Eleições 2026

Kassab diz que Centrão “não está neutro” e afirma que bloco está com Lula nas eleições de 2026

Presidente nacional do PSD e candidato a vice de Ronaldo Caiado afirma que partidos do centro mantêm proximidade com o governo federal, apesar da neutralidade oficial de algumas legendas

Por Estado do Pará Online
14/08/2026 às 13:15 • 6 min

Fotos: Agencia Brasil, Câmara dos Deputados e Agência Senado

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que o chamado “Centrão” não está neutro na disputa pela Presidência da República em 2026 e que, na avaliação dele, o bloco está alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A declaração foi feita na noite de quinta-feira (13), durante um encontro reservado com empresários, em São Paulo. Kassab participa da disputa presidencial como candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD).

“Eu discordo que os partidos de centro, que é o Centrão, estejam neutros. Eu acho que eles estão com o Lula”, afirmou o dirigente, ao comentar o cenário eleitoral e as estratégias das principais forças políticas para a disputa deste ano.

Neutralidade oficial

A declaração ocorre em meio à decisão de partidos como MDB, PP, União Brasil e Republicanos de não lançarem candidatos próprios à Presidência. Segundo Kassab, embora essas legendas tenham adotado oficialmente uma postura de neutralidade na corrida presidencial, suas articulações políticas indicariam uma aproximação com o governo Lula.

Para o presidente do PSD, a ausência de candidaturas próprias dessas siglas também beneficia a chapa de Ronaldo Caiado. Kassab afirmou que o candidato teria inicialmente cerca de 50 segundos no horário eleitoral gratuito, mas poderia chegar a pouco mais de dois minutos com a redistribuição do tempo das legendas que não disputam diretamente o Palácio do Planalto.

A avaliação de Kassab acontece às vésperas do início oficial da campanha eleitoral, marcado para 16 de agosto. A partir da data, os candidatos poderão realizar comícios, passeatas e propaganda eleitoral dentro das regras previstas pela legislação.

Críticas a Flávio Bolsonaro

Durante o mesmo encontro, Kassab também fez uma avaliação contundente sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, o senador não teria chances de vencer a eleição e poderia perder força nas pesquisas com o avanço da campanha.

Kassab afirmou ainda que, na avaliação dele, o PT estaria evitando ataques mais intensos ao candidato do PL neste momento por considerar Flávio um adversário mais fácil de ser derrotado por Lula.

A declaração coloca o vice de Caiado em confronto direto com um dos principais nomes da direita na disputa presidencial, enquanto o PSD tenta apresentar a chapa como uma alternativa aos dois polos que concentram a corrida eleitoral.

Levantamento realizado pelaBTG/Nexus Lula tem 40% contra 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, enquanto marca 47% a 44% no segundo. Com o início da campanha oficial, a disputa deve ganhar novos contornos, especialmente com a entrada da propaganda eleitoral no rádio e na televisão e a definição dos palanques estaduais dos principais candidatos.

Centrão distante e dificuldade para ampliar chapa

A declaração de Kassab também lança luz sobre uma das dificuldades enfrentadas por Flávio Bolsonaro durante a formação de sua chapa presidencial. Ao longo das negociações, o PL tentou atrair partidos do chamado Centrão, mas não conseguiu fechar uma aliança nacional com siglas como PP, União Brasil e Republicanos, que optaram pela neutralidade na disputa presidencial.

A dificuldade de ampliar a composição ajuda a explicar por que a escolha do vice de Flávio se arrastou até os últimos momentos das convenções. O Republicanos chegou a ser tratado pelo PL como um dos principais partidos capazes de fortalecer a candidatura, e as negociações envolveram também a possibilidade de nomes da legenda ocupar a vice-presidência.

A aproximação com o Republicanos, no entanto, não se transformou em uma aliança nacional. A legenda confirmou a neutralidade na eleição presidencial, ampliando o isolamento do candidato do PL no campo partidário. O que interferiu também no tempo de TV e rádio do candidato à presidência.

No fim, Flávio anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente. A escolha resultou em uma chapa formada exclusivamente por integrantes do Partido Liberal, evidenciando a dificuldade do PL em incorporar outras siglas à composição presidencial.

A posição de Kassab também passa pelo governo Lula

A análise de Kassab, porém, não acontece fora da relação entre o Centrão e o governo federal. O PSD, partido presidido por ele, atualmente ocupa três ministérios na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva: Agricultura e Pecuária, Minas e Energia e Pesca e Aquicultura.

A presença do partido na Esplanada ajuda a explicar o contexto político da declaração. Ao afirmar que o Centrão “não está neutro, está com Lula”, Kassab fala como presidente de uma legenda que mantém espaço institucional e participação direta no governo federal.

Isso não significa, necessariamente, que a posição do PSD possa ser reduzida à ocupação de ministérios. O partido também lançou Ronaldo Caiado como candidato à Presidência e Kassab integra a chapa como vice, o que coloca a legenda em uma posição peculiar: ao mesmo tempo em que participa do governo Lula, apresenta uma candidatura própria para enfrentá-lo na eleição presidencial.

A situação evidencia o pragmatismo político, marca registrada do Centrão. As alianças podem variar conforme o cargo em disputa. Enquanto o PSD mantém ministros no governo federal, a legenda tenta construir uma candidatura presidencial própria. Nos estados, seus diretórios também têm liberdade para formar alianças diferentes.

Por isso, a declaração de Kassab pode ser lida em duas dimensões. De um lado, representa uma avaliação sobre o comportamento dos partidos de centro diante da eleição. De outro, parte de um dirigente cujo partido mantém uma relação institucional próxima com o governo Lula.

Essa posição ajuda a entender por que a neutralidade adotada por partidos como Republicanos, PP e União Brasil não significa necessariamente distância do governo. As legendas podem evitar um apoio presidencial formal a Lula ou Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, manter relações políticas e institucionais com o Executivo federal.

Para Flávio Bolsonaro, o problema é que essa estratégia reduz a possibilidade de repetir, em 2026, a ampla aproximação que o bolsonarismo conseguiu construir com parte do Centrão em 2022.

Leia também:

WhatsApp