Eleições 2026

Veja como foi a entrevista de Breno Guimarães, candidato do Mobiliza ao Senado pelo Pará, na TVC

Candidato pelo Mobiliza é o primeiro entrevistado da série de sabatinas da TVC com os candidatos ao Senado e apresenta propostas, trajetória política e posicionamentos para a disputa de 2026.

Por Mayra Peniche
09/09/2026 às 19:43 • 8 min

Foto: Pauly Paes/Epol

O candidato ao Senado pelo Mobiliza, Breno Guimarães, participou nesta quarta-feira (9) da sabatina promovida pela TVC Pará com os candidatos que disputam uma das duas vagas do Pará no Senado Federal nas eleições de 2026. Durante os 20 minutos de entrevista, o candidato apresentou propostas para áreas como segurança pública, regularização fundiária, meio ambiente, saúde, educação e infraestrutura, além de defender uma atuação mais próxima do governo federal nas demandas do estado.

Sem experiência em cargos eletivos, Breno tem trajetória ligada à área acadêmica e se apresenta como professor. Na entrevista, afirmou que pretende levar ao Senado uma atuação voltada principalmente à cobrança por maior presença dos órgãos federais no Pará e à articulação entre União, estado e municípios.

Segurança pública

Ao falar sobre violência contra a mulher, Breno defendeu mudanças na forma como o atendimento às vítimas ocorre após a denúncia. Para ele, a realização da audiência de custódia e a concentração de diferentes órgãos no mesmo momento poderiam acelerar a adoção de medidas protetivas.

“Eu acredito que isso daria muito mais vazão se ocorrer o fato, se leva à delegacia e já se tem toda essa equipe: promotor, juiz, oficial de justiça, polícia, para ali logo já dar uma medida protetiva e fazer o encaminhamento necessário”, afirmou.

Na discussão sobre segurança pública de forma mais ampla, o candidato defendeu o aumento da presença da Polícia Federal no estado. Segundo Breno, o tamanho territorial do Pará e a existência de problemas relacionados a crimes ambientais, grilagem e conflitos envolvendo terras indígenas exigem uma atuação federal mais estruturada.

Ele também citou a Força Nacional como uma estrutura que poderia ser mais utilizada. Para Breno, o Pará precisa de maior participação da União no enfrentamento aos problemas de segurança.

Regularização fundiária

A questão fundiária também foi apontada como um dos principais problemas estruturais do Pará. Breno defendeu uma atuação conjunta entre órgãos federais e estaduais, citando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto de Terras do Pará (Iterpa).

O candidato afirmou que o estado enfrenta problemas históricos relacionados à definição e à regularização de áreas públicas e privadas e citou municípios da região da Transamazônica que, segundo ele, ainda enfrentam dificuldades relacionadas à titulação de terras.

“Nós temos municípios da região da Transamazônica que até hoje não têm os títulos da sede do município”, disse.

Para Breno, a falta de regularização gera insegurança jurídica e dificulta a produção rural. Ele defendeu que deputados federais e senadores atuem na cobrança por uma solução junto aos órgãos responsáveis.

Meio ambiente e desenvolvimento

Ao tratar da agenda ambiental, Breno defendeu que a preservação da Amazônia seja conciliada com o desenvolvimento econômico. Uma das propostas apresentadas foi a criação de uma Polícia Federal Ambiental, que, segundo ele, teria como função reforçar a fiscalização e a proteção de áreas ambientais.

“Tem que ter uma criação de uma Polícia Federal Ambiental”, afirmou.

Durante a entrevista, o candidato também criticou a atuação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em ações de fiscalização ambiental. Segundo Breno, integrantes do setor produtivo questionam a forma como algumas operações são realizadas em regiões de atividade econômica.

Breno defendeu que uma Polícia Federal Ambiental teria participação nessas operações e afirmou que a estrutura poderia reforçar a atuação federal na fiscalização ambiental.

O candidato também defendeu uma maior integração entre os órgãos responsáveis pela regularização e fiscalização ambiental e fundiária. Na avaliação dele, áreas já degradadas e consolidadas poderiam receber atividades produtivas sustentáveis, respeitando a vocação econômica de cada região.

Como exemplo, citou Medicilândia, no sudoeste do Pará, conhecida pela produção de cacau. Para o candidato, o estado poderia investir na verticalização dessa cadeia produtiva e ampliar a participação paraense nas exportações.

Saúde

Na saúde, Breno defendeu a descentralização dos serviços para reduzir a concentração de atendimentos especializados em Belém e na Região Metropolitana.

Entre as propostas apresentadas estão a ampliação de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e a utilização de estruturas adaptadas para atender comunidades ribeirinhas.

O candidato citou municípios e regiões distantes dos grandes centros, como Altamira, Castelo dos Sonhos e o Marajó, para exemplificar as dificuldades de deslocamento enfrentadas pela população.

Segundo ele, em comunidades ribeirinhas, lanchas poderiam ser utilizadas no atendimento do SAMU para reduzir o tempo de deslocamento até unidades de saúde.

Breno também falou sobre a gestão de hospitais públicos por Organizações Sociais, as chamadas OSs. Ele afirmou que o modelo pode continuar sendo utilizado, mas defendeu mudanças nos critérios de funcionamento e fiscalização.

“O que eu defendo é que haja uma melhor qualidade dos serviços públicos de saúde, uma maior eficiência e que esse modelo até pode ser adotado, mas ele tem que ser revisto com relação a esse aspecto da eficiência do serviço”, declarou.

Na avaliação do candidato, os contratos precisam estabelecer metas e vincular o repasse de recursos ao cumprimento dos resultados previstos.

Educação e mercado de trabalho

Professor, Breno também apresentou propostas para a educação pública. Para ele, um dos principais problemas está na dificuldade de conexão entre a formação dos jovens e o mercado de trabalho.

O candidato defendeu a criação de infocentros em médias e grandes cidades do Pará, com computadores, tablets e acesso à internet. A ideia seria utilizar recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST) para ampliar a conectividade e oferecer formação relacionada às demandas econômicas de cada região.

A proposta, segundo Breno, é identificar as principais atividades econômicas de cada localidade, como mineração e turismo, e direcionar a formação dos jovens para essas áreas.

Ele também citou o Instituto Federal do Pará (IFPA) como possível parceiro para a implementação dos espaços.

“Porque de nada vai adiantar ter vários conhecimentos e ali, ao término, a pessoa pegar um diploma e não conseguir ter inserção no mercado de trabalho”, afirmou.

Infraestrutura e logística

Na área de infraestrutura, Breno criticou as condições de rodovias e pontes federais e defendeu mais investimentos da União no Pará.

Ele citou a situação de Marabá, onde, segundo o candidato, há problemas em pontes utilizadas pela população enquanto estruturas voltadas ao transporte da produção mineral recebem investimentos.

Breno também mencionou problemas em pontes na região entre Palestina do Pará e Araguatins, na divisa com Tocantins, e as condições da Transamazônica durante o período do inverno amazônico.

Para ele, o investimento em infraestrutura precisa considerar não apenas o transporte de cargas, mas também a segurança dos moradores e a integração do Pará com outras regiões do país.

“Então é preciso ver todos esses corredores, as regiões onde são rodovias federais, maior investimento, buscar por recurso, para que haja, além da segurança do próprio cidadão paraense, seja um corredor logístico para escoar toda a nossa produção, interligar o estado do Pará ao Brasil”, disse.

Críticas aos pedágios

Questionado sobre os pedágios implantados no Pará, Breno criticou a cobrança quando, segundo ele, a rodovia continua apresentando problemas de conservação.

Ele citou a PA-150 como exemplo e ressaltou que a rodovia é estadual. Na avaliação do candidato, o governo deveria discutir alternativas de gestão e manutenção antes de transferir custos ao usuário.

“O pedágio eu passei recentemente, como eu falei, fazendo a campanha, até antes da campanha. É um absurdo você entrar numa praça de pedágio, pagar um valor e logo em seguida você pegar uma estrada toda arremendada, toda esburacada”, afirmou.

Ao final da entrevista, Breno agradeceu a oportunidade e utilizou o espaço reservado às considerações finais para falar diretamente com os eleitores.

A sabatina com Breno Guimarães abriu a série de entrevistas da TVC com os candidatos ao Senado pelo Pará. A iniciativa busca apresentar ao eleitor as propostas, trajetórias e posicionamentos dos nomes que estarão na disputa pelas duas vagas destinadas ao estado no Senado Federal.

A entrevista completa você assiste no canal do YouTube da TVC Pará

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