o Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, possui a terceira maior coleção de mamíferos entre 141 acervos identificados na América do Sul. Ao todo, são 46.903 espécimes catalogados, de um universo continental de 746.548 registros, segundo estudo internacional publicado em 2025.
O levantamento, intitulado “A comprehensive survey of mammal collections and genetic resources in South America: challenges and directions”, foi divulgado pelo Biological Journal of the Linnean Society e teve como autor principal Marcelo Weksler. A pesquisa analisou a importância dos acervos biológicos para estudos científicos, além de mapear desafios e perspectivas para o setor.
No ranking sul-americano, o Museu Goeldi fica atrás apenas do Museu Nacional, com 89.726 exemplares, e do Museu de História Natural da Universidade Nacional de San Marcos, com 52.905. A instituição paraense também ocupa a segunda posição no Brasil e a quarta na América Latina.
Destaque da biodiversidade amazônica
A coleção do Museu Goeldi tem forte representatividade da Amazônia, especialmente da região oriental e áreas de transição, incluindo exemplares de estados como Rondônia, Tocantins e Maranhão. O acervo reúne, em sua maioria, mamíferos de médio porte, carnívoros e primatas, além de espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada e o peixe-boi.
Outro diferencial é a presença de cerca de 70 “tipos”, espécimes que servem como referência para a descrição de novas espécies, considerados fundamentais para a ciência.
De acordo com a pesquisadora Alexandra Bezerra, coautora do estudo, a relevância do acervo está ligada à história da instituição, fundada em 1866, e aos esforços contínuos de coleta ao longo das décadas.
Desafios e avanços
Apesar do destaque, o estudo aponta desafios comuns às coleções científicas na América do Sul, como escassez de profissionais, limitações de infraestrutura, necessidade de digitalização e sustentabilidade dos acervos.
No caso do Museu Goeldi, a coleção de mamíferos está sem curador desde 2025. Por outro lado, o acervo se diferencia por ter seus dados amplamente digitalizados e disponíveis no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira, plataforma nacional de dados sobre biodiversidade.
Importância científica e educativa
Os pesquisadores destacam que coleções como a do Museu Goeldi são essenciais para estudos sobre mudanças climáticas, doenças zoonóticas e estratégias de conservação. Além disso, iniciativas como o projeto “Museu de Portas Abertas” buscam aproximar a população da ciência e reforçar a importância da preservação da biodiversidade.
O estudo também alerta para a necessidade de maior conscientização sobre o valor desses acervos, tanto entre especialistas quanto na sociedade, como forma de garantir a continuidade das pesquisas e a proteção do patrimônio natural.
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