A Polícia Científica do Pará informou na quarta-feira (22) que finalizou o laudo técnico da arma de eletrochoque utilizada nas agressões contra um homem em situação de rua, em Belém. O material já foi encaminhado à Polícia Civil, responsável pela investigação do caso. O laudo segue em sigilo e será usado pela PC no seguimento do caso.
As agressões ocorreram no dia 13 de abril e ganharam repercussão após vídeos circularem nas redes sociais. Nas imagens, dois estudantes de Direito aparecem atacando a vítima e rindo durante a ação.
Segundo as investigações, os envolvidos foram identificados como Altemar Sarmento Filho, apontado como autor dos disparos com o equipamento, e Antônio Coelho, que teria filmado as cenas.
Em nota, a Polícia Científica informou ainda que, até o momento, não recebeu os celulares dos investigados para perícia técnica, o que pode auxiliar no aprofundamento das apurações.
Os vídeos mostram Altemar se aproximando por trás e aplicando o choque nas costas do homem, que reage cambaleando. Antônio Coelho aparece registrando a cena e rindo da situação.
As gravações teriam ocorrido em pelo menos duas ocasiões na avenida Alcindo Cacela, nas proximidades da instituição particular onde os dois estudam.
Outro vídeo, registrado em fevereiro, também mostra agressão contra o mesmo homem, desta vez com o uso de um extintor de incêndio em frente ao prédio da faculdade.
De acordo com testemunhas, Antônio Coelho costumava exibir o equipamento dentro da universidade e desafiar colegas a receber choques mediante pagamento. Altemar também participaria dessas ações.
O caso chegou à polícia após dois entregadores por aplicativo presenciarem uma das agressões e seguirem os suspeitos até a universidade, onde houve confusão.
Os dois estudantes prestaram depoimento no dia 14 de abril, acompanhados de advogados, e foram liberados após serem ouvidos.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou que acompanha o caso e afirmou que episódios desse tipo refletem problemas estruturais, como a aporofobia — discriminação contra pessoas em situação de pobreza.
Já o Cesupa informou ter afastado cautelarmente os alunos envolvidos e instaurado Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos no âmbito acadêmico.
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