Política

O paradoxo paraense: entre o discurso antagonista e a inércia no combate

Por Estado do Pará Online
09/06/2026 às 22:12 • 5 min
Hana e Daniel Santos evitam confronto e usam Helder como protagonista na disputa pelo governo do Pará

Hana e Daniel Santos evitam confronto direto e usam Helder como protagonista na disputa pelo governo do Pará

Por Dornélio Silva e Reginaldo Corrêa de Melo Jr

É no mínimo curioso observar que, em pleno processo eleitoral para o governo do Para, os nomes de Daniel Santos e Hana Ghassan – que deveriam estar no centro do debate sobre os rumos do estado – seguem numa espécie de inércia aos olhos do eleitor.

Mais do que uma impressão inicial, dados recentes comprovam o empate técnico na corrida, revelando que, apesar do potencial para um embate intenso, a disputa carece de confronto direto e de propostas concretas.

Pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 27 de abril de 2026, aponta um empate técnico entre os dois principais candidatos na disputa pelo governo do Parpa. No cenário mais amplo, o ex-prefeito de Ananindeua, Dr. Daniel Santos (Podemos), registra 22% das intenções de voto, enquanto a atual governadora, Hana Ghassan (MDB), soma 19%.

Considerando a margem de erro de 3 pontos percentuais, a liderança de Dr. Daniel não se consolida como uma vantagem real.

Num segundo turno simulado, a diferença permanece dentro do empate técnico, com 34% para Dr. Daniel e 29% para Hana.

O eleitor entre o discurso e a ação

O discurso de ‘libertação’: do lado de Daniel Santos, o que se vê é uma campanha centrada no discurso de “libertar o Pará dos Barbalhos” e na oposição, a entitulada “Ditadura Barbalho”. Como apontam análises, sua movimentação desde 2023 e como uma alternativa a candidatura oficial, mas esse movimento parece se esgotar na retórica. Ele se exime de tecer comenta rios desfavoráveis à governadora Hana Ghassan, como se não fosse capaz de mostrar motivos diretos para o eleitor preferi-lo, focando suas críticas em Helder Barbalho, que sequer é seu adversário direto nesta eleição.

Ate o momento, não se vê um programa de governo claro ou propostas detalhadas para resolver problemas estruturais como segurança e desenvolvimento econômico.

A estratégia da ‘aclimação’

Em contrapartida, Hana Ghassan adota uma postura que sugere tratar sua reeleição como uma questão de continuidade natural. Sua comunicação tem destacado, com razão, os avanços da gestão que completou 3 anos e meio: a criação de mais de 36 mil empregos formais, um crescimento de 97% na abertura de novas empresas e a menor taxa de desemprego desde 2012. Ela enfatiza “a continuidade das estratégias bem-sucedidas” como fundamental para manter o desenvolvimento.

No entanto, essa abordagem ignora o fato de ter um adversário competitivo.

Hana parece fazer campanha como se sua reeleição pudesse vir por aclamação, evitando o confronto de idéias e confiando na força da herança política que recebeu.

O Escudo da Figura Paterna: Helder Barbalho

O eleitorado paraense assiste a um “jogo morno” onde os verdadeiros antagonistas – os candidatos ao governo – se esquivam do embate direto e se escoram numa única figura de destaque: Helder Barbalho (MDB).

Mesmo disputando uma das vagas ao Senado com nítida vantagem – lidera as intenções de voto com 24% – Helder é, paradoxalmente, a referência que ambos os lados usam para definir suas campanhas.

A dependência de Helder

Para Hana Ghassan: Helder é o padrinho político que a projetou e cuja aprovação (que chega a 63%) é seu principal ativo. As pesquisas indicam que em média 33% dos paraenses ja associam Hana como a candidata do governador.

Para Dr. Daniel: Helder é o “inimigo” a ser derrotado.

Ao criticar Helder, Daniel evita atacar diretamente sua adversária, mas também aposta na tese de que descolar a imagem da opositora Hana de Helder é o caminho para vencer.

Parece que a decisão final sobre quem governará o Pará, a partir de 2027, está sendo terceirizada para Helder Barbalho, enquanto o eleitor aguarda, expectante, um confronto que ainda não veio. O ex-governador e, ao mesmo tempo, o principal cabo eleitoral de Hana e o grande antagonista de Daniel, um movimento que centraliza a atenção e esvazia o debate programático.

O papel do eleitor e a única saída

Conforme pesquisas sérias indicam, os dois principais adversários estão técnicamente empatados. O que definirá o vencedor? A resposta não esta na associação ou negação à uma figura política de fora da disputa.

O eleitor é sábio. Enquanto Hana e Dr. Daniel insistirem em evitar o embate, a eleição permanecerá refém de um enorme contingente de eleitores indecisos (que chegam a 35%) e da sombra de Helder Barbalho. A única maneira de o eleitorado ter condições de avaliar quem é o melhor para governar o Paraá é quando Hana Ghassan e Daniel Santos finalmente saírem para o confronto direto, confrontando suas ideias e, mais importante, confrontando um ao outro.

Enquanto isso não acontecer, o “jogo morno” continuará, e a decisão sobre o futuro do Pará ficará suspensa, aguardando que os protagonistas assumam, de fato, o papel de antagonistas.

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