas também será ampliada. O prazo passará de cinco para até sete dias.

Segundo o Ministério da Saúde, a mudança poderá aumentar a disponibilidade desse componente para pacientes que precisam de transfusões frequentes, incluindo pessoas com câncer e doenças hematológicas.

Doadores com mais de 70 anos

A nova regulamentação também altera a idade máxima para doação.

Doadores regulares poderão continuar doando após completar 70 anos, desde que estejam saudáveis, respeitem os intervalos de doação correspondentes à faixa etária e sejam considerados aptos durante a avaliação clínica realizada pelo serviço de hemoterapia.

Quem pode doar sangue?

De acordo com os critérios informados pelo Ministério da Saúde, para doar é necessário:

  • Ter pelo menos 18 anos. Adolescentes de 16 e 17 anos podem doar mediante consentimento formal do responsável legal;
  • Apresentar documento de identificação com foto, inclusive documentos digitais;
  • Pesar no mínimo 50 kg;
  • Ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas;
  • Estar alimentado;
  • Evitar alimentos gordurosos nas três horas anteriores à doação;
  • Caso a doação ocorra após o almoço, aguardar duas horas.

Para realizar a doação, o interessado deve procurar o hemocentro mais próximo e verificar os horários de atendimento. Antes da coleta, o candidato passa por uma triagem clínica, que avaliará se ele está apto a doar com segurança.

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