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Organização e paciência levam o Brasil às oitavas da Copa do Mundo

Por Kaio Rodrigues
29/06/2026 às 17:10 • 3 min
Martinelli

FIFA / Divulgação

O Brasil precisou de 97 minutos para confirmar a classificação às oitavas de final da Copa do Mundo, mas o roteiro da vitória por 2 a 1 sobre o Japão foi muito diferente do que o placar sugere. A equipe de Carlo Ancelotti dominou praticamente todos os indicadores da partida, controlou a posse de bola, criou as melhores oportunidades e mostrou força mental e paciência para buscar a virada mesmo após sofrer um gol em uma das poucas chegadas japonesas.

Os números ajudam a explicar esse cenário. O Brasil terminou o confronto com 69% de posse de bola, 19 finalizações contra apenas cinco do adversário, sete chutes no alvo e criou quatro oportunidades claras de gol. O Japão, por outro lado, praticamente não levou perigo ao ataque e balançou as redes justamente em um erro na saída de bola brasileira.

Apesar da superioridade, o Brasil saiu em desvantagem ainda no primeiro tempo. O gol de Kaishu Sano nasceu de um erro na saída de bola, praticamente a única situação em que o Japão conseguiu explorar a desorganização defensiva brasileira. Até então, a equipe de Hajime Moriyasu encontrava dificuldades para construir jogadas e apostava quase exclusivamente em contra-ataques e bolas longas.

Se ofensivamente o Brasil produzia, faltava transformar volume em eficiência. Zion Suzuki foi decisivo ao impedir o empate ainda antes do intervalo, repetindo as boas intervenções na etapa final. A atuação do goleiro explica, em parte, por que uma equipe que criou quatro grandes oportunidades precisou esperar os acréscimos para garantir a classificação.

A principal resposta veio do banco de reservas. A entrada de Endrick no intervalo modificou a dinâmica ofensiva, aproximando mais jogadores da área e liberando Matheus Cunha para participar da construção das jogadas. Nos primeiros minutos da etapa final, a pressão aumentou significativamente até Casemiro aparecer atrás dos zagueiros para empatar de cabeça após cruzamento de Gabriel Magalhães.

O empate não diminuiu o ritmo brasileiro. Pelo contrário. A Seleção continuou empurrando o Japão para o campo de defesa, terminou a partida com 107 entradas no terço ofensivo e 625 passes certos, números que evidenciam o controle das ações. Sem conseguir manter a posse, os japoneses passaram a sobreviver à base de bloqueios defensivos e das intervenções de Suzuki.

A persistência foi recompensada no último lance. Rayan recuperou a bola no ataque, Bruno Guimarães enxergou Gabriel Martinelli infiltrando livre e encontrou o atacante dentro da área. A finalização ainda tocou na trave antes de entrar, coroando uma atuação em que o Brasil foi superior durante praticamente todo o confronto.

Mais do que a classificação, o jogo deixa sinais positivos para a sequência da Copa. Pela primeira vez neste Mundial, a equipe precisou reagir após sair atrás do placar e manteve a organização tática durante toda a partida, sem abrir mão da construção coletiva. Ao mesmo tempo, o confronto também expôs um aspecto que Ancelotti deverá ajustar: a dificuldade em transformar amplo domínio em vantagem no placar com maior rapidez.

Nas oitavas de final, contra Noruega ou Costa do Marfim, o Brasil chega fortalecido pelo desempenho, mas consciente de que o desperdício de oportunidades poderá custar caro diante de adversários com maior capacidade ofensiva.

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