Cidades

PF faz operação contra grupo suspeito de desmatamento químico no Pará; danos ambientais chegam a R$ 469 milhões

Investigações apontam destruição de mais de 10 mil hectares de floresta nativa em Uruará; mandados foram cumpridos no Pará, Paraná e Rio Grande do Sul

Por Estado do Pará Online
04/08/2026 às 15:24 • 2 min
Investigações apontam destruição de mais de 10 mil hectares de floresta nativa em Uruará; mandados foram cumpridos no Pará, Paraná e Rio Grande do Sul

Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (4), uma operação para desarticular um grupo suspeito de promover desmatamento químico em áreas de floresta nativa no município de Uruará, no sudoeste do Pará. Segundo as investigações, os danos ambientais causados pelo esquema são estimados em R$ 469 milhões.

Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e três medidas cautelares nos estados do Pará, Paraná e Rio Grande do Sul. A ação busca reunir novas provas, interromper as atividades do grupo investigado e garantir a futura reparação dos danos ambientais.

De acordo com a Polícia Federal, o grupo utilizava herbicidas lançados sobre a vegetação nativa para provocar a morte da floresta, prática conhecida como desmatamento químico. Em seguida, as áreas degradadas eram convertidas em pastagens para exploração econômica.

Laudos periciais produzidos pela PF apontam que aproximadamente 10.180 hectares de floresta nativa foram degradados por meio dessa técnica em assentamentos federais localizados em Uruará. A área devastada equivale a mais de 14 mil campos de futebol.

As investigações também revelaram que, após a morte da vegetação, cerca de 5.794 hectares passaram por desmatamento por corte raso, permitindo a implantação de áreas destinadas à pecuária.

Segundo a Polícia Federal, o esquema era estruturado e envolvia diversas etapas, desde a aquisição dos produtos químicos até estratégias para ocultar informações ambientais e dificultar a atuação dos órgãos de fiscalização.

Além da coleta de provas, as medidas judiciais buscam impedir a continuidade dos crimes ambientais e assegurar condições para a responsabilização dos envolvidos e a recuperação das áreas degradadas.

Os investigados poderão responder por crimes ambientais, uso irregular de substâncias tóxicas, fraude em procedimentos ambientais e associação criminosa, além de outros delitos que venham a ser identificados durante o andamento das investigações.

A Polícia Federal informou que, por enquanto, os nomes dos suspeitos não serão divulgados para não comprometer o andamento das apurações.

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