Relatório aponta três mortes sem atendimento especializado e confirma falta de neurocirurgiões no PSM da 14, em Belém - Estado do Pará Online

Relatório aponta três mortes sem atendimento especializado e confirma falta de neurocirurgiões no PSM da 14, em Belém

Vistoria do CRM-PA identificou irregularidades graves no Hospital Pronto-Socorro Mário Pinotti, a falta de neurocirurgiões desde o dia 13 de março e cobrou medidas urgentes.

Fotos mostram a situação da "sala vermelha" no PSM da 14, em Belém.
Divulgação/CRM

Uma fiscalização realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) no Hospital Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, conhecido como PSM da 14, em Belém, apontou problemas considerados graves na unidade. Entre as principais irregularidades está a ausência total de neurocirurgião de plantão, situação que, segundo o órgão, ocorre desde 13 de março.

De acordo com o relatório, ao menos três pacientes morreram no período sem receber atendimento neurocirúrgico ou avaliação especializada. Entre as vítimas estaria um adolescente. A Prefeitura de Belém informou que pacientes com necessidade desse tipo de atendimento vêm sendo encaminhados para outras unidades de saúde após a interrupção do serviço no hospital.

A vistoria foi realizada no dia 17 de abril, a pedido da Defensoria Pública do Pará, e constatou que não houve avanços em relação a inspeções anteriores feitas em 2025. O caso motivou uma reunião convocada pelo Ministério Público Federal (MPF), que reuniria representantes do CRM, Defensoria Pública da União e Defensoria Pública do Estado, mas o encontro acabou adiado.

O relatório destaca que pacientes com traumatismo craniano, AVC hemorrágico e trauma raquimedular continuam chegando à sala vermelha sem possibilidade de avaliação por especialista. Na ausência de neurocirurgiões, casos graves são regulados para hospitais particulares conveniados, como Ordem Terceira e Beneficente Portuguesa, porém a transferência enfrenta dificuldades por falta de leitos de UTI.

Na UTI adulta, três pacientes aguardavam avaliação neurocirúrgica no dia da inspeção. Um deles apresentava suspeita de sangramento cerebral havia dez dias. Outro precisava de procedimento emergencial para hidrocefalia aguda, sem previsão de atendimento.

Além da falta de especialistas, o CRM apontou que o hospital não possui diretor técnico médico formalmente registrado junto ao conselho e opera com situação cadastral irregular. Também foram identificadas ausências de comissões obrigatórias, como Comissão de Ética Médica, Comissão de Revisão de Óbitos e Comissão de Revisão de Prontuários.

A vistoria ainda relatou problemas estruturais em diversos setores. Na sala vermelha, colchões inadequados e equipamentos enferrujados. Na sala amarela, metade dos leitos seria composta por macas improvisadas. O repouso médico foi descrito como precário. Na ortopedia, faltariam materiais cirúrgicos e aparelho portátil de raio-x. Já a pediatria apresentaria superlotação, mobiliário deteriorado e carência de insumos.

Entre as recomendações urgentes feitas pelo CRM-PA estão a contratação imediata de neurocirurgiões para plantão presencial, reforma da estrutura física, aquisição de equipamentos e regularização administrativa da unidade.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Belém e com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) e aguarda um posicionamento.

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