Pará tem 145 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, aponta Dieese - Estado do Pará Online

Pará tem 145 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, aponta Dieese

Levantamento divulgado às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil revela que mais de 40 mil crianças de até 13 anos exerciam atividades proibidas por lei em 2024.

Levantamento divulgado às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil revela que mais de 40 mil crianças de até 13 anos exerciam atividades proibidas por lei em 2024.
Divulgação/MPT

Às vésperas do Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, celebrado em 12 de junho, um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA) revelou que aproximadamente 145 mil crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos estavam em situação de trabalho infantil no Pará em 2024.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (10) e têm como base os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Anual, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo aponta que mais de 40 mil crianças com idade entre 5 e 13 anos estavam inseridas em atividades laborais, apesar de a legislação brasileira proibir qualquer tipo de trabalho nessa faixa etária.

Segundo o levantamento, o Pará possuía cerca de 1,88 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos no ano passado. Desse total, aproximadamente 1,74 milhão estavam fora da condição de trabalho infantil, enquanto 145 mil foram identificados em situações enquadradas pelos critérios utilizados pelo IBGE e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A pesquisa considera não apenas atividades remuneradas, mas também ocupações perigosas, trabalho voltado ao autoconsumo, atividades informais e as chamadas piores formas de trabalho infantil, classificadas por representarem riscos à saúde, à segurança e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Os números mostram que a incidência do trabalho infantil aumenta conforme a idade. Entre os casos registrados no Pará, cerca de 71 mil envolviam adolescentes de 16 e 17 anos. Outros 32 mil estavam na faixa de 14 a 15 anos. Já entre crianças de 5 a 13 anos, foram identificados aproximadamente 42 mil casos.

Para o Dieese, a presença de menores de 14 anos em atividades laborais é um dos aspectos mais preocupantes do levantamento. A legislação brasileira permite a contratação apenas na condição de aprendiz a partir dos 14 anos. Segundo especialistas, o ingresso precoce no mercado de trabalho pode comprometer o desempenho escolar, aumentar os índices de evasão e dificultar a quebra dos ciclos de pobreza.

O estudo também aponta que cerca de 95 mil crianças e adolescentes paraenses declararam exercer algum tipo de ocupação em 2024. Desse total, aproximadamente 60 mil tinham entre 16 e 17 anos, 21 mil estavam na faixa de 14 a 15 anos e outros 14 mil possuíam entre 5 e 13 anos.

Outro dado que chama a atenção é a identificação de cerca de 50 mil crianças e adolescentes atuando em atividades consideradas entre as piores formas de trabalho infantil, conforme a Lista TIP, regulamentada pelo Decreto nº 6.481/2008. Entre as ocupações registradas estão trabalhos ligados à agricultura, pecuária, pesca, construção civil, serviços domésticos, carregamento de cargas, comércio ambulante e coleta de resíduos.

Essas atividades são consideradas inadequadas para menores de idade por exporem crianças e adolescentes a riscos físicos, químicos, biológicos e psicológicos, além de comprometerem seu desenvolvimento educacional e social.

Em âmbito nacional, a pesquisa estima que aproximadamente 1,65 milhão de crianças e adolescentes brasileiros estavam em situação de trabalho infantil em 2024. Diante desse cenário, o Dieese destaca a importância de fortalecer ações de fiscalização, ampliar políticas públicas de proteção social, combater a evasão escolar e incentivar programas de aprendizagem profissional como ferramentas para reduzir os índices registrados.

A divulgação dos dados ocorre na semana dedicada à conscientização sobre os impactos do trabalho infantil e à defesa dos direitos de crianças e adolescentes, reforçando a necessidade de mobilização da sociedade e do poder público para enfrentar o problema.

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