Brasil

Pedidos de refúgio no Brasil crescem 11% em 2025, aponta Acnur

Por Estado do Pará Online
21/06/2026 às 10:29 • 3 min

Tânia Rêgo/Agência Brasil

O número de pedidos de refúgio no Brasil aumentou 11% em 2025, segundo dados divulgados pela Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). O crescimento acompanha a tendência observada em todo o continente americano, que se tornou a região com o maior número de deslocamentos forçados no mundo.

Neste sábado (20), quando é celebrado o Dia Mundial do Refugiado, a Acnur destacou que o Brasil também avançou na implementação de políticas voltadas ao acesso à permanência legal, emprego, serviços essenciais e inclusão social para pessoas refugiadas.

Américas concentram maior número de deslocados

De acordo com a agência, as Américas passaram a liderar o número de pessoas em situação de deslocamento forçado, com 22,8 milhões de refugiados. A maior parte é composta por venezuelanos acolhidos em países da América Latina e do Caribe.

Embora o total global de pessoas deslocadas à força tenha registrado a primeira queda em mais de uma década, ainda são mais de 117 milhões de pessoas nessa condição.

“O mundo fez uma promessa de proteger quem foge de conflitos, violência e perseguição. Hoje, a comunidade internacional está falhando com milhões dessas pessoas”, afirmou o representante da Acnur no Brasil, Davide Torzilli.

Segundo ele, além da assistência humanitária, é necessário ampliar políticas que garantam autonomia aos refugiados, como acesso ao mercado de trabalho, reconhecimento de diplomas, qualificação profissional e ações de inclusão.

Desafios vão além do acolhimento

Apesar dos avanços nas políticas brasileiras, entidades que atuam com refugiados apontam que ainda existem obstáculos para a integração dessas pessoas ao país.

Segundo a coordenadora-geral da PARES Cáritas, Aline Thuler, um dos principais desafios é a inserção no mercado de trabalho. Muitos refugiados possuem formação universitária e experiência profissional, mas enfrentam dificuldades para validar diplomas e exercer suas profissões no Brasil.

Ela também alerta que a falta de oportunidades aumenta a vulnerabilidade dessa população à exploração e até ao trabalho análogo à escravidão.

Feira reúne cultura e histórias de refugiados

A data é celebrada no Rio de Janeiro com a realização da feira Rio Refugia, que acontece neste fim de semana no Sesc Tijuca. O evento reúne refugiados de nove países, entre eles Venezuela, Síria, Angola, Nigéria, Irã, Cuba, Líbano, República Democrática do Congo e Colômbia.

Além da gastronomia, artesanato e apresentações culturais, a programação busca aproximar o público das histórias de pessoas que reconstruíram suas vidas no Brasil.

Neste ano, a campanha da Acnur para o Dia Mundial do Refugiado traz o lema “Até Cada Pessoa Estar a Salvo”, incentivando especialmente os jovens a defenderem o direito ao asilo e à proteção internacional.

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