Cidades

Projeto Pipas leva ações sobre segurança elétrica a escolas de quatro municípios do Pará

Programação ocorre após o Pará registrar 994 interrupções de energia causadas por pipas entre janeiro e abril deste ano

Por Elielson Almeida
10/08/2026 às 17:00 • 4 min

Pipas provocaram quase mil interrupções no fornecimento de energia no Pará nos primeiros quatro meses de 2026. (Foto: Divulgação)

Empinar pipa faz parte da infância de muitas crianças paraenses, mas a brincadeira pode provocar acidentes graves quando realizada próxima à rede elétrica. Para reforçar os cuidados durante o período de maior prática da atividade, o Projeto Pipas promove, a partir desta segunda-feira (10), ações educativas em escolas públicas de Belém, Barcarena, Altamira e Marabá.

A programação reúne gincanas, teatro de bonecos, oficinas de confecção de pipas e atividades interativas para ensinar crianças e adolescentes a identificar situações de risco. As ações serão realizadas ao longo de agosto e também abordam cuidados com a energia elétrica dentro de casa.

A iniciativa ocorre em um cenário de alerta para os impactos das pipas sobre o fornecimento de energia no Pará. Segundo a Equatorial Pará, foram registradas 994 interrupções na rede elétrica provocadas por pipas entre janeiro e abril de 2026. O número representa uma média de aproximadamente oito ocorrências por dia e é 13% maior que o registrado no mesmo período de 2025.

As interrupções podem atingir residências, comércios, escolas, unidades de saúde e outros serviços essenciais. Além dos desligamentos, o contato de pipas e linhas com a fiação pode provocar curtos-circuitos e representar risco de choque elétrico para quem tenta retirar os objetos presos nos cabos.

A orientação é que a brincadeira aconteça somente em locais abertos e afastados de postes, fios, subestações e outros equipamentos elétricos. Também é recomendado evitar empinar pipas durante chuvas e tempestades. Caso a pipa fique presa na rede, a orientação é não tentar recuperá-la e acionar a distribuidora de energia.

O projeto também alerta para os riscos do cerol e da linha chilena, que podem provocar acidentes graves envolvendo pedestres, ciclistas e motociclistas.

“Ao tocar na rede elétrica, a linha ou a pipa podem provocar curtos-circuitos e desligamentos que afetam milhares de pessoas. Além disso, tentar retirar uma pipa presa na fiação é extremamente perigoso”, explica Elton Lucena, executivo de Segurança da Equatorial.

Quase 8 mil crianças já participaram

Nas edições realizadas em 2024 e 2025, o Projeto Pipas alcançou cerca de 8 mil crianças em diferentes municípios paraenses. A proposta é transformar uma brincadeira tradicional em uma oportunidade de aprendizado sobre prevenção de acidentes.

Durante as atividades, os estudantes também aprendem sobre materiais adequados para a confecção das pipas e os locais mais seguros para empiná-las. A ideia é que o conhecimento seja levado para além das escolas e compartilhado pelos alunos com familiares e moradores das comunidades.

Para Liane Gaby, presidente do Instituto Cultural Amazônia do Amanhã (ICAA), a iniciativa busca abordar o tema de maneira próxima do cotidiano das crianças.

“Empinar pipas faz parte da infância de muitas crianças paraenses, mas a diversão precisa acontecer com responsabilidade”, afirma.

Projeto amplia atuação em 2026

Em 2026, o projeto também amplia sua atuação para além do Pará. Pela primeira vez, serão realizadas atividades em escolas públicas e privadas do Maranhão, Piauí e Goiás, durante os meses de agosto e setembro.

No Pará, as ações desta etapa acontecem entre os dias 10 e 21 de agosto, em escolas de Belém, Barcarena, Altamira e Marabá.

A iniciativa tem patrocínio da Equatorial Pará e é realizada pelo Instituto Cultural Amazônia do Amanhã (ICAA), por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura Semear, do Governo do Estado do Pará.

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