Pará concentra quatro cidades entre as 20 com pior saneamento do país, indica levantamento - Estado do Pará Online

Pará concentra quatro cidades entre as 20 com pior saneamento do país, indica levantamento

Com perdas de água acima de 50%, municípios paraenses enfrentam pressão por investimentos estruturais.

Com perdas de água acima de 50%, municípios paraenses enfrentam pressão por investimentos estruturais.
Foto: Fellipe Abreu

O Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, aponta Santarém como a cidade com o pior desempenho entre os 100 maiores municípios do país. O levantamento utiliza dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico para diagnosticar a infraestrutura brasileira. Além da última colocação de Santarém, o estado do Pará figura negativamente com Belém, Ananindeua e Parauapebas entre as 20 piores gestões do setor.

​A deficiência no acesso à água potável e coleta de esgoto atinge milhões de brasileiros, refletindo uma crise estrutural que persiste no território paraense. Em Ananindeua, a cobertura de água chega a apenas 39,39%, enquanto Santarém registra 44,93%, índices muito distantes da média nacional de 93,55%. Estes números colocam as administrações municipais de Igor Normando, Dr. Daniel, Aurélio Goiano e José Maria sob pressão direta por resultados.

​O cenário da coleta de esgoto é ainda mais alarmante nas cidades paraenses, com Santarém apresentando apenas 3,28% de atendimento à população. Belém e Parauapebas também ocupam posições críticas no cenário nacional, com coberturas que não ultrapassam a marca dos 26%. Essa ausência de infraestrutura básica compromete diretamente a saúde pública e a preservação ambiental dos mananciais da região amazônica.

​Quanto ao tratamento do volume de esgoto gerado, Santarém permanece em destaque negativo com um índice de aproveitamento de apenas 9,26%. O valor é drasticamente inferior à média de tratamento do Brasil, que atualmente se encontra em 51,8%, segundo o Trata Brasil. Esse indicador revela a baixa eficiência na conversão da água consumida em efluente devidamente tratado antes do descarte na natureza.

​Os investimentos por habitante no Pará seguem patamares reduzidos, com Ananindeua apresentando o menor aporte entre as citadas, de apenas R$ 22,28 anuais. Santarém e Parauapebas registram R$ 35,24 e R$ 45,12, respectivamente, somando esforços do poder público e das concessionárias de serviço. Tais montantes são considerados insuficientes para reverter o quadro de atraso histórico que penaliza a qualidade de vida dos residentes.

​O desperdício na distribuição de água é outro ponto crítico, alcançando a marca de 70,68% de perda em Parauapebas e 57% em Santarém. Belém também apresenta um cenário severo com 58,96% de líquido perdido antes de chegar às torneiras das residências cadastradas. O controle dessas perdas é fundamental para garantir a sustentabilidade do sistema e a eficiência econômica das operadoras de saneamento.

Confira o ranking:

Do 91º ao 100º: as piores cidades em saneamento básico do Brasil

91º – Ananindeua (PA)
92º – Jaboatão dos Guararapes (PE)
93º – Macapá (AP)
94º – Belém (PA)
95º – Belford Roxo (RJ)
96º – Parauapebas (PA)
97º – Várzea Grande (MT)
98º – Rio Branco (AC)
99º – Porto Velho (RO)
100º – Santarém (PA)

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