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Incêndios na Terra Indígena Apyterewa têm indícios de ação criminosa, diz Funai

Queimadas atingem área em São Félix do Xingu há cerca de uma semana; governo federal monitora situação e avalia diferentes causas para os focos.

Por Alexandre Alencar
28/08/2026 às 14:02 • 4 min
Queimadas atingem área em São Félix do Xingu há cerca de uma semana; governo federal monitora situação e avalia diferentes causas para os focos

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Parte dos incêndios registrados na Terra Indígena (TI) Apyterewa, em São Félix do Xingu, no sul do Pará, apresenta sinais de que pode ter sido provocada de forma criminosa. A informação foi divulgada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) na terça-feira (25).

De acordo com o órgão, as queimadas são acompanhadas pelo Governo Federal, que também considera outras possibilidades para explicar a origem dos focos. Entre as hipóteses estão ocorrências relacionadas a práticas tradicionais de queima realizadas pelas comunidades.

A situação foi apresentada pela Funai durante uma reunião da Sala de Situação do Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional Nacional (Ciman). A Fundação também solicitou o acompanhamento e monitoramento da região afetada e acionou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para reforçar a fiscalização e integrar as ações desenvolvidas no território.

Segundo a Funai, os levantamentos realizados até o momento indicam que os incêndios podem ter diferentes origens. O órgão aponta a existência de focos com possíveis características criminosas e outros associados a práticas tradicionais.

Independentemente da causa identificada em cada ocorrência, a Fundação afirma que o Governo Federal mantém uma atuação conjunta com os órgãos responsáveis pelo monitoramento e pela adoção das medidas necessárias para controlar a situação.

A Funai também informou que mantém contato com representantes do povo Parakanã desde o início das ocorrências. A comunicação ocorre por meio da Frente de Proteção Etnoambiental Médio Xingu, com o objetivo de acompanhar as demandas das lideranças indígenas e manter o fluxo de informações sobre os incêndios na terra indígena.

Força Nacional atua na região

A Força Nacional de Segurança Pública já está presente nas Terras Indígenas Apyterewa e Trincheira Bacajá, no Pará, prestando apoio às ações da Funai. A atuação dos agentes ocorre de maneira planejada e conforme as necessidades apresentadas pelo órgão, em conjunto com as forças de segurança estaduais e sob coordenação da Polícia Federal.

A Funai esclareceu, entretanto, que ainda não foi feito um pedido específico para que a Força Nacional participe diretamente do combate às chamas.

Caso haja uma solicitação, os agentes poderão prestar apoio dentro das atribuições previstas no ato que autoriza a operação e de acordo com o planejamento operacional estabelecido.

Os incêndios atingem uma área extensa da TI Apyterewa há aproximadamente uma semana. As chamas estão concentradas principalmente em uma região que anteriormente era utilizada para a criação ilegal de gado.

A área passou recentemente por uma operação de desintrusão conduzida pelo Governo Federal, que teve como objetivo retirar ocupantes não indígenas que permaneciam ilegalmente dentro do território homologado.

Fogo preocupa indígenas e brigadistas

Antes da desintrusão, a região era ocupada por invasores, incluindo grileiros e criadores de gado. Após a retirada dos ocupantes ilegais, o território passou a ser monitorado com maior atenção.

Apesar da extensão dos incêndios, as chamas ainda não haviam avançado para a área de mata fechada. A principal preocupação de brigadistas e lideranças indígenas era uma eventual mudança na direção dos ventos, que poderia levar o fogo para áreas de floresta.

Outro fator de alerta é a proximidade das chamas com uma aldeia do povo Parakanã. Uma alteração na direção do incêndio poderia aumentar o risco para a comunidade indígena e elevar a concentração de fumaça na região.

A Terra Indígena Apyterewa é considerada uma das áreas indígenas mais pressionadas pelo desmatamento no Brasil. A retirada de ocupantes ilegais faz parte de uma estratégia para garantir a proteção do território e os direitos dos povos indígenas que vivem na região.

O processo de desintrusão busca assegurar a permanência da população Parakanã, reduzir as pressões provocadas por invasões e ampliar a segurança dentro da terra indígena.

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