A Região Metropolitana de Belém registrou em abril 26 tiroteios, o menor número desde o início do monitoramento do Instituto Fogo Cruzado, em novembro de 2023. No entanto, a redução estatística não se traduziu em um mês menos violento: das 28 pessoas baleadas no período, 23 morreram, o que representa uma taxa de letalidade de 82%.
Além disso, o mês foi marcado pelo retorno das chacinas e por um alto índice de violência em ações policiais e dentro de residências.
Operações policiais e chacinas
A violência armada em abril teve forte influência de intervenções do Estado. Das 26 ocorrências mapeadas, 12 foram motivadas por ações ou operações policiais, o equivalente a 46% do total. O período também interrompeu uma sequência de três meses sem registros de chacinas na Grande Belém.
Duas chacinas foram contabilizadas em abril, deixando seis mortos no total. A primeira ocorreu no dia 6, em Benevides, onde três homens foram assassinados em um bar na Vila do Cupuaçu. A segunda foi registrada no dia 17, em Castanhal, durante uma operação da Polícia Civil no bairro Pantanal, resultando na morte de três homens em uma residência.
Vulnerabilidade em casa e nas escolas
O levantamento aponta que o ambiente doméstico não foi poupado: oito pessoas foram baleadas dentro de casa, das quais sete não resistiram aos ferimentos. A violência também atingiu adolescentes de 12 a 17 anos. Em um dos casos, no dia 16, um jovem foi morto no bairro do Guamá durante uma ação policial. Em outro episódio, no dia 26, um adolescente foi ferido no Jurunas após uma discussão com um vizinho.
A capital paraense concentrou quase metade dos registros da região metropolitana. Entre bairros e municípios, os dados detalhados revelam os pontos mais críticos de abril:
- Belém: 12 tiroteios (6 mortos e 2 feridos). Bairros como Guamá e Jurunas seguem no radar.
- Ananindeua: O bairro do Curuçambá liderou as estatísticas locais com dois tiroteios e duas mortes.
- Castanhal: Registrou cinco mortes em três tiroteios, impulsionado pela chacina no bairro Pantanal.
- Outras cidades: Benevides, Marituba e Barcarena também apresentaram registros de mortes por armas de fogo.
Embora o número de baleados tenha sido o segundo menor da série histórica, o Instituto Fogo Cruzado alerta que a concentração de mortes em operações e o retorno de execuções múltiplas indicam que a redução dos confrontos não significa, necessariamente, uma maior sensação de segurança para a população.
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