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Lula e Flávio Bolsonaro concentram 79% do tempo de propaganda eleitoral na TV

Apenas quatro candidatos à Presidência terão direito ao horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão no primeiro turno outros candidatos ficarão sem inserções na programação

Por Estado do Pará Online
14/08/2026 às 11:02 • 4 min

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Andressa Anholete/Agência Senado

A disputa pela Presidência da República em 2026 terá uma forte concentração do horário eleitoral gratuito entre os principais candidatos. Lula e Flávio Bolsonaro, juntos, deverão concentrar aproximadamente 79% do tempo destinado à propaganda presidencial em bloco, segundo projeções baseadas na representação dos partidos na Câmara dos Deputados e nas regras definidas pela Justiça Eleitoral.

O cenário também chama atenção pelo número reduzido de candidatos com acesso à propaganda gratuita. Apenas quatro presidenciáveis terão direito a espaço no rádio e na televisão: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).

Veja a divisão estimada do tempo

  • Lula (PT): cerca de 5 minutos e 32 segundos por bloco, o maior tempo entre os candidatos.
  • Flávio Bolsonaro (PL): cerca de 4 minutos e 20 segundos por bloco.
  • Ronaldo Caiado (PSD): cerca de 2 minutos e 2 segundos por bloco.
  • Augusto Cury (Avante): cerca de 36 segundos por bloco.

Somados, Lula e Flávio Bolsonaro chegam a aproximadamente 9 minutos e 52 segundos dos 12 minutos e 30 segundos disponíveis em cada bloco, o equivalente a cerca de 79% do espaço.

Além dos programas em bloco, as emissoras também terão de veicular inserções de 30 e 60 segundos distribuídas ao longo da programação. No caso da eleição presidencial, são reservados diariamente 14 minutos para essas inserções em cada emissora.

Candidatos sem propaganda eleitoral gratuita

Os candidatos de partidos que não alcançaram os critérios da cláusula de desempenho ficarão sem acesso ao horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.

Entre os nomes que aparecem nessa situação estão Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Edmilson Costa (PCB), Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO), Hertz Dias (PSTU) e Leonardo Avalanche (PRTB).

A regra torna o tamanho das bancadas e a formação de alianças fatores decisivos para a distribuição do tempo. Pela legislação, 90% do espaço é distribuído proporcionalmente à representação dos partidos na Câmara, enquanto 10% é dividido igualmente entre as legendas que atendem aos critérios de desempenho.

Mais tempo de TV não significa eleição ganha

Apesar de o tempo de propaganda eleitoral ser considerado um importante ativo nas campanhas, a quantidade de minutos no rádio e na televisão não é, por si só, garantia de desempenho nas urnas. A eleição de 2018 é um dos principais exemplos dessa mudança na lógica da comunicação política.

Naquele pleito, Jair Bolsonaro tinha apenas oito segundos de propaganda eleitoral em cada bloco no primeiro turno. Enquanto adversários como Geraldo Alckmin contavam com vários minutos de exposição, a campanha de Bolsonaro concentrou esforços nas redes sociais e em uma estrutura de comunicação que funcionava fora do horário eleitoral tradicional.

Estudos sobre a eleição também apontam que as redes sociais passaram a ocupar um papel central na comunicação eleitoral. Uma pesquisa publicada pela Revista Justiça Eleitoral em Debate classifica a propaganda nas redes como uma modalidade que se tornou protagonista do ambiente político brasileiro.

Para 2026, o cenário é ainda mais complexo. Com Lula e Flávio Bolsonaro concentrando a maior parte do horário eleitoral gratuito, candidatos com menos tempo podem tentar compensar a desvantagem por meio de redes sociais, mobilização digital e produção de conteúdo próprio. Isso não significa que a televisão perdeu importância, mas que tempo de inserção é apenas uma das ferramentas de uma campanha e precisa ser analisado junto à capacidade de mobilização e alcance em outras plataformas.

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