Projeto que reduz jornada e mira fim da escala 6x1 deve ter impacto limitado em parte das profissões; Saiba mais - Estado do Pará Online

Projeto que reduz jornada e mira fim da escala 6×1 deve ter impacto limitado em parte das profissões; Saiba mais

Proposta do governo prevê 40 horas semanais e dois dias de descanso, mas trabalhadores fora da CLT e com regimes específicos tendem a não sentir mudanças imediatas

O projeto de lei enviado pelo presidente Lula (PT) à Câmara dos Deputados, com tramitação em regime de urgência, propõe a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e a criação de dois dias de descanso remunerado por semana. 

A medida busca alterar a Consolidação das Leis do Trabalho e é tratada pelo governo como uma tentativa de modernização das relações de trabalho e de enfrentamento à lógica da escala 6×1.

O que muda com o projeto
• Jornada semanal passa de 44 para 40 horas
• Criação de dois dias de descanso remunerado por semana
• Manutenção da jornada diária de até 8 horas
• Proibição de redução salarial com a mudança
• Negociação coletiva mantida, mas limitada ao novo teto

Apesar do alcance amplo, a proposta não deve impactar de forma direta todos os trabalhadores. 

Especialistas apontam que categorias fora do regime celetista ou com jornadas já diferenciadas tendem a manter suas rotinas, ao menos no curto prazo.

Quem não deve ser impactado diretamente

Trabalhadores autônomos
Advogados, artistas, profissionais PJ e MEI, que não seguem as regras da CLT

Trabalhadores informais
Motoristas e entregadores de aplicativo, ambulantes e parte da construção civil

Profissionais com escalas especiais
Médicos, professores, engenheiros, consultores e trabalhadores da comunicação e tecnologia

Servidores públicos
Regidos por estatutos próprios e, em geral, com jornadas já limitadas a 40 horas semanais

Mesmo com essas exceções, o projeto tem potencial de afetar a maioria dos trabalhadores com carteira assinada. 

Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), indicam que  74% dos celetistas ainda cumprem jornadas de 44 horas semanais, especialmente em setores como indústria, comércio, hotelaria e alimentação.

O texto mantém a possibilidade de negociação coletiva, mas estabelece o limite máximo de 40 horas semanais como regra geral. Também preserva modelos como a escala 12×36, desde que respeitada a média mensal equivalente ao novo teto.

A proposta tramita paralelamente a outras iniciativas no Congresso, como a PEC 8/2025 e a PEC 221/2019, que tratam da redução da jornada sob perspectivas distintas. Ainda não há definição sobre qual texto deve avançar.

Caso aprovada, a nova regra terá vigência imediata, com previsão de transição gradual. No curto prazo, o impacto será concentrado nos trabalhadores formais regidos pela CLT, enquanto outros segmentos devem seguir operando sob suas próprias dinâmicas de trabalho.