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PF indicia presidente da Voepass e mais 15 pessoas por acidente aéreo que matou 62 pessoas em Vinhedo

Investigação concluiu que aeronave decolou sem condições técnicas para enfrentar gelo severo; Ministério Público Federal decidirá sobre denúncia

Por Ludmila Viana
06/08/2026 às 21:43 • 2 min

Reprodução/PF

A investigação da Polícia Federal sobre a queda do avião da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, concluiu que a aeronave não reunia condições técnicas para realizar o voo. Com o encerramento do inquérito, divulgado nesta quinta-feira (6), 16 pessoas ligadas à companhia aérea foram indiciadas, entre elas o presidente da empresa, José Luiz Felício Filho.

Segundo a PF, 15 investigados responderão por atentado contra a segurança do transporte aéreo, enquanto um comandante foi indiciado por falsidade ideológica. A Justiça Federal também determinou que os envolvidos não deixem o país, ou retornem ao Brasil caso estejam no exterior, até que o Ministério Público Federal decida se apresentará denúncia.

Aeronave operava com falhas técnicas

De acordo com a investigação, a aeronave enfrentou condições severas de formação de gelo mesmo com equipamentos indispensáveis para esse tipo de operação fora de funcionamento, como o sistema de degelo e o limpador do para-brisa. Ainda assim, o voo foi autorizado pela companhia.

Os investigadores também afirmam que falhas semelhantes já haviam sido registradas em voos anteriores, mas deixavam de ser comunicadas oficialmente. Conforme a PF, pilotos eram orientados a não registrar os problemas para evitar que o avião fosse retirado de operação e passasse por manutenção.

Além do presidente da Voepass, foram indiciados profissionais ligados às áreas de manutenção, operações, segurança operacional e controle de voos, além de um mecânico e do comandante responsável pelo voo realizado antes do acidente.

Durante a apresentação do inquérito, o delegado André Ribeiro, chefe da Polícia Federal em Campinas, afirmou que a investigação identificou uma cultura de omissão dentro da companhia. Segundo ele, as falhas não se restringiam aos funcionários da operação, mas faziam parte da gestão da empresa.

Representantes das famílias das vítimas acompanharam a divulgação do resultado e classificaram a atuação da empresa como criminosa. Os advogados da associação informaram que pretendem ingressar com uma ação coletiva por danos morais contra a Voepass.

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