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Júnior Rocha chama quadrangular do Paysandu de “Copa do Mundo”

Técnico destaca força da torcida, preparação psicológica e ajustes para os seis jogos decisivos da Série C

Por Kaio Rodrigues
04/09/2026 às 18:47 • 10 min
Júnior Rocha sobre sair do Paysandu: "Só se me mandarem embora"

Foto: Jorge Luís Totti/ Paysandu

“Agora vamos para nossa Copa do Mundo de seis jogos“. É assim que o técnico Júnior Rocha encara o quadrangular da Série C, etapa que começa na próxima segunda-feira (7) para o Paysandu. Depois de garantir a classificação, o treinador entende que tudo o que aconteceu anteriormente precisa servir de aprendizado para uma nova disputa.

“Tivemos uma semana forte de treinamento novamente. Primeiramente, temos que manter a intensidade, a organização e traçar as estratégias para o jogo de segunda. Todos os jogos serão muito difíceis, como foi o campeonato todo. Tivemos nove vitórias muito suadas, intensas, e a gente conseguiu essa classificação em uma Série C que talvez seja, ou foi, a primeira fase mais difícil de todas que já existiram”, destacou em entrevista à TV Cultura.

Paysandu finaliza preparação para decisão contra o Maringá
Jorge Luís Totti / Paysandu

“Mas agora resetou, zerou. O que passou, passou, e agora vamos para nossa Copa do Mundo de seis jogos, com tais condições como todas as outras equipes: de buscar o título. Obviamente, temos um diferencial muito grande, que é a força da nossa torcida. A atmosfera que é criada, seja no Mangueirão ou na Curuzu, é o nosso diferencial, juntamente com o que a gente vem fazendo com muita organização.”

A avaliação do treinador é de que o Paysandu precisa levar para a nova fase características que marcaram a campanha até aqui. Intensidade, organização, agressividade e capacidade de tomar boas decisões aparecem como pontos fundamentais para enfrentar os seis compromissos que podem colocar o clube de volta na Série B.

“Todos os atletas sabendo o que fazer, o que não fazer, a hora de fazer e a hora de não fazer, e aproveitar as nossas oportunidades. Ser um time sempre muito ofensivo, agressivo, agora com todos os atletas à disposição, inteiros, para a gente colocar a intensidade que marcou nessa primeira fase, nos títulos que tivemos, nos confrontos clássicos. A intensidade, organização, essa vontade, raça. A torcida vai nos apoiar, vamos ter o torcedor ao nosso lado e precisamos fazer merecer nossas vitórias.”

Para chegar preparado à nova etapa, Júnior Rocha também destaca o trabalho realizado fora das quatro linhas. O treinador explica que os departamentos do clube atuam de maneira integrada, enquanto ele mantém conversas individuais com os jogadores para entender dúvidas e trabalhar aspectos específicos.

“Eu tenho uma proximidade boa com os atletas e, no meu caso como treinador, preciso gerir bem todos os departamentos, e temos todos em sincronia. O departamento de psicologia tem total autonomia. A Taysse (Gomes) tem total liberdade com a gente. Ela escolhe o dia e horário para trabalhar dentro da nossa programação.”

“Nossos treinos estão sendo de manhã todos os dias, um ou outro de tarde quando o jogo é à noite. O treino de véspera é à tarde para dar um tempo maior de descanso, principalmente para dormir de manhã, acordar mais tarde. Eles já estão concentrados. Então, nossos departamentos trabalham em sincronia.”

O técnico também citou o trabalho individual feito com os atletas e a participação do departamento de análise de desempenho na preparação. A intenção é identificar detalhes que podem ser aprimorados sem perder aquilo que já funciona dentro da equipe.

“Obviamente, eu também converso individualmente com os atletas, dando os feedbacks, perguntando quais são as dúvidas. Temos o departamento de análise de desempenho, que me ajuda muito. Por exemplo, o Pedro Henrique e outros atletas foram nesta semana ao departamento para se estudar o que precisa melhorar para continuar fazendo o que veio fazendo bem.”

Jorge Luís Totti / Paysandu

“Às vezes, o exemplo de um serve para todos, principalmente em termos de comportamento: perde, pressiona, domínio orientado, de conduzir na hora certa, no primeiro texto de iniciação, em chegar longe, não ficar de cabeça baixa. Então, a gente tenta dar todo o aparato para o atleta entrar tranquilo.”

Um dos assuntos abordados por Júnior Rocha foi a derrota para o Maringá, na última rodada da primeira fase. O treinador entende que o andamento da partida poderia ter sido diferente caso o Paysandu tivesse aproveitado uma das oportunidades criadas no começo do confronto.

“Sobre a questão do jogo do Maringá, se a gente sair na frente seria um outro jogo, porque tivemos domínio, quatro chances, e cada jogo é uma história. Se você sair na frente, muda totalmente a história do jogo. Mas, da feita que você não faz o gol ali no início, o jogo começa a ficar nervoso, tenso, porque todo mundo espera outros resultados. Todos queriam saber os outros resultados, inclusive os atletas no banco, que foi o que aconteceu no nosso jogo no segundo tempo. Eu também achei que nosso time teve muitas tomadas de decisões que não víamos errando, mas cada jogo é uma história, o momento é diferente.”

O comandante também afastou a ideia de que o elenco teria sentido a pressão daquela partida. Para ele, a experiência acumulada pelos jogadores durante a carreira e o trabalho realizado internamente dão condições para o grupo lidar com o ambiente do quadrangular.

“O jogo contra o Maringá foi algo bem mais leve que o Re-Pa. Então, cada jogo é uma história. Quem vai dizer que os caras sentiram o jogo do Maringá, sendo que fizeram grandes jogos contra o Remo? Mas a gente vem trabalhando os atletas. Essas questões anímicas, psicológicas, são atletas forjados a isso. Não chegaram agora do nada. Eles vêm a carreira inteira sendo cobrados dessa maneira, sendo exigidos. Então, eu não tenho dúvida que eles dão conta do quadrangular, vão estar fortes, bastante psicologicamente, para suportar a cobrança, a atmosfera da torcida.”

Júnior Rocha ainda aproveitou para esclarecer uma situação que ganhou repercussão nas redes sociais após o jogo contra o Maringá. Segundo ele, não houve um “esporro” nos jogadores na saída do campo, mas uma cobrança relacionada à postura diante dos torcedores que compareceram ao estádio.

“É até bom esse fato vir à tona porque, nas redes, alguns meios de comunicação falaram que eu dei um esporro nos atletas na saída, e eu vou falar exatamente o que eu falei para eles. Quando eu reuni eles no meio, eu falei assim que nós iríamos, nós todos, e tínhamos o dever de sair aplaudindo o torcedor, porque o torcedor foi ao estádio e fez a parte dele, e nós não fizemos a nossa. Então, tínhamos que sair dali aplaudindo o torcedor. Foi a única coisa que eu falei.”

Outro ponto reconhecido pelo treinador são as oscilações naturais durante uma competição longa. Para ele, o desafio agora é transformar os aprendizados da primeira fase em equilíbrio para evitar que os momentos ruins comprometam a campanha.

“Sobre as oscilações, é natural. Se não, nós iríamos ganhar todos os jogos e iríamos estar da primeira rodada até a última do primeiro lugar. Então, vamos oscilar. São seres humanos. Às vezes, os atletas não vão estar bem no dia, assim como acontece com profissionais de outras áreas.”

Ténico do Paysandu comandando o time à beira do gramado.
Foto: Jorge Luís Totti / Paysandu

“Agora, temos que achar o equilíbrio. A gente aprendeu na primeira fase o que tem que fazer, o que não tem que fazer, o que melhorar, o que está bom. Vamos continuar exercendo, executando, mas temos que achar o equilíbrio e fazer um grande quadrangular para premiar o nosso torcedor com a volta à Série B.”

A questão ofensiva também apareceu na análise do treinador, principalmente sobre a dificuldade para transformar as jogadas em chances efetivas no último terço do campo. Júnior Rocha ressaltou que a situação não é exclusiva do Paysandu e envolve também a evolução dos sistemas defensivos e dos goleiros.

“Existem vários movimentos durante o jogo e um deles é esse último terço, que é o acabamento da jogada. Esse problema não é só nosso. Eu assisto Série A, Série B, Série C e Série D. Eu vi São José e Goiatuba, assim como vi Náutico e Botafogo de Ribeirão Preto, assim como eu assisti o Gre-Nal, Palmeiras e Santos e todos os tipos de jogos europeus. E não é só problema do Paysandu. Porque, além de ter o adversário se defendendo muito bem, o grande desafio hoje para o treinador é essa questão ofensiva: as jogadas precisam ser sincronizadas, jogadas de uma maneira que a gente consiga dar as ferramentas para os atletas criarem grandes jogadas. Esse é o grande desafio nosso.”

Para Júnior Rocha, a tomada de decisão na parte final das jogadas exige concentração e qualidade técnica. O treinador utilizou justamente um lance do último jogo para exemplificar como uma oportunidade pode envolver tanto o erro do atacante quanto a qualidade do goleiro adversário.

“Aí chega no último terço, tem um remate. Não é fácil. Não é à toa que naquele setor onde os jogadores mais ganham dinheiro, os mais caros jogam ali, porque tem sempre goleiros bons. Os goleiros hoje treinam demais, estão cada vez mais rápidos e ágeis, mais eficientes. E eu digo para vocês que não é só o nosso problema. O nosso desafio é sempre fazer com que o jogador chegue no último terço, e a tomada de decisão é o fino. Depende do nível de decisão, do nível de concentração, da qualidade do atleta de colocar a bola para dentro. Eu, olhando o jogo contra o Maringá, a primeira grande chance foi nossa, com o Kleiton (Pego), e o goleiro fez uma grande defesa. E aí entra o demérito do Kleiton, mas e o mérito do goleiro?”

Jorge Luís Totti / Paysandu

Além dos ajustes individuais e coletivos, o Paysandu também ganhou alternativas para mudar a forma de jogar ao longo da competição. As novas contratações, segundo o treinador, ampliaram as possibilidades de variação tática para a fase decisiva.

“Temos nossas variações. As novas contratações nos deram ferramentas para variar. Não tenha dúvida que variar o esquema tático é sempre bom.”

Agora, com seis partidas pela frente e o acesso à Série B como principal objetivo, Júnior Rocha tenta levar para o quadrangular a experiência acumulada durante a primeira fase. A estreia será contra o Brusque, na segunda-feira (7), às 18h, no Mangueirão.

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