Alunos da Ufra protestam em Belém e denunciam problemas estruturais no campus - Estado do Pará Online

Alunos da Ufra protestam em Belém e denunciam problemas estruturais no campus

Estudantes cobram reformas urgentes e apontam salas danificadas, equipamentos sucateados e falta de manutenção na universidade.

Alunos cobram melhorias na estrutura da Universidade.
Redes sociais

Alunos da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) realizaram, na manhã desta sexta-feira (17), uma manifestação no campus de Belém para cobrar melhorias estruturais na instituição. O ato ocorreu dentro da universidade e teve como objetivo chamar atenção para problemas que, segundo os estudantes, comprometem o ambiente acadêmico e a qualidade do ensino.

Entre as principais reclamações estão forros de salas de aula cedendo, mato alto em diferentes áreas do campus, infiltrações, equipamentos deteriorados e falta de climatização adequada. Os manifestantes pedem providências urgentes da administração para garantir segurança e melhores condições de estudo.

O Centro Acadêmico de Sistemas de Informação (Casi) também se posicionou por meio das redes sociais e criticou a falta de respostas aos pedidos formais encaminhados à universidade. Segundo a entidade estudantil, as demandas por melhorias no parque computacional e no sistema de climatização seguem sem solução.

Em nota, o centro acadêmico afirmou que os estudantes convivem com laboratórios sucateados e salas sem condições mínimas de temperatura, cenário que prejudica o rendimento acadêmico e afeta especialmente disciplinas práticas e introdutórias.

Ainda de acordo com os alunos, diversos aparelhos de ar-condicionado estão quebrados e os filtros dos bebedouros apresentariam problemas de qualidade. Outro ponto relatado é a entrada de água nos prédios durante períodos de chuva.

Imagens enviadas à reportagem mostram parte do forro de salas danificado, vasos sanitários interditados por falta de funcionamento, infiltrações no teto do auditório, além de portas quebradas e cadeiras com sinais de mofo.

Os estudantes defendem uma reforma estrutural ampla nos prédios da instituição e cobram um plano de manutenção permanente.

Em nota ao Estado do Pará Online, a Ufra informou:

“A Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) tem acompanhado as denúncias feitas por estudantes sobre problemas de infraestrutura na instituição. Entendemos que as manifestações dos alunos são legítimas e refletem o desejo comum de uma universidade pública de excelência, com infraestrutura adequada para o ensino, a pesquisa e a extensão.

Para esclarecer a toda a comunidade, ao assumir a gestão em agosto de 2025, a administração atual identificou a ausência de contratos essenciais para a manutenção de refrigeração, rede elétrica e infraestrutura predial. A ausência dos referidos contratos tem gerado diversos transtornos à Ufra, como dificuldades na climatização dos setores e atrasos em manutenção e conservação de ambientes.

Para reverter esse cenário, a Ufra está buscando investimentos e novas alternativas. No fim de março, foi inaugurado o Centro de Apoio à Pesquisa e Pós-Graduação (CAPP), no campus Belém, uma obra que teve investimento de recursos próprios da universidade e mais R$ 3,7 milhões do Novo PAC. Ao todo, o programa destinou R$ 10,7 milhões à Ufra, que também foram investidos na construção do Centro de Pesquisa Agropecuária (CPAgro), no campus Parauapebas, e do Centro de Qualidade Ambiental da Amazônia (CQMAA), no campus Belém, obras que estão sendo executadas.

A instituição ainda garantiu R$ 17 milhões, junto ao Ministério da Educação (MEC), para concluir cinco obras inacabadas em dois campi. Três obras no campus de Capanema e duas em Tomé-Açu.

Quanto ao sistema de refrigeração, mais de R$ 3,6 milhões foram destinados para garantir a manutenção dos aparelhos até março de 2027, seguindo um cronograma técnico que prioriza salas de aula e laboratórios.

Além da estrutura predial, a universidade buscou investimentos, via emendas parlamentares e recursos próprios, de R$ 6,1 milhões na compra de 600 computadores e 100 projetores que irão atender todos os seis campi da universidade. Além de investimentos na biblioteca virtual, pontos de acesso à internet, segurança de dados da universidade, switches de rede para conectividade e fortalecimento do curso de Enfermagem, no campus de Parauapebas.

Paralelamente, a universidade tenta buscar meios para a permanência dos estudantes e conseguiu, junto ao MEC, um reforço de R$ 8 milhões destinados à assistência estudantil, representando um aumento de 120% no valor para os auxílios, o que permitirá o atendimento de mais 600 alunos que estavam na lista de espera.

Vale ressaltar que a Ufra, assim como as demais universidades federais do Brasil, tem enfrentado, ao longo da última década, sucessivos cortes e contingenciamentos de recursos destinados à educação, somado às perdas inflacionárias. Esse cenário se evidenciou na Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2026, que previu um corte de R$ 488 milhões nos recursos discricionários das 69 universidades federais do Brasil.

A Gestão Superior permanece aberta ao diálogo constante com os estudantes, ouvindo suas denúncias e buscando alternativas e investimentos para que os problemas sejam sanados com a maior agilidade possível, garantindo um ambiente adequado para o desenvolvimento acadêmico.”

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