Política

PF pode abrir três investigações sobre financiamento de ‘Dark Horse’, filme sobre Jair Bolsonaro

Por Estado do Pará Online
28/06/2026 às 12:43 • 3 min
Apurações devem envolver repasses milionários atribuídos a Daniel Vorcaro, possível financiamento de Eduardo Bolsonaro nos EUA e uso de emendas parlamentares ligadas à produção de "Dark Horse".

Reprodução

A Polícia Federal (PF) deve instaurar, nos próximos dias, três frentes de investigação relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A expectativa é baseada na avaliação de investigadores que acompanham o caso, após o Supremo Tribunal Federal (STF) definir a relatoria de uma das apurações.

As investigações devem concentrar-se em três pontos principais: os repasses de R$ 61 milhões realizados por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ); a eventual utilização de parte desses recursos para custear a permanência do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos; e a destinação de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora responsável pelo filme.

A definição do presidente do STF, ministro Edson Fachin, de encaminhar a investigação sobre os repasses financeiros ao ministro André Mendonça destravou o andamento do caso. A decisão foi tomada após debate sobre a competência da relatoria, já que o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) defendia que o processo fosse conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes.

O valor de R$ 61 milhões foi revelado em maio pelo site The Intercept Brasil, que divulgou mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Segundo as informações, o dinheiro teria sido direcionado a um fundo responsável pelo financiamento do longa-metragem nos Estados Unidos por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, investigada por suposta ligação com irregularidades envolvendo o Banco Master.

Um dos objetivos da Polícia Federal será esclarecer se os recursos foram repassados em troca de algum benefício ou favorecimento político. Flávio Bolsonaro nega qualquer ilegalidade e afirma que apenas buscou apoio financeiro privado para viabilizar a produção cinematográfica sobre seu pai.

Outra linha de investigação pretende verificar se parte dos recursos foi utilizada para financiar Eduardo Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos. Essa apuração é considerada mais complexa, já que poderá depender de cooperação internacional e de pedidos às autoridades norte-americanas para obtenção de informações financeiras.

Além das duas investigações conduzidas pela PF, um terceiro procedimento analisa a destinação de emendas parlamentares para entidades ligadas à empresária Karina da Gama, responsável pela produtora Go Up, que desenvolve o filme “Dark Horse”. Esse caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal.

Desde maio, Dino conduz uma investigação preliminar para apurar suspeitas de que parlamentares do PL, entre eles Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon, tenham destinado recursos públicos a entidades administradas por Karina da Gama, o que poderia configurar financiamento indireto da produção audiovisual.

Entre as entidades citadas está a Academia Nacional de Cultura (ANC), que recebeu R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares conhecidas como “emendas PIX”. O deputado Mario Frias (PL-SP), que participa diretamente da produção do filme, também é mencionado por ter firmado contratos com empresas ligadas à empresária utilizando recursos da Câmara dos Deputados.

Todos os parlamentares citados negam qualquer irregularidade na destinação dos recursos. Paralelamente às investigações criminais, a Controladoria-Geral da União (CGU) realiza uma auditoria para verificar a aplicação das emendas destinadas às entidades envolvidas.

Leia também:

WhatsApp