Mais de dois meses após o desaparecimento do bebê José Arthur, de apenas 1 ano e 6 meses, em Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará, a família segue em busca de respostas sobre o paradeiro da criança. O caso, que mobilizou moradores da região e ganhou repercussão em todo o estado, entrou em uma nova fase com a mudança na equipe jurídica que acompanha as investigações.
Em entrevista ao Estado do Pará Online (EPOL), o novo advogado da família, Elisson Araújo, afirmou que as investigações continuam em andamento e que novas medidas foram solicitadas às autoridades responsáveis pelo caso.
“Estou adotando todas as medidas cabíveis, correndo contra o tempo, acompanhando os fatos, buscando informações e cobrando das autoridades maior agilidade nas diligências necessárias”, declarou.
Segundo o advogado, os aparelhos celulares apreendidos durante as investigações seguem passando por perícia técnica detalhada. Ele também confirmou que novos requerimentos foram apresentados recentemente ao delegado responsável pelo caso, mas afirmou que parte das informações permanece sob sigilo para não comprometer o andamento das apurações.
Informação sobre possível criança em outro estado é analisada
Durante a entrevista, Elisson Araújo revelou que uma nova informação recebida pela defesa passou a integrar os pedidos feitos à Polícia Civil. Segundo ele, uma mulher teria relatado ter visto uma criança semelhante a José Arthur em outro estado.
O advogado, no entanto, evitou dar detalhes sobre a possível localização ou sobre a identidade da pessoa que fez o relato.
“Também tivemos informações de uma senhora que viu uma criança semelhante ao José Arthur em outro estado. Não posso falar detalhes neste momento porque tudo está sob sigilo”, afirmou.
Ainda de acordo com a defesa, a prisão preventiva dos dois suspeitos investigados no caso foi prorrogada até o dia 10 de junho.
Investigação segue sob sigilo
A Polícia Civil informou que mais de 25 pessoas já foram ouvidas ao longo das investigações. Os celulares dos moradores da residência onde o bebê desapareceu também foram apreendidos e submetidos à perícia.
Dois homens seguem presos preventivamente suspeitos de possível envolvimento no desaparecimento: Roselândio Castro de Almeida e Evandro Firmino da Silva. Informações obtidas com exclusividade pelo EPOL apontam que um dos suspeitos era vizinho da família e frequentava frequentemente a residência onde o bebê morava. O outro investigado também já teria morado próximo à família anteriormente.

O inquérito segue sob sigilo e é conduzido pela Superintendência Regional de Carajás. O Ministério Público do Estado do Pará acompanha o caso.
A Polícia Civil afirma que o principal objetivo das investigações continua sendo localizar a criança com vida.
Família relata sofrimento desde o desaparecimento
Em abril, familiares de José Arthur falaram pela primeira vez ao EPOL sobre o impacto emocional causado pelo desaparecimento do bebê. Na ocasião, a tia da criança, Célia, descreveu o momento vivido pela família como “um verdadeiro pesadelo”.
“Nossa vida virou de cabeça para baixo. A gente nunca imaginou viver algo assim”, relatou.
Segundo ela, os parentes convivem diariamente com a angústia da falta de respostas e da ausência de informações concretas sobre o paradeiro da criança.
“A gente não sabe onde ele está, com quem está, quem pegou. Isso é perturbador para toda a família”, afirmou na época.
A familiar também contou que vários membros da família interromperam atividades pessoais e profissionais para acompanhar as buscas e cobrar respostas das autoridades.
Relembre o caso
José Arthur desapareceu no dia 26 de março, por volta das 17h, enquanto brincava em frente à casa da família, na Vila Peruana, em Eldorado do Carajás.
Nos primeiros dias, equipes da Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, voluntários e moradores realizaram buscas intensivas na região. As operações contaram com drones, cães farejadores e varreduras em áreas de mata e proximidades de rios.
Após dias de buscas sem resultados, os trabalhos presenciais foram encerrados e a investigação passou a se concentrar exclusivamente na análise técnica e investigativa. As autoridades seguem investigando as circunstâncias do desaparecimento.
Defesa pede responsabilidade nas informações
Durante a entrevista ao EPOL, o advogado da família também pediu cautela na divulgação de informações falsas relacionadas ao caso e reforçou a importância de denúncias verdadeiras.
“É importante evitar a propagação de notícias falsas que acabam dificultando o andamento das investigações”, declarou.
Ele ainda fez um apelo para que a população continue ajudando e mantendo esperanças pelo reencontro da criança com a família.
“Continuem orando para que em breve nós tenhamos uma notícia maravilhosa, que é o retorno do pequeno José Arthur”, concluiu.
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