Escala 7x0? Entenda a PEC assinada por senador paraense - Estado do Pará Online

Escala 7×0? Entenda a PEC assinada por senador paraense

Medida surge logo após a Câmara aprovar a jornada 5x2; proposta prevê o pagamento de FGTS, férias e 13º salário calculados sobre as horas executadas

Como reação ao fim da escala 6x1, bancada conservadora propõe jornada flexível baseada em horas. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Um grupo de parlamentares articulou uma reação política no Congresso Nacional após a aprovação do fim da escala 6×1 pela Câmara dos Deputados. Sob a liderança do senador Rogério Marinho (PL-RN), foi apresentada a PEC 12/2026, proposta de emenda à Constituição que institui um modelo de jornada flexível focado no pagamento exclusivo de horas trabalhadas.

Apelidada por críticos e movimentos sindicais de “escala 7×0”, sob o argumento de que abre brechas para o trabalho ininterrupto sem dias fixos de repouso garantidos pela CLT. Entre os signatários que validaram a abertura de tramitação do texto está o senador paraense Zequinha Marinho (Podemos-PA).

O projeto determina que o contrato individual firmado entre o empregador e o funcionário terá prevalência legal sobre as convenções e acordos coletivos de trabalho. Sob este formato, direitos trabalhistas consolidados, como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), férias remuneradas e o 13º salário, passariam a ser calculados e pagos de forma proporcional às horas executadas.

Liberdade de escolha versus risco de inflação e desemprego

Os defensores da emenda constitucional sustentam que o objetivo da matéria é ampliar a autonomia do trabalhador, permitindo que ele adeque sua rotina às oscilações do mercado. A justificativa oficial compara o modelo ao sistema de contratação por hora utilizado nos Estados Unidos, onde o cidadão define sua carga horária de disponibilidade.

Por outro lado, os autores do texto atacam a PEC 221/2019, aprovada na Câmara com apoio do governo federal para fixar a jornada em 40 horas semanais (escala 5×2). Rogério Marinho classificou a redução obrigatória sem corte salarial como uma “ação eleitoreira”, argumentando que a mudança deve inflacionar produtos e empurrar pequenas empresas para a informalidade.

“Se há uma redução da jornada, é evidente que vai haver um aumento no custo da produção de bens e serviços gerados por qualquer empresa no Brasil. E o empresário vai repassar essa diferença para o preço dos produtos”, declarou Marinho, apontando riscos de demissões em massa de trabalhadores com salários mais altos.

A deputada Erika Hilton (PSOL- RJ) denunciou a PEC. Ela argumentou que as brechas desse texto acabariam com as garantias da CLT, abrindo espaço para a chamada escala 7×0.

Confira a lista de senadores que assinaram a proposta:

  • PL (Partido Liberal):
    • Rogério Marinho (RN) — Autor da PEC
    • Marcos Rogério (RO)
    • Hermes Klann (SC)
    • Magno Malta (ES)
    • Astronauta Marcos Pontes (SP)
    • Wilder Morais (GO)
    • Jaime Bagattoli (RO)
    • Flávio Bolsonaro (RJ)
    • Carlos Portinho (RJ)
    • Eduardo Gomes (TO)
    • Sergio Moro (PR)
    • Efraim Filho (PB)
    • Izalci Lucas (DF)
    • Wellington Fagundes (MT)
  • PP (Progressistas):
    • Laércio Oliveira (SE)
    • Luis Carlos Heinze (RS)
    • Ciro Nogueira (PI)
    • Tereza Cristina (MS)
    • Dr. Hiran (RR)
    • Esperidião Amin (SC)
  • PSD (Partido Social Democrático):
    • Lucas Barreto (AP)
    • Vanderlan Cardoso (GO)
    • Sérgio Petecão (AC)
    • Nelsinho Trad (MS)
    • Carlos Viana (MG)
  • Republicanos:
    • Damares Alves (DF)
    • Hamilton Mourão (RS)
    • Angelo Coronel (BA)
    • Roberta Acioly (RR)
    • Cleitinho (MG)
  • PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira):
    • Plínio Valério (AM)
    • Dra. Eudócia (AL)
    • Oriovisto Guimarães (PR)
  • Podemos:
    • Zequinha Marinho (PA) — Representante paraense
    • Styvenson Valentim (RN)
  • Outras legendas:
    • Eduardo Girão (Novo-CE)
    • Marcio Bittar (União-AC)
    • Romário (PL-RJ)
    • Marcos do Val (Avante-ES)
    • Jayme Campos (União-MT)

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