Política

PF mira ex-prefeito, ex-secretário e policiais em operação contra lavagem de R$ 7,6 bilhões no Rio

Por Estado do Pará Online
07/07/2026 às 10:18 • 3 min

Foto: Divulgação

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (7), a sexta fase da “Operação Unha e Carne” para desarticular uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavagem de dinheiro, com a participação de agentes públicos.

Entre os alvos das buscas estão Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado indicado pelo pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro pelo União Brasil, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. Outros agentes da ativa da corporação também são investigados.

Operação cumpre 19 mandados

Ao todo, policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense.

A Justiça também autorizou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas vinculadas ao grupo investigado.

Segundo a Polícia Federal, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. O valor consta em relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, encaminhado aos investigadores.

Miliciano e inspetor estão entre os alvos

Outro alvo da operação é o ex-policial militar Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura. Ele foi citado no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, divulgado em 2008, como chefe de um grupo paramilitar que atuava em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

No ano seguinte, Juracy foi condenado e preso por homicídio e associação criminosa.

Também foi alvo de buscas o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, que integrou equipes comandadas por Marcus Amim em diferentes delegacias.

De acordo com dados citados pela investigação, Pablo seria proprietário, por meio de pessoas interpostas, de uma rede de postos de combustíveis. Mais de 80 empresas, entre ativas e inativas, estariam ligadas a parentes do policial.

Crimes investigados

Além de organização criminosa, os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. Outras infrações poderão ser identificadas ao longo das investigações.

A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro. A iniciativa segue diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, conhecida como ADPF das Favelas.

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