Cidades

Laudo contradiz versão de suicídio na morte da policial Gisele

Perícia identificou elementos que indicam a participação de uma segunda pessoa no caso; companheiro da vítima é réu por feminicídio

Por Ludmila Viana
04/09/2026 às 19:50 • 3 min

Um laudo complementar do Instituto de Criminalística de São Paulo concluiu que a hipótese de suicídio é incompatível com os elementos materiais analisados na investigação da morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana. O documento, assinado na última terça-feira (1º), aponta ainda que os vestígios encontrados são compatíveis com a intervenção de uma segunda pessoa.

Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, em 18 de fevereiro deste ano. Ele estava no imóvel, acionou o socorro e inicialmente relatou o caso às autoridades como suicídio. Posteriormente, o registro passou a ser tratado como morte suspeita. A família da soldado contestou a versão desde o início.

De acordo com o laudo, a análise dos padrões de manchas de sangue e de outros elementos encontrados no local não sustenta a hipótese de que Gisele tenha tirado a própria vida. O documento também afirma que a possibilidade de participação de uma segunda pessoa não foi contrariada pelos vestígios analisados.

Geraldo Neto foi preso em 18 de março, em São José dos Campos (SP), e permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista. Ele é réu no processo que apura a morte da então companheira por feminicídio.

Laudos necroscópicos realizados anteriormente já haviam apontado lesões na face e na região cervical da vítima, descritas como compatíveis com pressão digital e escoriação causada por unha.

Segundo o advogado da família, José Miguel Silva Junior, o novo resultado reforça conclusões apresentadas anteriormente pela perícia. Ele também afirmou que uma nova audiência está marcada para a próxima terça-feira (8), quando o réu deverá ser interrogado.

Ainda conforme informações apresentadas pela defesa da família, uma testemunha que morava próximo ao apartamento relatou ter ouvido um disparo às 7h28. O pedido de socorro feito por Geraldo Neto ao Copom ocorreu às 7h57.

O advogado também citou a existência de uma fotografia em que Gisele aparece com a arma na mão, registrada por socorristas, e afirmou que três policiais foram ao apartamento para realizar uma limpeza horas depois da ocorrência. As três mulheres já prestaram depoimento sobre o episódio.

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