Meio Ambiente

‘A meta de desmatamento zero poderá ser alcançada’, diz coordenadora do Inpe sobre a Mata Atlântica

Por Estado do Pará Online
03/06/2026 às 09:37 • 3 min

Os dados mais recentes de ambas as ferramentas confirmam a trajetória de desaceleração da perda de vegetação.

A coordenadora técnica do Atlas dos Remanescentes Florestais pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Silvana Amaral, afirmou que o bioma caminha de forma consistente para erradicar a perda de sua cobertura vegetal nativa. A declaração foi feita após a divulgação de dados que apontam que o desmatamento em florestas maduras da Mata Atlântica caiu 40% entre 2024 e 2025, atingindo o menor índice de toda a série histórica do monitoramento.

Segundo o levantamento realizado em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, a área devastada recuou de 14.366 hectares no período anterior para 8.668 hectares no balanço atual. Esta é a primeira vez em quatro décadas de acompanhamento contínuo que a perda anual de vegetação madura fica abaixo da marca de 10 mil hectares.

De acordo com a especialista, os resultados consolidados no 20º Atlas reforçam um padrão de desaceleração acentuada que vem se desenhando nos últimos anos, acumulando uma redução de 60% desde o período de 2020/2021.

As florestas maduras monitoradas representam os fragmentos mais antigos e preservados do ecossistema, correspondendo hoje a cerca de 12,4% da cobertura original do bioma.

O monitoramento diferencia rigidamente as florestas maduras das chamadas florestas secundárias, que são vegetações ainda em estágio inicial ou intermediário de regeneração após sofrerem episódios de degradação ou corte raso. Os trechos maduros protegidos caracterizam-se por manter uma estrutura ecológica consolidada, com árvores de grande porte e alta concentração de biodiversidade que nunca sofreram desmatamento recente.

Atualmente, a Mata Atlântica conserva apenas cerca de 24% de toda a sua cobertura florestal original espalhada pelo território nacional. Por conta dessa fragmentação, os dados técnicos gerados pelas plataformas de satélite servem como subsídio direto para a aplicação de sanções fiscais, orientação de políticas públicas de fiscalização e desenho de estratégias de reflorestamento por parte dos órgãos ambientais.

“A série histórica e o resultado de 2025 indicam um padrão de redução acentuada do desmatamento, o que nos permite acreditar que a meta de desmatamento zero poderá ser alcançada na Mata Atlântica”, destacou Silvana Amaral, ressaltando a importância do cumprimento rigoroso da Lei da Mata Atlântica (nº 11.428/2006).

Metodologia integrada e mapeamento em 17 estados

Publicado de forma ininterrupta desde 1989, o Atlas acompanha fragmentos florestais bem conservados com áreas superiores a três hectares, englobando o mapeamento de 17 estados brasileiros inseridos na área de aplicação da legislação especial do bioma. O trabalho de geoprocessamento identifica cicatrizes de desmatamento por meio de imagens de alta resolução espacial.

A metodologia funciona de maneira complementar ao sistema Prodes Mata Atlântica, outra ferramenta desenvolvida pelo Inpe no âmbito do Programa BiomasBR. Enquanto o Atlas foca na conservação dos ecossistemas maduros primários, o Prodes promove o mapeamento sistemático da supressão de qualquer tipo de vegetação nativa rasteira ou em transição no bioma.

A combinação das duas iniciativas tecnológicas amplia o entendimento das autoridades sobre as transformações territoriais na Mata Atlântica. Os dados mais recentes de ambas as ferramentas confirmam a trajetória de desaceleração da perda de vegetação, servindo de base científica para orientar as futuras ações de proteção e fiscalização em campo.

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