Cidades

Mãe de Yasmin Macedo publica carta aberta contra postura de advogada no júri: “Violência desnecessária”

Eliene Fontes repudiou a conduta da advogada do réu no Tribunal do Júri, que absolveu Lucas Magalhães do homicídio

Por Daniel Vinagre
28/08/2026 às 12:46 • 3 min

Foto: reprodução/ redes sociais

Eliene Fontes, mãe da jovem Yasmin Macedo, publicou na última quinta-feira (27) uma carta aberta direcionada à advogada de defesa de Lucas Magalhães de Souza. O posicionamento público ocorre dois dias após o encerramento do julgamento no Tribunal do Júri de Belém, que absolveu o empresário da acusação de homicídio e o condenou a 4 anos e 10 meses de reclusão em regime semiaberto apenas por porte ilegal e disparo de arma de fogo.

Na publicação, Eliene criticou a postura adotada pela banca defensiva durante os debates orais em plenário, acusando a profissional de apelar para teses pejorativas e desqualificações pessoais para atingir a honra da vítima, que não podia se defender.

Ataque à memória da vítima no plenário do júri

A manifestação da mãe de Yasmin destaca a dor da família ao presenciar a conduta da advogada no tribunal, classificando as argumentações como uma violência desnecessária contra a memória de uma jovem:

“No tribunal, ouvir uma mulher tentar culpabilizar Yasmin de uma forma tão baixa e cruel foi algo que jamais imaginei presenciar. Chamá-la de ‘bêbada’, reduzi-la a alguém ‘da noite’ e insinuar que sua vida era feita de farras não foi apenas uma estratégia de defesa. Para nós, foi uma violência desnecessária contra a memória de uma jovem que não está mais aqui para se defender”, escreveu Eliene Fontes.

A carta reforça que a tentativa de desqualificação moral ultrapassou os limites do direito de defesa e causou indignação entre as pessoas que acompanhavam a sessão plenária.

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Transformação em memorial digital

Diante do desfecho do processo criminal na primeira instância, Eliene anunciou que a página utilizada ao longo dos últimos anos para pedir punição aos responsáveis pelo desaparecimento e morte da filha passará por uma mudança. O perfil nas redes sociais deixará de se chamar “Justiça por Yasmin” e assumirá a função de memorial.

Resultado do julgamento

O julgamento de Lucas Magalhães de Souza, proprietário da lancha onde Yasmin foi vista com vida pela última vez em dezembro de 2021, terminou na noite de terça-feira (25). O Conselho de Sentença absolveu o réu dos crimes de homicídio e fraude processual.

A condenação ficou restrita ao porte ilegal de arma de fogo e ao disparo efetuado na embarcação durante a confraternização noturna. O juiz Homero Lamarão Neto somou as penas dos dois crimes de arma, fixando o total em 4 anos e 10 meses de reclusão e 300 dias-multa, com regime inicial semiaberto, permitindo ao acusado recorrer em liberdade.

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