"O que incomoda os EUA é o Brasil não ter se curvado", diz ministro das Relações Exteriores - Estado do Pará Online

“O que incomoda os EUA é o Brasil não ter se curvado”, diz ministro das Relações Exteriores

Mauro Vieira afirmou que governo de Donald Trump esperava que o país aceitasse “demandas irrazoáveis” durante as negociações comerciais

Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil. (Valter Campanato/Agência Brasil)

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reagiu nesta quinta-feira (16) às declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante uma coletiva no Itamaraty, o chanceler afirmou que o governo norte-americano estaria insatisfeito com a postura adotada pelo Brasil nas negociações comerciais entre os dois países.

Segundo Vieira, o principal ponto de descontentamento de Washington seria o fato de o governo brasileiro não “se curvar” às condições apresentadas pelos Estados Unidos.

“Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações”, declarou.

O ministro citou como exemplo a exigência de uma abertura ampla de setores da economia brasileira para empresas norte-americanas, sem que houvesse, na avaliação do governo brasileiro, contrapartidas equivalentes para os produtos nacionais.

A declaração ocorreu após Rubio acusar Lula de ter colocado o próprio ego acima da possibilidade de um acordo. O secretário de Estado também afirmou que o Brasil não teria conduzido as negociações de maneira “de boa-fé”.

As críticas vieram depois que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou novas medidas tarifárias contra produtos brasileiros. O órgão também acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais no comércio bilateral e cita, entre outros pontos, o sistema de pagamentos Pix.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), no entanto, indicam que os Estados Unidos registraram superávit de US$ 7,5 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 38 bilhões, nas relações comerciais com o Brasil no último ano.

A nova rodada de tarifas ocorre em meio ao agravamento das tensões comerciais entre os dois países. Em uma etapa anterior da disputa, produtos brasileiros chegaram a ser taxados em 50%.

Em uma carta encaminhada ao governo brasileiro, o presidente Donald Trump também relacionou parte das medidas ao processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.

O caso ganhou dimensão política após Eduardo Bolsonaro deixar o mandato de deputado federal e viajar para os Estados Unidos. Na ocasião, ele afirmou que buscaria apoio do governo Trump contra o processo movido contra o pai, que foi condenado pela Justiça brasileira por tentativa de golpe de Estado.

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