Ministério dos Direitos Humanos acompanha caso de agressão com arma de choque contra homem em situação de rua em Belém - Estado do Pará Online

Ministério dos Direitos Humanos acompanha caso de agressão com arma de choque contra homem em situação de rua em Belém

Pasta aponta violência estrutural e destaca ações de apoio à população vulnerável; estudantes envolvidos foram afastados.

Pasta repudia violência e diz que ataques refletem discriminação contra pessoas em situação de pobreza.
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O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou nesta quarta-feira (15) que acompanha de perto o caso de agressão contra um homem em situação de rua em Belém. O crime foi cometido por dois estudantes de direito, que utilizaram uma arma de choque.

Em nota, o órgão afirmou que episódios de violência extrema como o registrado na capital paraense “não são fatos isolados”, mas refletem problemas estruturais, como a aporofobia — discriminação contra pessoas em situação de pobreza — e outras formas de violação de direitos.

Segundo o ministério, Belém conta com duas unidades do programa Cidadania PopRua, que oferece serviços de cuidado, higiene, guarda de pertences e atendimento especializado com assistentes sociais, psicólogos e advogados. “O Ministério dos Direitos Humanos repudia todas as formas de violência contra a população em situação de rua”, reforçou a pasta.

Ainda nesta quarta-feira, movimentos sociais e estudantes realizaram um protesto em frente ao Centro Universitário do Estado do Pará, onde estudam os suspeitos. Os manifestantes cobraram a expulsão dos envolvidos e uma apuração rigorosa do caso.

Os jovens foram identificados como Altemar Sarmento Filho, apontado como autor das agressões, e Antônio Coelho, que teria filmado as cenas. Ambos prestaram depoimento à polícia, permaneceram em silêncio e foram liberados.

De acordo com a educadora de rua Naraguaçu Pureza, ligada ao movimento Emaús em parceria com a Pastoral Povo na Rua, a vítima possui saúde mental fragilizada e vive há anos no bairro do Umarizal, dormindo frequentemente nas proximidades da instituição. Durante o protesto, o homem foi visto circulando pela área.

Representantes de coletivos também se manifestaram. Leila Palheta, do Coletivo Fala Perifa, pediu uma investigação rigorosa e punição aos responsáveis.

Em nota, o Cesupa informou que afastou cautelarmente os alunos envolvidos e instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), com a criação de uma comissão interna para apurar os fatos no âmbito acadêmico.

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