UFRA adia eleições mesmo com decisão judicial e enfrenta denúncias sobre contratos milionários e gestão - Estado do Pará Online

UFRA adia eleições mesmo com decisão judicial e enfrenta denúncias sobre contratos milionários e gestão

Universidade alega necessidade de regulamentação do MEC após nova lei; enquanto isso, comunidade aponta crise administrativa, falta de recursos e questionamentos do TCU

Reprodução/Redes Sociais

A Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) enfrenta um impasse institucional que envolve a suspensão do processo eleitoral para reitor, mesmo após decisão judicial que determinou a realização das eleições até maio de 2026. Paralelamente, denúncias sobre contratos milionários, falta de transparência e dificuldades estruturais ampliam a pressão sobre a atual gestão da instituição.

A administração superior da UFRA informou, em nota oficial enviada à comunidade acadêmica no dia 7 de abril de 2026, que decidiu aguardar a regulamentação do Ministério da Educação (MEC) antes de dar continuidade ao processo eleitoral. A justificativa se baseia na publicação da Lei nº 15.367, de 30 de março de 2026, que alterou o rito de escolha de reitores e vice-reitores nas instituições federais de ensino. Segundo a universidade, a medida busca garantir “segurança jurídica, transparência e legitimidade institucional”.

No entanto, a decisão contrasta com uma sentença judicial já existente que determina a realização das eleições até maio deste ano. Até o momento, não há confirmação pública de que o cronograma será cumprido, e a instituição afirma que ainda aguarda resposta de um ofício encaminhado ao MEC solicitando orientações sobre a aplicação da nova legislação.

Enquanto o processo eleitoral permanece indefinido, relatos apontam uma deterioração nas condições administrativas da universidade. Segundo denúncias encaminhadas com exclusividade ao Estado do Pará Online (EPOL), há falta generalizada de recursos e uma gestão temporária considerada ineficaz, o que estaria impactando diretamente o funcionamento da instituição.

Além da crise institucional, documentos indicam movimentações financeiras relevantes em contratos recentes. Um dos processos analisados, de número 23084.006124/2026-69, trata da primeira medição de material e peças de reposição para sistemas de refrigeração, referente a março de 2026, no valor de R$ 619.901,94, apenas em insumos, sem considerar custos de mão de obra, que constam em processo paralelo (23084.006119/2026-56).

Outro ponto de questionamento envolve um processo licitatório de grande porte que passou a ser analisado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). De acordo com os dados apresentados, uma proposta mais econômica, no valor de R$ 9.431.999,88, teria sido desclassificada por ausência de documentação considerada sanável. A proposta vencedora foi contratada por R$ 9.886.188,00, dentro de um processo inicialmente estimado em R$ 12.801.103,86.

A diferença entre as propostas ultrapassa R$ 450 mil anuais e levanta questionamentos sobre a condução do processo. A análise aponta ainda possíveis distorções nos critérios de habilitação econômico-financeira, que teriam sido baseados em valores superiores à necessidade real anual do contrato, estimada em cerca de R$ 3,6 milhões. O caso segue sob análise do TCU, que solicitou esclarecimentos à universidade.

Diante desse cenário, a UFRA enfrenta simultaneamente questionamentos sobre sua condução administrativa, a legalidade de seus processos licitatórios e a indefinição de sua gestão futura, em meio a um processo eleitoral que permanece sem data definida. A reportágem do EPOL entrou em contato com a instituição questionando o caso, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta. O espaço segue aberto para esclarecimentos

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