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Belém prepara rede de saúde para ofertar insulina glargina; substituição da NPH será gradual

Treinamento na Unama preparou equipes da rede municipal para o uso da nova insulina de ação prolongada e de canetas aplicadoras

Por Estado do Pará Online
20/08/2026 às 08:20 • 3 min

Foto: Jonas Vila - Ascom Sesma

A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), deu início à preparação da rede municipal de saúde para a substituição gradual da insulina NPH pela insulina glargina. A medida abrange, nesta fase inicial, faixas etárias prioritárias estabelecidas pelo Ministério da Saúde e visa oferecer maior praticidade, segurança e eficácia no tratamento do diabetes pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para alinhar as condutas e o manuseio das novas tecnologias, os profissionais da atenção primária e da assistência farmacêutica participaram de uma capacitação realizada no campus Alcindo Cacela da Universidade da Amazônia (Unama). O treinamento abordou as especificidades da glargina, o funcionamento das canetas de aplicação e as diretrizes para a migração dos pacientes.

Aplicação única diária e menor risco de hipoglicemia

A principal diferença técnica entre os insumos está no tempo de ação no organismo. Enquanto a insulina NPH demanda, em muitos casos, duas aplicações diárias, a insulina glargina possui ação prolongada e pode cobrir cerca de 24 horas com apenas uma dose ao dia, de acordo com a prescrição médica.

“A glargina vai ser aplicada uma vez ao dia. Isso traz para o paciente uma segurança e uma eficácia maior no tratamento, principalmente considerando a vulnerabilidade clínica que alguns pacientes apresentam, como os idosos”, explicou Miracy Rebelo Tupinambá, farmacêutica da Atenção Primária à Saúde da Sesma.

Além da troca do medicamento, o SUS passará a disponibilizar o insumo em canetas aplicadoras preenchidas. Segundo o farmacêutico Valdemir Cordeiro de Paula, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que ministrou o treinamento, o dispositivo simplifica a rotina: basta acoplar a agulha, dosar a quantidade prescrita e aplicar, reduzindo também a ocorrência de episódios de hipoglicemia.

Público contemplado e substituição progressiva

A coordenação da Assistência Farmacêutica da Sesma reforça que a insulina NPH não será retirada imediatamente da rede pública. A mudança ocorrerá de forma gradual e individualizada.

Neste primeiro momento, os critérios do Ministério da Saúde contemplam os seguintes grupos:

  • Crianças e jovens: De 2 anos a menores de 18 anos diagnosticados com diabetes tipo 1;
  • Idosos: Pessoas com 70 anos ou mais diagnosticadas com diabetes tipo 1 ou tipo 2.

A referência técnica de Doenças Crônicas Não Transmissíveis da Sesma, Maria Fernanda Costa, alerta que os usuários não devem realizar a troca da medicação por conta própria. Todo o processo exige avaliação e acompanhamento das equipes médicas e de enfermagem nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Serviço ao Usuário

  • Quem tem direito na fase inicial: Pessoas de 2 anos até menores de 18 anos (diabetes tipo 1) e idosos a partir de 70 anos (diabetes tipo 1 ou 2).
  • Como proceder: O paciente ou responsável deve buscar a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência para avaliação com a equipe responsável pelo acompanhamento.
  • Recomendação: A transição depende exclusivamente de orientação profissional. O uso da insulina NPH continua mantido para os demais perfis de atendimento no SUS.

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