Cidades

Professora Zélia Amador de Deus é homenageada com o plantio de um baobá no Campus Guamá da UFPA

Árvore simbólica da ancestralidade e resistência africana foi plantada nesta terça-feira (18) em celebração às quase cinco décadas de contribuição da pesquisadora e ativista para a inclusão racial na universidade

Por Daniel Vinagre
20/08/2026 às 10:23 • 3 min

Foto: Heloísa Torres/ UFPA

Em celebração a quase cinco décadas de dedicação ao ensino, à pesquisa e à militância antirracista, a professora emérita Zélia Amador de Deus participou, nesta terça-feira (18), do plantio de um baobá em sua homenagem na paisagem do Campus Guamá da Universidade Federal do Pará (UFPA). A iniciativa simboliza a permanência de seu legado na construção de uma instituição mais plural, inclusiva e voltada à equidade racial.

A escolha da espécie dialoga com o significado atribuído ao baobá por diferentes povos africanos, que o associam à memória, à ancestralidade, à resistência e à transmissão de saberes entre gerações.

“Esse baobá representa muito para mim, porque fala de ancestralidade, de memória e daqueles que vieram antes de nós. Estou muito emocionada e só tenho a agradecer por esta homenagem”, declarou a professora Zélia Amador de Deus.

Reconhecimento à revolução inclusiva na universidade

Presente na solenidade, o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, destacou a relevância da homenageada para a transformação institucional vivenciada pela universidade ao longo das últimas décadas, ressaltando sua habilidade de aliar rigor na luta com acolhimento e diálogo.

“Eu não tenho dúvida da importância da Zélia para esta universidade. A UFPA é o que é hoje também porque houve pessoas que tiveram coragem e determinação para transformá-la. E Zélia conseguiu fazer isso com a firmeza dos seus propósitos acompanhada de uma enorme capacidade de acolher, dialogar e congregar pessoas. Ela ajudou a fazer uma verdadeira revolução dentro da Universidade”, afirmou o reitor.

Gilmar Pereira reforçou ainda o desejo de que a árvore sirva como ponto de memória para as futuras gerações acadêmicas sobre o papel da pesquisadora na garantia do acesso e permanência de estudantes negros, indígenas e quilombolas no ensino superior.

Cinco décadas de referência no movimento negro e nas artes

Docente, pesquisadora, artista e ativista, Zélia Amador de Deus é reconhecida como uma das figuras centrais do movimento negro na Amazônia. Sua atuação na UFPA estende-se pela formação acadêmica, produção artística e acadêmica, gestão universitária e formulação de políticas públicas de ações afirmativas.

A contribuição da professora emérita consolidou bases para o combate sistemático ao racismo estrutural e a ampliação do debate sobre as desigualdades sociais e raciais no ambiente universitário e na sociedade paraense.

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