Mais de um mês após o desaparecimento do bebê José Arthur, de 1 ano e 6 meses, em Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará, a família segue sem respostas concretas e relata sofrimento diante da falta de informações. Em entrevista exclusiva ao Estado do Pará Online (EPOL), a tia da criança, Célia, descreveu o impacto da ausência do menino e cobrou maior rapidez nas investigações.
Segundo a familiar, o período sem notícias tem sido marcado por angústia, incertezas e uma sensação constante de desespero. “A gente não tem nenhum tipo de informação de onde ele está, com quem está, quem pegou. Isso é uma coisa perturbadora para toda a família”, relatou. Ela afirma que, desde o desaparecimento, ocorrido no dia 26 de março, a rotina dos parentes foi completamente alterada, com interrupção de atividades e dedicação integral à busca por respostas.
“Nossa vida virou de cabeça para baixo. A gente nunca imaginou viver algo assim. É um verdadeiro pesadelo”, disse.
A tia também contou que precisou interromper estudos e compromissos pessoais para acompanhar o caso mais de perto, enquanto outros membros da família chegaram a suspender o trabalho nos primeiros dias após o sumiço. Além da dor pela ausência do bebê, ela relata que os familiares ainda enfrentam pressão emocional, julgamentos e até ameaças. “São muitas perguntas sem resposta, e ainda temos que lidar com falatórios”, afirmou.
Sobre a atuação das autoridades, a familiar reconhece que a Polícia Civil segue investigando, mas cobra mais agilidade e comunicação com a família. “A gente quer informação. Fica dias sem saber de nada, e para quem está vivendo isso, cada dia é uma eternidade”, destacou. Ela também defende o reforço nas investigações, com maior envolvimento de outros órgãos, diante do tempo já decorrido sem respostas concretas.
Atualmente, a principal expectativa da família está nos resultados das perícias realizadas em celulares apreendidos durante a investigação. Segundo ela, as informações repassadas até agora são limitadas e o que se sabe é que dois suspeitos seguem presos e continuam sendo investigados. O inquérito corre sob sigilo, e a Polícia Civil já ouviu dezenas de pessoas ao longo do último mês.
Dois suspeitos continuam presos preventivamente e foram identificados como Roselândio Castro de Almeida e Evandro Firmino da Silva. Segundo as autoridades, ambos frequentavam a casa onde José Arthur vivia.
Os aparelhos celulares apreendidos foram devolvidos na última sexta-feira (24), e o resultado das análises deve ser divulgado nos próximos dias. Em nota, a Polícia Civil declarou que cerca de 27 pessoas já foram ouvidas oficialmente e que perícias foram solicitadas para auxiliar na elucidação dos fatos. Os laudos técnicos serão anexados ao inquérito assim que concluídos.
Durante as primeiras semanas, equipes de segurança realizaram buscas intensivas na região, com apoio de drones, cães farejadores, mergulhadores e outros recursos, percorrendo áreas de mata e margens de rio, mas o paradeiro da criança ainda não foi localizado. Diante da falta de respostas, a família mantém o apelo por informações e reforça o pedido por justiça.
Informações que possam ajudar no caso podem ser repassadas de forma anônima por meio do Disque-Denúncia, no número 181.
“A gente só quer saber onde ele está, com quem está e por que fizeram isso”, concluiu a tia.
Leia também:











Deixe um comentário