Política

”Perderam o pudor”, diz Mendonça ao recusar delação seletiva de advogado de Daniel Vorcaro

Por Daniel Vinagre
17/06/2026 às 09:23 • 3 min

Foto: Luiz Silveira/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou ter recebido uma proposta ilegal de delação seletiva vinda diretamente de um dos advogados do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A abordagem ocorreu nos bastidores e tinha como objetivo aliviar a pena do empresário,que está preso por fraudes financeiras e desvios bilionários. A declaração foi feita na tarde desta terça-feira (16), durante a sessão de julgamentos da Segunda Turma da Corte.

“Perderam o pudor. Chegou-me uma proposta, por um advogado, de que queriam fazer uma delação seletiva. Falaram na minha cara. Não faço questão de delação, e delação seletiva, comigo não”, desabafou o magistrado. Confira a declaração:

A tentativa de interferência da defesa foi exposta no mesmo julgamento em que o colegiado referendou, por maioria de votos, a manutenção das prisões preventivas de Henrique Moura Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro, respectivamente pai e primo do ex-banqueiro.

Ambos são investigados pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. A decisão da Turma acompanhou o voto do relator, que considerou os requisitos das prisões preventivas necessários para preservar o andamento das investigações e evitar a dilapidação do patrimônio do grupo.

De acordo com o relatório da Polícia Federal, Henrique Vorcaro ocupava papel de destaque no núcleo conhecido como “A Turma”, estrutura apontada pelos investigadores como responsável por realizar ameaças, intimidações, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais para travar as apurações.

No caso de Felipe Vorcaro, a PF conseguiu a conversão da prisão temporária em preventiva após cruzar dados obtidos em aparelhos celulares com relatórios de inteligência financeira emitidos pelo Coaf. Os documentos apontaram movimentações atípicas e a continuidade de práticas de ocultação de bens mesmo após o avanço ostensivo da operação.

A defesa de Felipe Vorcaro contestou as medidas na tribuna do STF, sustentando que todas as operações financeiras citadas pela Polícia Federal foram realizadas de forma regular e devidamente submetidas aos órgãos de fiscalização do sistema financeiro nacional, alegando ainda que não existiam elementos contemporâneos que justificassem o cárcere.

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