O Pará aparece entre os estados brasileiros com a maior intensidade de jornada de trabalho do país. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego, e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do IBGE, referentes a 2025 e sistematizados pelo projeto Brasil em Mapas, apontam que 71% dos trabalhadores paraenses cumprem jornadas semanais de 44 horas ou mais.
O percentual coloca o estado empatado com o Maranhão na liderança nacional das jornadas mais extensas. Na prática, sete em cada dez trabalhadores paraenses atuam em regimes que alcançam ou superam o limite atualmente previsto pela legislação trabalhista.
Os números revelam um cenário em que grande parte da população não apenas enfrenta rendimentos mais baixos em comparação com outras regiões do país, mas também permanece mais tempo dedicada ao trabalho. Especialistas associam esse contexto às características da economia regional, marcada pela elevada informalidade, pela presença significativa de trabalhadores autônomos e por relações de trabalho consideradas mais vulneráveis.
Em nível nacional, a média semanal de trabalho é de 43,4 horas, próxima do teto legal de 44 horas. Estimativas indicam que aproximadamente 56% dos trabalhadores brasileiros estão inseridos em jornadas consideradas longas.
O levantamento também evidencia diferenças regionais. Enquanto os estados das regiões Norte e Nordeste concentram os maiores índices de carga horária elevada, o Sudeste e o Distrito Federal registram percentuais menores, cenário frequentemente relacionado a mercados de trabalho mais formalizados e à maior participação dos setores de serviços especializados e da administração pública.
O tema ganha ainda mais relevância diante da discussão sobre mudanças na jornada de trabalho no país. A proposta que prevê o fim gradual da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, deve começar a ser analisada pelo Senado nos próximos dias.
O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e aguarda despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), para iniciar sua tramitação na Casa. Caso avance, a proposta poderá impactar diretamente estados como o Pará, onde a carga horária elevada faz parte da realidade da maioria dos trabalhadores.
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