Motoristas de aplicativo protestam contra PL 152 em Belém - Estado do Pará Online

Motoristas de aplicativo protestam contra PL 152 em Belém

Entre os principais pontos da PL está o valor de R$ 8,50 por corrida em trajetos curtos, enquanto representantes da categoria defendem o piso de R$ 10

Motoristas e entregadores por aplicativo realizaram uma paralisação na manhã desta terça-feira (14), em Belém, como parte de uma mobilização nacional contra o Projeto de Lei Complementar (PLP) 152, que trata da regulamentação da categoria. O ato ocorre simultaneamente à análise da proposta na Câmara dos Deputados.

Projeto gera reação da categoria

O PLP 152 propõe a regulamentação do trabalho de motoristas e entregadores por aplicativo no Brasil. Entre os principais pontos do texto está a criação da figura do “autônomo plataformizado”, modelo que não prevê vínculo empregatício pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A proposta garante liberdade para que o profissional organize sua própria jornada e atue em mais de uma plataforma. No entanto, trabalhadores criticam a medida por entenderem que ela pode reduzir direitos trabalhistas.

Durante a mobilização, um dos manifestantes relatou dificuldades enfrentadas pela categoria.
“A gente já é prejudicado pelo trânsito, pela violência, pelos órgãos de trânsito e pela própria plataforma”, afirmou.

Remuneração é um dos principais pontos de crítica

Outro ponto de contestação é a remuneração mínima prevista no projeto.O texto estabelece o valor de R$ 8,50 por corrida em trajetos curtos, de até 3 km para carros e 4 km para motos ou bicicletas, enquanto representantes da categoria defendem o piso de R$ 10.

Apesar disso, o projeto determina que o valor por hora trabalhada não poderá ser inferior ao equivalente proporcional a dois salários mínimos, considerando o período entre o aceite e a finalização da corrida.

A proposta também prevê a divisão da renda, em que 25% são considerados ganhos do trabalhador e 75% destinados a custos operacionais, como combustível e manutenção. Além disso, as plataformas poderão reter até 30% do valor pago pelo usuário, ou 15% em modelos de taxa fixa.

Reivindicações dos trabalhadores

Durante os protestos, os motoristas e entregadores apresentaram uma série de reivindicações, entre elas:

  • remuneração justa por quilômetro e tempo
  • garantia de corrida mínima
  • redução da taxa das plataformas para até 20%
  • manutenção da atuação da Justiça do Trabalho
  • reconhecimento da categoria como Motorista por Aplicativo de Transporte (MAT)

Mudanças ampliam insatisfação

A versão mais recente do projeto também gerou novas críticas por parte da categoria. Entre as alterações apontadas estão:

  • retirada do adicional noturno
  • exclusão de gratificação de 30% no fim do ano (semelhante ao 13º salário)
  • fim do limite de jornada de 12 horas diárias

Os trabalhadores afirmam que essas mudanças ampliam a precarização das condições de trabalho.

A mobilização segue ao longo do dia, enquanto o projeto continua em análise no Congresso Nacional.

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